Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FGV 2024
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Código
fg164213
Banca
FGV
Órgão
SEFAZ AM
Ano
2024
Cargo
AFCTE (Sefaz AM)
Leia com atenção a frase a seguir. Nunca houve criança tão amável que a própria mãe não ficasse satisfeita ao conseguir adormecê-la. Sobre seus termos ou significados, assinale a opção que apresenta a observação correta.
A“Nunca houveram crianças” seria a forma correta do plural do segmento inicial da frase.
BO vocábulo “própria” não é redundante na frase, indicando posse.
CA segunda oração do período mostra uma consequência do que é dito anteriormente.
D“ao conseguir” equivale a “caso consiga”.
EO pronome “la”, no final do segmento, se refere a “mãe”.
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GabaritoC — A segunda oração do período mostra uma consequência do que é dito anteriormente.
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Análise sintática e semântica da frase
Gabarito: letra C. A segunda oração do período expressa uma consequência do que foi dito anteriormente. Na frase, a estrutura "tão amável que a própria mãe não ficasse satisfeita" configura uma oração subordinada adverbial consecutiva, introduzida pela conjunção que (correlata a "tão"), que indica o efeito/resultado da qualidade expressa na oração principal. As demais alternativas apresentam erros de concordância, de referência pronominal ou de valor semântico.
O comando
A questão pede que se identifique a observação correta sobre os termos ou significados da frase. Isso envolve análise sintática (relação entre orações), morfossintaxe (concordância verbal), semântica (valor de locuções) e coesão referencial (referente de pronome). É uma questão de interpretação gramatical — não se trata de compreender o sentido global, mas de reconhecer a função e o valor de elementos específicos.
O texto
A frase é: "Nunca houve criança tão amável que a própria mãe não ficasse satisfeita ao conseguir adormecê-la." O período é composto por duas orações:
Oração principal: "Nunca houve criança tão amável" — verbo haver no sentido de existir (impessoal, sem sujeito).
Oração subordinada adverbial consecutiva: "que a própria mãe não ficasse satisfeita ao conseguir adormecê-la" — introduzida por que, correlacionada a tão, expressando a consequência da amabilidade extrema.
A relação de consequência é clássica: tão + adjetivo + que → resultado. Ex.: "Ela era tão bonita que todos a admiravam." Aqui, a mãe fica satisfeita porque a criança é tão amável — a satisfação é a consequência.
A técnica que decide
A alternativa C está correta porque identifica a relação de consequência entre as orações. A conjunção que, nesse contexto, não introduz causa, condição ou finalidade, mas sim o efeito da intensidade expressa por "tão". As demais alternativas falham por:
A) Erro de concordância: "houveram" é forma incorreta, pois o verbo haver no sentido de existir é impessoal e fica no singular.
B) "Própria" é um pronome reforçativo (ou enfático), não possessivo; não indica posse, mas enfatiza "mãe".
D) "ao conseguir" indica tempo (quando consegue), não condição (caso consiga).
E) O pronome "la" refere-se a criança, não a "mãe".
Oração subordinada adverbial consecutiva: Estrutura: tão + adjetivo + que; Valor: consequência/resultado; Ex.: "tão amável que a mãe ficasse satisfeita"; Outros valores de "ao conseguir" (Tempo (quando consegue), Condição (caso consiga)); Pronome "la" (Refere-se a "criança", Refere-se a "mãe"); Verbo "haver" (existir) (Impessoal (singular), "houveram" (plural))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que "Nunca houveram crianças" seria a forma correta do plural é falsa. O verbo haver no sentido de existir é impessoal: não tem sujeito e permanece na 3ª pessoa do singular. O correto é "Nunca houve crianças". A forma "houveram" só seria possível se "haver" fosse verbo auxiliar (ex.: "eles houveram por bem"), o que não é o caso. A alternativa extrapola uma regra de concordância que não se aplica ao contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O vocábulo "própria" não indica posse; é um pronome reforçativo (ou enfático), que serve para dar ênfase ao substantivo "mãe". Equivale a "a mãe em pessoa". Não há ideia de posse (como em "sua mãe"). A alternativa troca o conceito de pronome possessivo por reforçativo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A segunda oração "que a própria mãe não ficasse satisfeita..." expressa a consequência da qualidade atribuída à criança na oração principal. A estrutura tão... que é típica de oração subordinada adverbial consecutiva. Veja o trecho:
"Nunca houve criança tão amável que a própria mãe não ficasse satisfeita..."
O que aqui é conjunção consecutiva, correlacionada a tão. A satisfação da mãe é o resultado de a criança ser tão amável. Portanto, a observação está correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"ao conseguir" é uma locução prepositiva + infinitivo que expressa tempo (equivale a "quando consegue"), não condição ("caso consiga"). A troca alteraria o sentido: "caso consiga" indica hipótese, enquanto "ao conseguir" indica momento. A alternativa troca o valor semântico da locução.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O pronome "la" (forma de "a") refere-se a criança, não a "mãe". A frase "adormecê-la" = "adormecer a criança". O verbo adormecer é transitivo direto e o objeto é "criança". A alternativa erra o referente do pronome.
Conclusão
A única alternativa inteiramente correta é a C, pois identifica a relação de consequência entre as orações. As demais cometem erros de concordância, de classe de palavra, de valor semântico ou de referência pronominal.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de análise sintática, identifique a conjunção e a correlação (tão... que, tanto... que) para reconhecer a oração consecutiva. Desconfie de alternativas que propõem plural de verbo impessoal ou que trocam o referente de pronome.