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Questão de Português — Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. — FGV 2026

PortuguêsFunções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
Código
fg134322
Banca
FGV
Órgão
AL-RO
Ano
2026
Nível
Médio
ATENÇÃO: O texto a seguir se refere à questão.


'Quer adressar?', me perguntou a moça


         De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

          O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:

     “Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.

      A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

    A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:


      “Sim, por favor, adressa, sim”.


(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)
Na crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, a função predominante é
  1. Ametalinguística.
  2. Breferencial.
  3. Cemotiva.
  4. Dapelativa.
  5. Epoética.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — metalinguística.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função predominante na crônica

Gabarito: letra A (metalinguística). A crônica de Joaquim Ferreira dos Santos tem como eixo central a própria linguagem: o autor reflete sobre o uso de um estrangeirismo ("adressar"), discute sua relação com as normas do idioma e comenta seu próprio estilo de escrita. Isso caracteriza a função metalinguística da linguagem, que ocorre quando o foco da mensagem está no código (a língua).

"A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões ... e tirar prazer disso."

O texto não se limita a relatar um fato (função referencial), nem a expressar emoções pessoais (emotiva), persuadir o leitor (apelativa) ou valorizar a forma estética acima de tudo (poética). A predominância recai sobre a reflexão acerca do próprio idioma, o que é típico da função metalinguística.


Função da Linguagem

Característica Principal

Foco da Mensagem

Predominância na Crônica?

Justificativa

Metalinguística

Reflexão sobre o próprio código (a língua)

Código

✅ Sim (Gabarito)

A crônica discute o significado e o uso do estrangeirismo "adressar", analisando a própria linguagem.

Referencial

Transmissão objetiva de informações sobre o contexto

Contexto

❌ Não

O cenário da loja é apenas pano de fundo; o foco não é relatar fatos de forma impessoal.

Emotiva

Expressão de emoções e opiniões do emissor

Emissor

❌ Não

Há opiniões pessoais, mas elas servem de suporte para a reflexão sobre a língua, não sendo o centro.

Apelativa

Persuasão do receptor, busca influenciar seu comportamento

Receptor

❌ Não

O texto não tem o objetivo de convencer o leitor a agir ou pensar de determinada forma.

Poética

Valorização da forma estética da mensagem, do arranjo das palavras

Mensagem

❌ Não

Embora haja estilo, a forma não é o foco principal; a reflexão sobre o código predomina.

1Foco no código (metalinguística)
Reflexão sobre a língua
Comentário sobre estrangeirismo
2Foco no contexto (referencial)
Transmissão objetiva de fatos
3Foco no emissor (emotiva)
Expressão de emoções/opiniões
4Foco no receptor (apelativa)
Persuadir o leitor
5Foco no canal (fática)
Manter a comunicação
6Foco na mensagem (poética)
Valorização estética da forma
Funções da linguagem
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Funções da linguagem: Foco no código (metalinguística) (Reflexão sobre a língua, Comentário sobre estrangeirismo); Foco no contexto (referencial) (Transmissão objetiva de fatos); Foco no emissor (emotiva) (Expressão de emoções/opiniões); Foco no receptor (apelativa) (Persuadir o leitor); Foco no canal (fática) (Manter a comunicação); Foco na mensagem (poética) (Valorização estética da forma)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A crônica toda gira em torno da palavra "adressar": o autor narra o momento em que não a entende, as repetições até compreendê-la, e depois comenta o ato de usar o estrangeirismo. Esse comentário sobre a língua é metalinguístico. O trecho "Preciso dizer que quando eu ... entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de 'adressar' a compra" mostra que o foco está na significação e no código. Logo, a função predominante é a metalinguística.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A função referencial prioriza a transmissão objetiva de informações sobre o contexto. Embora haja um cenário (loja no Leblon), a narração é apenas pano de fundo para a discussão sobre a linguagem. O texto não se concentra em descrever fatos de forma impessoal; pelo contrário, a subjetividade e a reflexão linguística dominam. Portanto, não é a função referencial a predominante. Erro: atribuir a função referencial quando o código é o centro.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A função emotiva (ou expressiva) está voltada para as emoções e opiniões do emissor. O autor manifesta opiniões sobre o uso da língua ("A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia"), mas isso não predomina. A crônica não é um desabafo emocional; é uma reflexão sobre a linguagem, ainda que com tom pessoal. Portanto, a emotiva não é a função principal. Erro: confundir tom subjetivo com função exclusivamente emotiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A função apelativa (ou conativa) busca influenciar o comportamento do receptor, fazer um apelo ou dar ordens. No texto, não há tentativa de convencer o leitor a agir de determinada maneira. O autor apenas narra e reflete; não há verbos no imperativo nem argumentação persuasiva direta. Logo, a função apelativa está ausente como predominante. Erro: inferir função apelativa onde não há incitação à ação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A função poética enfatiza a forma da mensagem, o trabalho artístico com as palavras (rima, ritmo, figuras). Embora a crônica tenha estilo literário e uso criativo da linguagem, o objetivo não é a estética pela estética, mas comentar sobre a língua. O foco está no código, não na elaboração formal. A função poética é secundária, não predominante. Erro: confundir estilo com função poética predominante.


PEGA ESSA DICA!

Para identificar a função predominante, pergunte: "Sobre o quê o texto mais fala?" Se a resposta for "a própria língua", é metalinguística. Ignore elementos secundários. Na dúvida, releia o primeiro e o último parágrafos — neles geralmente está a tese.

Gabarito: letra A (metalinguística).

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