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Questão de Raciocínio Lógico — Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade — FGV 2024

Raciocínio LógicoArgumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade
Código
fg165078
Banca
FGV
Órgão
TCE RJ
Ano
2024
Cargo
Est ( )

Considere as seguintes sentenças:

 

1) Se Beto é carioca, então Sofia é mineira.

 

2) Se Solange é cearense, então Sofia não é mineira.

 

3) Solange é cearense ou Artur não é paulista.

 

4) Artur é paulista.

 

Nesse caso, é correto concluir que:

  1. ABeto é carioca e Solange não é cearense e Sofia é mineira.
  2. BBeto é carioca e Solange é cearense e Sofia não é mineira.
  3. CBeto é carioca e Solange não é cearense e Sofia não é mineira.
  4. DBeto não é carioca e Solange é cearense e Sofia não é mineira.
  5. EBeto não é carioca e Solange não é cearense e Sofia é mineira.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Beto não é carioca e Solange é cearense e Sofia não é mineira.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Argumentos Lógicos: dedução por encadeamento de condicionais

Gabarito: letra D. A partir das premissas, conclui-se que Beto não é carioca, Solange é cearense e Sofia não é mineira. A resolução parte da premissa 4 (Artur é paulista), que, combinada com a premissa 3 (Solange é cearense ou Artur não é paulista), força a conclusão de que Solange é cearense. Com isso, a premissa 2 (Se Solange é cearense, então Sofia não é mineira) garante que Sofia não é mineira. Por fim, a premissa 1 (Se Beto é carioca, então Sofia é mineira) tem consequente falso, o que obriga o antecedente a ser falso, ou seja, Beto não é carioca.

Este é um problema clássico de lógica de argumentação, em que se parte de premissas consideradas verdadeiras e se deduz uma conclusão necessária. A ferramenta central é a tabela-verdade do condicional (se... então...), que só é falsa em um único caso: quando o antecedente é verdadeiro e o consequente é falso (V → F). Em todos os outros casos — inclusive quando o antecedente é falso — a condicional é verdadeira. Essa característica é a chave para resolver a questão: se uma condicional é verdadeira e sabemos que o consequente é falso, então o antecedente não pode ser verdadeiro (pois V → F seria falso); logo, o antecedente é falso. Essa é a regra do modus tollens, que pode ser expressa como: de pqp \rightarrow q e q\sim q, conclui-se p\sim p.

Vamos aplicar isso passo a passo. Primeiro, simbolizemos as proposições:

  • BB: Beto é carioca

  • SS: Sofia é mineira

  • CC: Solange é cearense

  • AA: Artur é paulista

As premissas ficam:

  1. BSB \rightarrow S

  2. CSC \rightarrow \sim S

  3. CAC \lor \sim A

  4. AA

Passo 1: Da premissa 4, sabemos que AA é verdadeiro. Na premissa 3, temos uma disjunção inclusiva (CC ou A\sim A). Como A\sim A é falso (pois AA é verdadeiro), para a disjunção ser verdadeira, o outro termo, CC, deve ser verdadeiro. Logo, Solange é cearense.

Passo 2: Com CC verdadeiro, a premissa 2 (CSC \rightarrow \sim S) tem antecedente verdadeiro. Para a condicional ser verdadeira, o consequente S\sim S também deve ser verdadeiro. Logo, Sofia não é mineira.

Passo 3: Com S\sim S verdadeiro, a premissa 1 (BSB \rightarrow S) tem consequente falso (SS é falso). Pela regra do modus tollens, o antecedente BB deve ser falso. Logo, Beto não é carioca.

A conclusão final é: Beto não é carioca, Solange é cearense e Sofia não é mineira, exatamente o que afirma a alternativa D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a dificuldade de lidar com o condicional quando o antecedente é falso. Muitos candidatos, ao verem que "Sofia não é mineira" (consequente falso da premissa 1), concluem erroneamente que "Beto é carioca" é falso, mas não sabem justificar. A armadilha está em não aplicar o modus tollens: se a condicional é verdadeira e o consequente é falso, o antecedente não pode ser verdadeiro. Outra pegadinha comum é inverter a ordem dos passos, tentando deduzir algo sobre Beto antes de estabelecer o valor de Sofia. O caminho correto é sempre começar pela premissa mais simples (a 4) e ir encadeando as consequências.

Passo

Premissa usada

Valor conhecido

Dedução

Resultado

1

4

A = V

A = V

2

3 (C ∨ ~A)

~A = F

C ∨ F = V → C = V

C = V

3

2 (C → ~S)

C = V

V → ~S = V → ~S = V

~S = V

4

1 (B → S)

S = F

B → F = V → B = F

B = F

  1. 1Artur é paulista (premissa 4)
  2. 2Solange é cearense (disjunção)
  3. 3Sofia não é mineira (condicional)
  4. 4Beto não é carioca (modus tollens)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que "Beto é carioca e Solange não é cearense e Sofia é mineira". Erra em todos os três pontos: Beto não é carioca (modus tollens), Solange é cearense (disjunção com termo falso) e Sofia não é mineira (condicional com antecedente verdadeiro).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que "Beto é carioca e Solange é cearense e Sofia não é mineira". Acerta sobre Solange e Sofia, mas erra sobre Beto: ele não é carioca, pois se fosse, Sofia seria mineira (premissa 1), o que contradiz a conclusão de que Sofia não é mineira.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que "Beto é carioca e Solange não é cearense e Sofia não é mineira". Erra sobre Beto (não é carioca) e sobre Solange (é cearense). Apenas a parte sobre Sofia está correta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que "Beto não é carioca e Solange é cearense e Sofia não é mineira". É exatamente a conclusão deduzida: Solange é cearense (da premissa 4 + 3), Sofia não é mineira (da premissa 2) e Beto não é carioca (da premissa 1 por modus tollens).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que "Beto não é carioca e Solange não é cearense e Sofia é mineira". Acerta sobre Beto, mas erra sobre Solange (é cearense) e sobre Sofia (não é mineira).

Gabarito: letra D

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