Questão de Português — Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. — FGV 2026
- Código
- fg134322
- Banca
- FGV
- Órgão
- AL-RO
- Ano
- 2026
- Nível
- Médio
- Ametalinguística.
- Breferencial.
- Cemotiva.
- Dapelativa.
- Epoética.
GabaritoA — metalinguística.
Gabarito: letra A (metalinguística). A crônica de Joaquim Ferreira dos Santos tem como eixo central a própria linguagem: o autor reflete sobre o uso de um estrangeirismo ("adressar"), discute sua relação com as normas do idioma e comenta seu próprio estilo de escrita. Isso caracteriza a função metalinguística da linguagem, que ocorre quando o foco da mensagem está no código (a língua).
"A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões ... e tirar prazer disso."
O texto não se limita a relatar um fato (função referencial), nem a expressar emoções pessoais (emotiva), persuadir o leitor (apelativa) ou valorizar a forma estética acima de tudo (poética). A predominância recai sobre a reflexão acerca do próprio idioma, o que é típico da função metalinguística.
Função da Linguagem | Característica Principal | Foco da Mensagem | Predominância na Crônica? | Justificativa |
|---|---|---|---|---|
Metalinguística | Reflexão sobre o próprio código (a língua) | Código | ✅ Sim (Gabarito) | A crônica discute o significado e o uso do estrangeirismo "adressar", analisando a própria linguagem. |
Referencial | Transmissão objetiva de informações sobre o contexto | Contexto | ❌ Não | O cenário da loja é apenas pano de fundo; o foco não é relatar fatos de forma impessoal. |
Emotiva | Expressão de emoções e opiniões do emissor | Emissor | ❌ Não | Há opiniões pessoais, mas elas servem de suporte para a reflexão sobre a língua, não sendo o centro. |
Apelativa | Persuasão do receptor, busca influenciar seu comportamento | Receptor | ❌ Não | O texto não tem o objetivo de convencer o leitor a agir ou pensar de determinada forma. |
Poética | Valorização da forma estética da mensagem, do arranjo das palavras | Mensagem | ❌ Não | Embora haja estilo, a forma não é o foco principal; a reflexão sobre o código predomina. |
A crônica toda gira em torno da palavra "adressar": o autor narra o momento em que não a entende, as repetições até compreendê-la, e depois comenta o ato de usar o estrangeirismo. Esse comentário sobre a língua é metalinguístico. O trecho "Preciso dizer que quando eu ... entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de 'adressar' a compra" mostra que o foco está na significação e no código. Logo, a função predominante é a metalinguística.
A função referencial prioriza a transmissão objetiva de informações sobre o contexto. Embora haja um cenário (loja no Leblon), a narração é apenas pano de fundo para a discussão sobre a linguagem. O texto não se concentra em descrever fatos de forma impessoal; pelo contrário, a subjetividade e a reflexão linguística dominam. Portanto, não é a função referencial a predominante. Erro: atribuir a função referencial quando o código é o centro.
A função emotiva (ou expressiva) está voltada para as emoções e opiniões do emissor. O autor manifesta opiniões sobre o uso da língua ("A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia"), mas isso não predomina. A crônica não é um desabafo emocional; é uma reflexão sobre a linguagem, ainda que com tom pessoal. Portanto, a emotiva não é a função principal. Erro: confundir tom subjetivo com função exclusivamente emotiva.
A função apelativa (ou conativa) busca influenciar o comportamento do receptor, fazer um apelo ou dar ordens. No texto, não há tentativa de convencer o leitor a agir de determinada maneira. O autor apenas narra e reflete; não há verbos no imperativo nem argumentação persuasiva direta. Logo, a função apelativa está ausente como predominante. Erro: inferir função apelativa onde não há incitação à ação.
A função poética enfatiza a forma da mensagem, o trabalho artístico com as palavras (rima, ritmo, figuras). Embora a crônica tenha estilo literário e uso criativo da linguagem, o objetivo não é a estética pela estética, mas comentar sobre a língua. O foco está no código, não na elaboração formal. A função poética é secundária, não predominante. Erro: confundir estilo com função poética predominante.
Para identificar a função predominante, pergunte: "Sobre o quê o texto mais fala?" Se a resposta for "a própria língua", é metalinguística. Ignore elementos secundários. Na dúvida, releia o primeiro e o último parágrafos — neles geralmente está a tese.
Gabarito: letra A (metalinguística).
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