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Questão de Português — Morfologia — FGV 2026

PortuguêsMorfologia
Código
fg134321
Banca
FGV
Órgão
AL-RO
Ano
2026
Nível
Médio
ATENÇÃO: O texto a seguir se refere à questão.


'Quer adressar?', me perguntou a moça


         De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

          O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:

     “Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.

      A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

    A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:


      “Sim, por favor, adressa, sim”.


(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)
No trecho “e já no parágrafo seguinte caio de boca [...] no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina”, o processo de formação da palavra sublinhada é
  1. Aa reduplicação.
  2. Ba derivação prefixal e sufixal.
  3. Co hibridismo.
  4. Da derivação parassintética.
  5. Ea conversão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a conversão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Formação da palavra 'saboreio' – conversão (derivação imprópria)

Gabarito: letra E. A palavra "saboreio", no trecho "no saboreio do último barbarismo", é um substantivo derivado do verbo "saborear" por conversão, pois a forma nominal é idêntica à 1ª pessoa do singular do presente do indicativo ("eu saboreio"). Não há acréscimo de afixos, o que descarta derivação sufixal, prefixal, parassintética, bem como reduplicação e hibridismo.

"e já no parágrafo seguinte caio de boca [...] no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina"

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reduplicação consiste na repetição de sílabas ou fonemas (ex.: "cacá", "tique-taque"). Não se aplica a "saboreio", que não apresenta esse fenômeno.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A derivação prefixal e sufixal exige a presença simultânea de prefixo e sufixo, mas em "saboreio" não há prefixo. A palavra é formada apenas pela base "sabore-" e a terminação "-io", que não é sufixo independente no processo; na verdade, a forma coincide com a conjugação verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Hibridismo é a combinação de elementos de línguas diferentes (ex.: "automóvel" – grego + latim). "Saboreio" deriva do português, sem mistura de origens.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A derivação parassintética ocorre com a adição simultânea de prefixo e sufixo, de modo que a retirada de um deles inviabiliza a palavra (ex.: "envelhecer" – en- + -ecer). "Saboreio" não possui prefixo, logo não se enquadra.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conversão (ou derivação imprópria) é o processo em que uma palavra muda de classe gramatical sem alteração morfológica. No texto, "saboreio" é empregado como substantivo, mas sua forma é idêntica à do verbo "saboreio" (1ª pessoa do singular do presente do indicativo). Esse fenômeno é típico de substantivos como "beijo", "grito", "cheiro", que derivam dos respectivos verbos por conversão.

Gabarito: letra E

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