Intertextualidade com ditado popular – FGV 2026
Gabarito: letra D. A única frase que estabelece intertextualidade com um ditado popular é a alternativa D: "O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado." O autor parodia o conhecido ditado "meter o nariz onde não é chamado" (ou "meter a colher..."), substituindo o termo por "língua", criando uma referência irônica ao próprio ofício de escrever. As demais alternativas não se apoiam em nenhum ditado consagrado.
"[...] mas meter a língua onde não se foi chamado."
O trecho faz eco direto à sabedoria popular, adaptando-a ao contexto da crônica. Intertextualidade se caracteriza por essa remissão a outro texto – aqui, um ditado oral anônimo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Nada a ver com os rigores de um professor de português." A frase apenas nega relação com o universo do professor, sem remeter a nenhum ditado popular. Erro: troca de conceito – não há intertextualidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse." Descrição do narrador; nenhum eco de ditado. Erro: troca de conceito – intertextualidade ausente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui." Há uma comparação com o passado („tempo do orelhão”), mas não se trata de um ditado popular – é uma expressão coloquial, não um texto consagrado. Erro: troca de conceito – não atende ao critério de intertextualidade com ditado.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado." Conforme demonstrado, "meter a língua onde não se foi chamado" é uma variação do ditado popular "meter o nariz onde não é chamado”. A banca considerou essa intertextualidade explícita.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping." Não há referência a nenhum ditado. Erro: troca de conceito – intertextualidade ausente.
Gabarito: letra D.