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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2026

MedicinaGastroenterologia
Código
fg133523
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Paciente feminina, 38 anos, retorna à consulta após dois meses de tratamento com omeprazol 20 mg uma vez ao dia para dispepsia funcional. Relata melhora parcial dos sintomas de plenitude pós-prandial e desconforto epigástrico, mas queixa-se de persistência de saciedade precoce que limita suas atividades habituais. Nega sinais de alarme. Endoscopia digestiva alta realizada há quatro meses foi normal. Teste de ureia marcada para Helicobacter pylori negativo há três meses. Nega comorbidades psiquiátricas diagnosticadas, mas menciona que os sintomas se intensificam em períodos de maior estresse no trabalho. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, sem alterações significativas.Considerando o manejo adequado dessa paciente neste momento, a conduta terapêutica recomendada consiste em:
  1. Asubstituir o omeprazol por ranitidina 150 mg duas vezes ao dia, considerando que os antagonistas dos receptores H2 apresentam eficácia semelhante aos inibidores de bomba de prótons no tratamento da dispepsia funcional;
  2. Bsolicitar estudo de esvaziamento gástrico por cintilografia para confirmar gastroparesia antes de iniciar tratamento com agente pró-cinético, dado o predomínio de saciedade precoce;
  3. Caumentar a dose do omeprazol para 40 mg duas vezes ao dia por mais oito semanas, pois doses mais elevadas demonstram maior eficácia no tratamento da dispepsia funcional refratária;
  4. Diniciar antidepressivo tricíclico em dose baixa, como amitriptilina 10 mg à noite, podendo manter o omeprazol se houve resposta parcial;
  5. Esuspender o omeprazol e prescrever metoclopramida 10 mg três vezes ao dia antes das refeições como monoterapia, reservando os neuromoduladores para falha terapêutica subsequente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — iniciar antidepressivo tricíclico em dose baixa, como amitriptilina 10 mg à noite, podendo manter o omeprazol se houve resposta parcial;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dispepsia funcional: manejo da falha terapêutica com IBP

Gabarito: letra D. Em paciente com dispepsia funcional que apresenta resposta parcial ao inibidor de bomba de prótons (IBP), a conduta recomendada é iniciar antidepressivo tricíclico em dose baixa (ex.: amitriptilina 10 mg à noite), podendo manter o IBP — exatamente o que a alternativa D propõe. Essa é a conduta baseada em evidências para dispepsia funcional refratária, conforme diretrizes de gastroenterologia.

A dispepsia funcional é definida pela presença de sintomas originados da região gastroduodenal (plenitude pós-prandial, saciedade precoce, dor ou queimação epigástrica) na ausência de doença orgânica que os justifique, após investigação adequada. No caso, a endoscopia normal e o teste de ureia marcada negativo para H. pylori confirmam o diagnóstico funcional. A paciente apresenta o subtipo síndrome do desconforto pós-prandial (PDS), caracterizado por saciedade precoce e plenitude pós-prandial, que limita suas atividades — sintoma que persiste apesar do uso de omeprazol.

O tratamento da dispepsia funcional é um desafio, pois poucas opções terapêuticas demonstraram efetividade robusta. Os IBPs são a primeira linha, com benefício modesto (redução de risco relativo de 25%, NNT = 6). Quando há resposta parcial ou refratariedade, as opções incluem pró-cinéticos e, principalmente, antidepressivos tricíclicos (ADTs) em dose baixa, que atuam modulando a sensibilidade visceral e o processamento central da dor — mecanismo central na fisiopatologia da dispepsia funcional, especialmente quando há componente de estresse emocional, como no caso descrito.

A escolha da amitriptilina em dose baixa (10–25 mg/dia) é respaldada por estudos que mostram benefício no controle dos sintomas dispépticos refratários, com NNT = 6. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs), por outro lado, não demonstraram melhora dos sintomas nos estudos realizados. É importante destacar que a dose baixa de ADT não visa tratar depressão, mas sim modular a nocicepção visceral e melhorar a tolerância aos sintomas — por isso, pode ser usada mesmo sem comorbidade psiquiátrica diagnosticada, embora a presença de estresse relacionado aos sintomas seja um fator que favorece essa abordagem.

A alternativa D está correta ao propor manter o omeprazol (já que houve resposta parcial) e adicionar amitriptilina 10 mg à noite. Essa estratégia de "IBP + neuromodulador" é a mais alinhada com as evidências atuais para dispepsia funcional refratária. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta que as tornam inadequadas, como veremos a seguir.

Alternativa

Conduta proposta

Erro conceitual/conduta

A

Trocar IBP por ranitidina

IBPs são superiores aos antagonistas H2; ranitidina retirada do mercado por contaminação

B

Cintilografia de esvaziamento gástrico antes de pró-cinético

Exame não indicado rotineiramente na dispepsia funcional sem suspeita forte de gastroparesia

C

Aumentar omeprazol para 40 mg 2x/dia

Sem evidência de benefício com doses altas de IBP na dispepsia funcional refratária

D (gabarito)

Amitriptilina 10 mg à noite + manter omeprazol

Conduta correta: ADT em dose baixa modula sensibilidade visceral; mantém IBP pela resposta parcial

E

Suspender IBP e usar metoclopramida isolada

Metoclopramida tem eficácia limitada e risco de efeitos extrapiramidais; neuromodulador é opção antes de pró-cinético

Dispepsia funcional
  • 1Subtipos
    • Síndrome do desconforto pós-prandial
    • Síndrome da dor epigástrica
  • 21ª linha
    • IBP (benefício modesto)
  • 3Refratária ao IBP
    • Antidepressivo tricíclico dose baixa
    • Pró-cinético (risco extrapiramidal)
    • Escalonar IBP (sem evidência)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Troca o IBP por antagonista H2 (ranitidina), afirmando eficácia semelhante. Os IBPs são superiores aos bloqueadores H2 no controle dos sintomas da dispepsia funcional, sendo a primeira escolha. Além disso, a ranitidina foi retirada do mercado em diversos países por contaminação com nitrosaminas, tornando a conduta ainda mais inadequada. A troca não é recomendada quando há resposta parcial ao IBP.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sugere cintilografia de esvaziamento gástrico para confirmar gastroparesia antes de pró-cinético. Embora a saciedade precoce possa ocorrer na gastroparesia, a paciente tem dispepsia funcional já diagnosticada (endoscopia normal, sem sinais de alarme). A cintilografia não é indicada rotineiramente na dispepsia funcional sem suspeita clínica forte de gastroparesia (ex.: diabetes, pós-cirúrgico). Além disso, a conduta imediata não depende desse exame — a abordagem terapêutica vem primeiro.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Aumentar omeprazol para 40 mg duas vezes ao dia. Não há evidência de que doses mais altas de IBP melhorem os sintomas da dispepsia funcional refratária. A supressão ácida já é máxima com dose padrão; o benefício adicional é mínimo. A conduta correta é adicionar neuromodulador, não escalonar o IBP.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar amitriptilina 10 mg à noite, mantendo omeprazol. Essa é a conduta recomendada para dispepsia funcional com resposta parcial ao IBP. Os ADTs em dose baixa modulam a sensibilidade visceral e o processamento central da dor, com benefício demonstrado (NNT = 6). A manutenção do IBP é razoável, pois houve resposta parcial. A dose baixa noturna minimiza efeitos colaterais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Suspender omeprazol e usar metoclopramida como monoterapia, reservando neuromoduladores para depois. A metoclopramida tem eficácia limitada na dispepsia funcional e risco de síndromes extrapiramidais em uso crônico (desaconselhado por > 3 meses). Além disso, os neuromoduladores (ADTs) são uma opção de segunda linha antes de pró-cinéticos em muitos algoritmos, especialmente quando há componente de estresse. A suspensão do IBP que trouxe resposta parcial também não é ideal.

Gabarito: letra D — iniciar amitriptilina em dose baixa, mantendo o IBP, é a conduta mais adequada para dispepsia funcional refratária.

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