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Questão de Direito Administrativo — Estabilidade e Estágio Probatório — FGV 2024

Direito AdministrativoEstabilidade e Estágio Probatório
Código
fg161912
Banca
FGV
Órgão
OAB
Ano
2024
Cargo
NAC UNI

Jamile, após aprovação em concurso público, foi investida em cargo efetivo na Secretaria de Administração do Estado Alfa, no qual alcançou a estabilidade.

 

No entanto, o mencionado ente federativo decidiu reformular o seu quadro de pessoal, de modo que, após o devido processo legislativo, fez publicar a Lei XYX que extinguiu a carreira e, consequentemente, o cargo efetivo ocupado por Jamile, e, em razão disso, ato contínuo, promoveu sua exoneração.

 

Diante dessa situação hipotética, à luz das disposições constitucionais acerca dos servidores públicos, assinale a afirmativa correta.

  1. AJamile não pode ser afetada pela alteração legislativa em comento, pois possui o direito adquirido de permanecer no cargo para o qual foi aprovada em concurso.
  2. BO Estado Alfa deve promover o aproveitamento de Jamile em outro cargo, ainda que com atribuições e remuneração distintas daquele para o qual ela fora aprovada em concurso.
  3. CA exoneração de Jamile revela-se adequada e pertinente, diante da extinção da carreira e do cargo efetivo que ocupava pela Lei XYZ.
  4. DJamile, em razão da extinção do cargo, deve ficar em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até o seu adequado aproveitamento em outro cargo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Jamile, em razão da extinção do cargo, deve ficar em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até o seu adequado aproveitamento em outro cargo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estabilidade e extinção de cargo público

Gabarito: letra D. Servidor estável que tem seu cargo extinto por lei não pode ser simplesmente exonerado: a Constituição Federal assegura a colocação em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até o adequado aproveitamento em outro cargo (CF, art. 41, § 3º). A estabilidade protege o vínculo com o serviço público, não a permanência em um cargo específico.

A estabilidade é a garantia constitucional de permanência no serviço público, conferida ao servidor nomeado para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público, após três anos de efetivo exercício e aprovação em avaliação especial de desempenho (CF, art. 41, caput e § 4º). Ela não se confunde com a efetividade (que é característica do cargo) nem com a vitaliciedade (própria de magistrados e membros do Ministério Público). O servidor estável só perde o cargo nas hipóteses taxativas do art. 41, § 1º: sentença judicial transitada em julgado, processo administrativo com ampla defesa, avaliação periódica de desempenho (na forma de lei complementar) e, ainda, por excesso de despesa com pessoal (art. 169, § 4º).

A questão trata de uma situação diversa: a extinção do cargo por lei. Nesse caso, o servidor estável não é exonerado — ele é colocado em disponibilidade. A disponibilidade é uma situação jurídica em que o servidor permanece vinculado ao serviço público, recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço, até ser aproveitado em outro cargo. É uma proteção que decorre diretamente da estabilidade: como o servidor não pode ser desligado arbitrariamente, a extinção do cargo não o prejudica, mas o coloca em situação de espera por novo aproveitamento.

A distinção crucial é entre o servidor estável e o não estável (em estágio probatório). O servidor em estágio probatório, que ainda não adquiriu estabilidade, não tem direito à disponibilidade: se o cargo for extinto, ele será exonerado. A Súmula 22 do STF, embora trate do estágio probatório, reforça essa lógica ao afirmar que o estágio probatório não protege o funcionário contra a extinção do cargo. Já o servidor estável, como Jamile, tem a garantia constitucional da disponibilidade.

A pegadinha da banca está em confundir a situação de extinção de cargo (que gera disponibilidade) com a exoneração comum, ou em achar que a estabilidade garante a permanência no cargo específico. A estabilidade é no serviço público, não no cargo. Por isso, a extinção do cargo não viola o direito adquirido de permanecer no cargo (não existe esse direito), mas também não autoriza a exoneração pura e simples.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "estabilidade no cargo" e "estabilidade no serviço". O candidato pode achar que, por ser estável, Jamile não pode ser afetada pela extinção do cargo (alternativa A) ou que a exoneração é válida (alternativa C). A estabilidade protege o vínculo com o serviço público, não com o cargo específico. A extinção do cargo é possível, mas o servidor estável não é exonerado: ele vai para disponibilidade.

Critério

Servidor Estável

Servidor em Estágio Probatório (não estável)

Extinção do cargo por lei

Colocado em disponibilidade (remuneração proporcional ao tempo de serviço) até adequado aproveitamento

Exonerado (sem direito à disponibilidade)

Base constitucional/legal

CF, art. 41, § 3º

Súmula 22 STF (lógica aplicável)

Efeito da estabilidade

Protege o vínculo com o serviço público, não o cargo específico

Não há proteção contra a extinção do cargo

Extinção de cargo público
  • 1Servidor estável
    • Disponibilidade
      • Remuneração proporcional
      • Até adequado aproveitamento
  • 2Servidor não estável
    • Exoneração
  • 3Estabilidade
    • No serviço público
    • Não no cargo específico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que Jamile tem direito adquirido de permanecer no cargo. Não existe direito adquirido a cargo público. A estabilidade garante a permanência no serviço público, não no cargo específico. A extinção do cargo por lei é possível e não viola direito adquirido, pois o servidor estável será colocado em disponibilidade, não exonerado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o Estado deve promover o aproveitamento de Jamile em outro cargo, ainda que com atribuições e remuneração distintas. O aproveitamento é uma consequência da disponibilidade, mas não é automático nem imediato. A Constituição determina que o servidor fique em disponibilidade até seu adequado aproveitamento, o que pressupõe compatibilidade de atribuições e remuneração. A alternativa erra ao dizer que o aproveitamento pode ser em cargo com atribuições e remuneração distintas, o que contraria a ideia de "adequado aproveitamento".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a exoneração de Jamile é adequada diante da extinção do cargo. A exoneração é a forma de desligamento do servidor não estável ou por outras razões legais. Para o servidor estável, a extinção do cargo não autoriza a exoneração: a Constituição determina a disponibilidade. A alternativa contraria diretamente o art. 41, § 3º, da CF.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que Jamile deve ficar em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo. É exatamente o que determina o art. 41, § 3º, da CF. A disponibilidade é a situação jurídica do servidor estável cujo cargo foi extinto ou declarado desnecessário, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até o aproveitamento em outro cargo.

Art. 41, §3CF/88

Art. 41, § 3º — "Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo."

A regra de ouro para a prova: servidor estável + extinção do cargo = disponibilidade, nunca exoneração. O servidor não estável (em estágio probatório) é que será exonerado. Guarde essa diferença e a questão se resolve.

Gabarito: letra D

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