Questão de Português — Vícios de Linguagem (Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia, etc.) — FGV 2024
Português›Vícios de Linguagem (Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia, etc.)
Código
fg164214
Banca
FGV
Órgão
SEFAZ AM
Ano
2024
Cargo
AFCTE (Sefaz AM)
Assinale a opção que indica a frase que mostra ambiguidade.
AQuem dorme como bebê não tem bebê em casa.
BUm filho é um bom credor dado ao pai pela natureza.
CCrianças são um grande conforto durante a velhice... e ainda ajudam você a chegar nesta fase mais rápido.
DAlguma coisa tem que ser feita pela humanidade sem visar lucro.
EUma sociedade que odeia seus jovens não tem futuro promissor.
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GabaritoD — Alguma coisa tem que ser feita pela humanidade sem visar lucro.
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Ambiguidade: quando a frase permite mais de uma leitura
Gabarito: letra D. A única frase que apresenta ambiguidade — possibilidade de dupla interpretação — é a D: "Alguma coisa tem que ser feita pela humanidade sem visar lucro". O trecho "sem visar lucro" pode se referir tanto a "alguma coisa" (a coisa não visa lucro) quanto a "a humanidade" (a humanidade não visa lucro ao fazer a coisa). As demais alternativas, embora algumas tenham construções curiosas, não geram esse duplo sentido.
O comando
A questão pede que você assinale a frase que mostra ambiguidade. Isso é uma tarefa de reconhecimento de vício de linguagem: você precisa identificar qual enunciado permite mais de uma interpretação plausível. Não se trata de interpretar o sentido "correto" ou o mais provável, mas de perceber que a estrutura da frase não determina um único sentido.
O que é ambiguidade?
Ambiguidade (ou anfibologia) é a possibilidade de dupla leitura de um enunciado. Ela ocorre quando a estrutura sintática ou a polissemia de uma palavra permite que o leitor entenda a frase de duas maneiras diferentes. No caso da letra D, temos uma ambiguidade estrutural: o adjunto adverbial "sem visar lucro" pode se ligar a dois termos diferentes da oração.
Veja as duas leituras possíveis da frase D:
"Alguma coisa" é o sujeito de "visar": a coisa em si não tem finalidade lucrativa.
"A humanidade" é o agente de "visar": a humanidade, ao fazer a coisa, não busca lucro.
Essa dupla possibilidade de ligação sintática é o que caracteriza a ambiguidade.
Análise das alternativas
Ambiguidade (anfibologia): Conceito (Dupla interpretação, Estrutura sintática ou polissemia); Tipos (Estrutural (adjunto liga a 2 termos), Lexical (palavra com 2 sentidos)); Como identificar (Perguntar: "permite 2 leituras?", Não confundir com ironia, Não confundir com metáfora)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Quem dorme como bebê não tem bebê em casa."
Aqui há uma comparação ("como bebê") e uma negação ("não tem bebê em casa"), mas o sentido é único: a pessoa que dorme profundamente, como um bebê, não tem um bebê de verdade em casa (porque bebês acordam à noite). Não há dupla interpretação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Um filho é um bom credor dado ao pai pela natureza."
A frase é uma metáfora: o filho é comparado a um credor (alguém que cobra). O sentido é figurado, mas único — o filho cobra do pai, metaforicamente. Não há ambiguidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Crianças são um grande conforto durante a velhice... e ainda ajudam você a chegar nesta fase mais rápido."
A frase tem um tom irônico, mas o sentido é claro: as crianças confortam na velhice e, ironicamente, também apressam a chegada dela (pelo estresse). Não há dupla leitura.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Alguma coisa tem que ser feita pela humanidade sem visar lucro."
Como explicado, o adjunto "sem visar lucro" pode modificar "alguma coisa" ou "a humanidade", gerando duas interpretações:
A coisa a ser feita não tem finalidade lucrativa.
A humanidade, ao fazer a coisa, não busca lucro.
Essa é a ambiguidade estrutural clássica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Uma sociedade que odeia seus jovens não tem futuro promissor."
A frase é uma afirmação categórica com sentido único: a sociedade que odeia os jovens não terá futuro. Não há dupla interpretação.
Conclusão
A banca testa sua capacidade de identificar o duplo sentido gerado pela estrutura da frase. A pegadinha está em confundir ambiguidade com ironia (letra C) ou com metáfora (letra B). A única que realmente permite duas leituras é a D.
PEGA ESSA DICA!
Ao procurar ambiguidade, pergunte-se: "essa frase pode ser entendida de duas maneiras diferentes?" Se sim, há ambiguidade. Se a frase tem apenas um sentido, ainda que figurado ou irônico, não é ambiguidade.