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Questão de Medicina — Urologia — FGV 2026

MedicinaUrologia
Código
fg133524
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Mulher de 32 anos, previamente hígida, comparece ao ambulatório referindo quatro episódios de cistite nos últimos seis meses. Relata que os sintomas incluem disúria, polaciúria e urgência miccional, com resolução completa após uso de antimicrobianos prescritos. O último episódio ocorreu há três semanas e foi tratado com nitrofurantoína por cinco dias, com melhora clínica. Urocultura realizada durante esse episódio identificou Escherichia coli sensível a todos os antimicrobianos testados. Paciente nega comorbidades, uso de espermicida, sintomas de incontinência urinária ou alterações do hábito miccional. Exame físico sem particularidades.Considerando o manejo adequado dessa paciente, a conduta recomendada inicialmente inclui:
  1. Asolicitar tomografia computadorizada de abdome e pelve para investigação de anormalidades estruturais do trato urinário;
  2. Borientar aumento da ingesta hídrica para 2 a 3 litros por dia e avaliar uso de metenamina ou produtos à base de cranberry;
  3. Cprescrever ciprofloxacino em dose profilática contínua por 12 meses, considerando a frequência dos episódios;
  4. Drealizar cistoscopia para avaliar presença de cistite intersticial como fator predisponente;
  5. Einiciar sulfametoxazol-trimetoprima profilático pós-coital, dado o padrão de recorrências apresentado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — orientar aumento da ingesta hídrica para 2 a 3 litros por dia e avaliar uso de metenamina ou produtos à base de cranberry;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecção do trato urinário recorrente em mulher jovem: conduta inicial

Gabarito: letra B. A paciente apresenta cistite recorrente não complicada (4 episódios em 6 meses, com urocultura documentando E. coli sensível), e a conduta inicial recomendada é a orientação de medidas comportamentais — aumento da ingesta hídrica para 2 a 3 litros/dia — associada a profilaxia não antimicrobiana (metenamina ou cranberry), conforme as diretrizes da American Urological Association (AUA) para ITU recorrente não complicada em mulheres. A profilaxia antimicrobiana contínua ou pós-coital é uma opção, mas não é a conduta inicial de primeira linha, e exames de imagem ou cistoscopia não são recomendados rotineiramente nesse cenário.

A infecção do trato urinário (ITU) recorrente é definida como 2 episódios de cistite bacteriana aguda comprovada por urocultura em 6 meses, ou 3 episódios em 1 ano. A paciente se enquadra nessa definição (4 episódios em 6 meses). O ponto central do manejo é distinguir a ITU não complicada (trato urinário anatomicamente e funcionalmente normal) da complicada (presença de anormalidades estruturais ou funcionais). No caso descrito, a paciente é jovem, hígida, sem comorbidades, sem uso de espermicida, sem sintomas de incontinência ou alterações do hábito miccional — ou seja, trata-se de ITU recorrente não complicada.

Para essa população, as diretrizes da AUA recomendam, como abordagem inicial, medidas não farmacológicas: aumento da ingesta hídrica (que reduz a frequência de cistites ao diluir a urina e aumentar o fluxo miccional, dificultando a adesão bacteriana), além de opções como metenamina (que libera formaldeído em urina ácida, com ação bacteriostática) e produtos à base de cranberry (que contêm proantocianidinas, capazes de inibir a adesão de E. coli ao urotélio). Essas medidas são preferíveis como primeiro passo por apresentarem menor risco de efeitos adversos e de seleção de resistência bacteriana em comparação com a profilaxia antibiótica prolongada.

A profilaxia antimicrobiana (contínua ou pós-coital) é uma alternativa válida, mas é considerada uma segunda etapa no manejo, geralmente após a falha ou a recusa das medidas não farmacológicas, ou em casos de maior frequência de episódios. A profilaxia contínua com nitrofurantoína, sulfametoxazol-trimetoprima ou cefalexina costuma ser utilizada por 6 a 12 meses. A profilaxia pós-coital é indicada quando há clara associação com atividade sexual. No entanto, a questão pede a conduta inicialmente recomendada, e a literatura atual prioriza as intervenções comportamentais e não antibióticas como primeiro passo.

A pegadinha desta questão está em associar automaticamente a recorrência de ITU à necessidade de profilaxia antibiótica ou de investigação invasiva. A banca explora o reflexo do candidato de "tratar com antibiótico profilático" ou "investigar com exames de imagem", quando a conduta baseada em evidências para ITU recorrente não complicada em mulher jovem e hígida é, inicialmente, a otimização de medidas comportamentais e o uso de agentes não antimicrobianos. Exames como tomografia ou cistoscopia são reservados para suspeita de fatores complicadores, como hematúria, dor lombar, febre, ou falha terapêutica — nenhum dos quais está presente no caso.

Guarde a hierarquia do manejo: primeiro medidas comportamentais e não farmacológicas; depois, se necessário, profilaxia antibiótica (contínua ou pós-coital); e apenas com suspeita de complicação, exames de imagem ou cistoscopia. É exatamente essa sequência que separa as alternativas corretas das incorretas.

  1. 1Medidas comportamentais e não farmacológicas
  2. 2Profilaxia antibiótica (contínua ou pós-coital)
  3. 3Investigação com imagem ou cistoscopia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Solicitar tomografia computadorizada de abdome e pelve para investigação de anormalidades estruturais não é recomendado rotineiramente na ITU recorrente não complicada. As diretrizes da AUA afirmam que exames de imagem, cistoscopia ou estudos urodinâmicos não são recomendados rotineiramente, a não ser que haja suspeita de fatores complicadores. A paciente não apresenta sinais de alerta (febre, dor lombar, hematúria, litíase, cirurgia urológica prévia), portanto a investigação por imagem é desnecessária nesta fase inicial.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta inicial recomendada para ITU recorrente não complicada em mulher jovem e hígida é a orientação de aumento da ingesta hídrica para 2 a 3 litros por dia, associada a profilaxia não antimicrobiana com metenamina ou cranberry. Essas medidas são eficazes na redução da recorrência, apresentam baixo risco de efeitos adversos e não contribuem para a resistência bacteriana, sendo a abordagem de primeira linha segundo as diretrizes da AUA.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Prescrever ciprofloxacino em dose profilática contínua por 12 meses não é a conduta inicial recomendada. Embora a profilaxia antibiótica contínua seja uma opção para ITU recorrente, ela é considerada uma segunda etapa após a falha das medidas não farmacológicas. Além disso, o uso de fluoroquinolonas em profilaxia prolongada é desencorajado devido ao alto risco de resistência bacteriana e efeitos adversos (tendinopatia, neuropatia). A profilaxia contínua costuma ser feita com nitrofurantoína, sulfametoxazol-trimetoprima ou cefalexina, não com ciprofloxacino.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Realizar cistoscopia para avaliar cistite intersticial não é indicado neste caso. A cistoscopia é um exame invasivo, reservado para situações com suspeita de fatores complicadores ou quando há sintomas atípicos (como dor pélvica crônica, hematúria persistente, ou falha terapêutica). A paciente apresenta cistite bacteriana recorrente clássica, sem sinais de cistite intersticial (que cursa com dor vesical crônica, urgência e polaciúria, mas sem infecção documentada). As diretrizes não recomendam cistoscopia rotineira na ITU recorrente não complicada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Iniciar sulfametoxazol-trimetoprima profilático pós-coital não é a conduta inicial recomendada, pois a profilaxia antibiótica (mesmo pós-coital) é uma segunda linha no manejo. Além disso, a profilaxia pós-coital é indicada especificamente quando há clara associação entre atividade sexual e episódios de cistite — o que não é relatado no caso (a paciente nega uso de espermicida, mas não há menção a relação sexual como fator desencadeante). A conduta inicial deve priorizar as medidas não farmacológicas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre ITU recorrente e necessidade de profilaxia antibiótica ou investigação invasiva. O candidato que não conhece as diretrizes da AUA tende a escolher a alternativa C (ciprofloxacino profilático) ou E (profilaxia pós-coital), quando a conduta baseada em evidências para mulher jovem e hígida com ITU recorrente não complicada é, inicialmente, o aumento da ingesta hídrica e o uso de agentes não antimicrobianos (metenamina, cranberry). Fique atento: a profilaxia antibiótica é uma etapa posterior, e exames de imagem/cistoscopia são reservados para suspeita de complicação.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de ITU recorrente, memorize a hierarquia do manejo: medidas comportamentais (ingesta hídrica, micção pós-coital, evitar espermicida) e não farmacológicas (cranberry, metenamina); profilaxia antibiótica (contínua ou pós-coital, com nitrofurantoína, sulfametoxazol-trimetoprima ou cefalexina); investigação com imagem ou cistoscopia apenas se houver suspeita de complicação (febre, dor lombar, hematúria, litíase, falha terapêutica). Essa sequência resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra B

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