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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — FGV 2024

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
fg164212
Banca
FGV
Órgão
SEFAZ AM
Ano
2024
Cargo
AFCTE (Sefaz AM)
Assinale a opção que indica a frase em que a preposição de é parte de um complemento e não de um adjunto.
  1. AA mulher fala sempre de sua idade, mas não a diz nunca.
  2. BSão muitos os que precisam de dinheiro.
  3. CEsse mundo é o grande atelier de um escultor.
  4. DO homem, nascido de mulher, deve morrer por mulher.
  5. ESó em fila de aeroporto eu assumo que já passei os 70 anos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — São muitos os que precisam de dinheiro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Preposição: complemento ou adjunto?

Gabarito: letra B. A única frase em que a preposição de integra um complemento (especificamente, o objeto indireto do verbo precisar) é a B: "São muitos os que precisam de dinheiro". A preposição é exigida pela regência do verbo — não se diz "precisar dinheiro", mas "precisar de dinheiro" —, o que a torna parte de um termo integrante da oração, e não um mero adjunto. Nas demais, o de introduz um adjunto adnominal (A, C, E) ou um adjunto adverbial (D), termos acessórios que poderiam ser retirados sem prejuízo sintático.

O comando

A questão pede que você distinga, entre as ocorrências da preposição de, aquela em que ela é parte de um complemento (termo integrante: objeto indireto, complemento nominal) e não de um adjunto (termo acessório: adjunto adnominal, adjunto adverbial). A chave está na regência: o complemento é exigido por um verbo, substantivo, adjetivo ou advérbio; o adjunto é opcional, acrescenta uma circunstância ou característica sem ser pedido por nenhum termo.

A técnica que decide

Para cada alternativa, pergunte: o termo preposicionado é obrigatório para completar o sentido de um verbo/nome, ou é um acessório que pode ser retirado?

  • Complemento (termo integrante): a preposição é exigida pela regência do termo anterior. Ex.: precisar de, gostar de, necessidade de, capaz de.

  • Adjunto (termo acessório): a preposição é livre, introduz uma circunstância (tempo, lugar, posse, origem) ou uma característica que não é pedida por nenhum termo. Ex.: casa de madeira (adjunto adnominal), chegou de manhã (adjunto adverbial).

PEGA ESSA DICA!

Teste a obrigatoriedade: retire o termo preposicionado. Se a frase ficar agramatical ou com sentido incompleto, é complemento; se ficar gramatical e apenas menos informativa, é adjunto. Em "precisam de dinheiro", retirar "de dinheiro" deixa o verbo precisar sem sentido — logo, complemento.

Análise das alternativas

Alternativa

Termo preposicionado

Classificação

Justificativa

A

"de sua idade"

Adjunto adverbial (assunto)

Preposição substituível ("sobre", "acerca de"); termo retirável sem prejuízo gramatical

B

"de dinheiro"

Complemento (objeto indireto)

Preposição exigida pela regência de precisar; retirada torna a frase agramatical

C

"de um escultor"

Adjunto adnominal (posse)

Caracteriza atelier; substituível por "do escultor"; termo acessório

D

"de mulher"

Adjunto adverbial (origem)

Valor circunstancial de procedência; termo retirável

E

"de aeroporto"

Adjunto adnominal (especificação)

Caracteriza fila; substituível por "aeroportuária"; termo acessório

Preposição "de"
  • 1Complemento (termo integrante)
    • Exigido pela regência
    • Retirar deixa a frase agramatical
    • Ex.: precisar de, gostar de
  • 2Adjunto (termo acessório)
    • Adnominal (posse/característica)
      • Retirar não prejudica
      • Ex.: atelier de escultor
    • Adverbial (circunstância)
      • Retirar não prejudica
      • Ex.: nascido de mulher
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"A mulher fala sempre de sua idade, mas não a diz nunca."

Aqui, "de sua idade" é adjunto adverbial de assunto (ou tema). O verbo falar é transitivo indireto quando significa "discorrer sobre", mas a preposição de não é exigida de forma fixa: pode-se dizer "falar sobre sua idade", "falar acerca de sua idade", "falar a respeito de sua idade". A preposição tem valor semântico (assunto) e pode ser substituída, o que caracteriza adjunto, não complemento. Além disso, o termo pode ser retirado: "A mulher fala sempre" — frase completa. Erro: confundir adjunto adverbial com objeto indireto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"São muitos os que precisam de dinheiro."

O verbo precisar é transitivo indireto: exige complemento com a preposição de. Não se diz "precisar dinheiro" (na norma culta), apenas "precisar de dinheiro". A preposição é mero conectivo de regência, sem valor semântico próprio — não indica posse, origem ou assunto; apenas marca o objeto indireto. Retirar "de dinheiro" torna a frase agramatical: "São muitos os que precisam" — o verbo fica sem sentido. Portanto, de é parte de um complemento (objeto indireto).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Esse mundo é o grande atelier de um escultor."

Aqui, "de um escultor" é adjunto adnominal: caracteriza o substantivo atelier, indicando posse (o atelier que pertence a um escultor). O substantivo atelier não exige complemento; a preposição tem valor de posse e pode ser substituída por "do escultor" (locução adjetiva). Retirar o termo: "Esse mundo é o grande atelier" — frase completa e gramatical. Erro: confundir adjunto adnominal com complemento nominal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"O homem, nascido de mulher, deve morrer por mulher."

"de mulher" é adjunto adverbial de origem: indica a procedência do nascimento. O particípio nascido não exige complemento com de (embora possa haver regência, aqui o valor é claramente circunstancial). A preposição tem valor semântico (origem) e pode ser substituída: "nascido de mulher" ≈ "nascido de uma mulher" (origem). Retirar: "O homem, nascido, deve morrer por mulher" — gramatical, embora menos informativo. Erro: confundir adjunto adverbial com complemento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Só em fila de aeroporto eu assumo que já passei os 70 anos."

"de aeroporto" é adjunto adnominal: caracteriza o substantivo fila, indicando o tipo (fila de aeroporto, como fila de banco). O substantivo fila não exige complemento; a preposição tem valor de especificação e pode ser substituída por "aeroportuária" (adjetivo). Retirar: "Só em fila eu assumo..." — frase completa. Erro: confundir adjunto adnominal com complemento nominal.

Conclusão

A distinção entre complemento e adjunto é uma das mais cobradas em concursos, e a banca adora usar o de com valor de posse ou origem para atrair o candidato. A regra de ouro: complemento é o que a regência exige; adjunto é o que a semântica acrescenta. Teste a obrigatoriedade e o valor da preposição — se ela for substituível por outra com sentido, é adjunto; se for fixa e sem sentido próprio, é complemento.

Gabarito: letra B

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