Questão de Biologia — Conceitos de Ecologia — FGV 2025
Biologia›Conceitos de Ecologia
Código
fg165948
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Cargo
Ana
O esquema a seguir mostra uma área (C) existente entre uma Floresta Ombrófila Densa (A) e uma Floresta Estacional Semidecidual (B).
Fonte: MILAN & MORO, apud Veloso, Rangel Filho e Lima, 1991.
No esquema, a área assinalada como C corresponde a um(a):
Amata ripária; caracteriza-se por espécies de grande porte, com reduzidas taxas de crescimento e dispersão;
Becótono; apresenta elevada biodiversidade em função da presença de espécies de ambos os ecossistemas adjacentes;
Cbiocenose; formada caracteristicamente por poucas espécies endêmicas únicas, não encontradas em A ou B;
Dsucessão secundária; local onde ocorre um mosaico de espécies exóticas, resultantes do fluxo gênico entre A e B;
Eregião de borda; nela serão encontradas novas espécies, devido ao isolamento geográfico existente entre A e B.
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GabaritoB — ecótono; apresenta elevada biodiversidade em função da presença de espécies de ambos os ecossistemas adjacentes;
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Ecótono: a zona de transição entre ecossistemas
Gabarito: letra B. A área C, situada entre uma Floresta Ombrófila Densa (A) e uma Floresta Estacional Semidecidual (B), é um ecótono — a zona de transição entre duas comunidades ou ecossistemas adjacentes, que apresenta elevada biodiversidade por reunir espécies de ambos os ecossistemas. Esse é o conceito clássico de ecótono, amplamente cobrado em ecologia de comunidades.
O ecótono é uma região de transição ecológica entre dois ou mais ecossistemas ou comunidades biológicas distintas. Ele ocorre, por exemplo, na faixa de contato entre uma floresta e um campo, entre a mata atlântica e o cerrado, ou entre um ambiente aquático e um terrestre. A palavra vem do grego oikos (casa) e tonos (tensão), refletindo a ideia de uma zona de tensão ecológica, onde as condições ambientais mudam gradualmente de um lado para o outro.
A principal característica do ecótono é a elevada biodiversidade, também chamada de efeito de borda. Isso ocorre porque, na zona de transição, encontram-se espécies típicas de cada um dos ecossistemas adjacentes, além de espécies exclusivas que só ocorrem ali, adaptadas às condições intermediárias. Por isso, o ecótono costuma apresentar maior riqueza de espécies do que cada um dos ecossistemas isoladamente — é o que a alternativa B descreve corretamente.
Para entender bem a questão, é preciso distinguir o ecótono de outros conceitos ecológicos que aparecem nas alternativas:
Mata ripária (ou mata ciliar): vegetação que acompanha cursos d'água, como rios e córregos. Não é uma zona de transição entre dois biomas, mas uma formação vegetal associada à presença de água.
Biocenose: o conjunto de populações de diferentes espécies que coexistem em uma determinada área, interagindo entre si. É um conceito de comunidade biológica, não de zona de transição.
Sucessão secundária: processo de reconstituição de uma comunidade após uma perturbação (como queimada ou desmatamento), partindo de um solo já existente. Não se relaciona com a transição entre dois ecossistemas.
Região de borda: termo usado para descrever a área de contato entre um fragmento florestal e a matriz ao redor (pastagem, área urbana etc.). Embora tenha relação com o efeito de borda, não é o conceito que define a zona de transição entre dois ecossistemas naturais adjacentes.
A pegadinha da questão está em confundir ecótono com região de borda ou com sucessão secundária. O ecótono é uma zona de transição natural entre dois ecossistemas, enquanto a borda é um conceito de ecologia de paisagens, geralmente associado à fragmentação de habitats. Já a sucessão secundária é um processo temporal de recuperação, não uma área de transição espacial.
Guarde a diferença: ecótono = transição espacial entre ecossistemas; sucessão = mudança temporal na comunidade. É exatamente essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
Ecótono: Zona de transição entre ecossistemas; Efeito de borda (Espécies de ambos os lados, Espécies exclusivas, Alta biodiversidade); Confusões comuns (Mata ripária (curso d'água), Biocenose (comunidade), Sucessão secundária (mudança temporal), Região de borda (fragmentação))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A mata ripária é a vegetação que margeia cursos d'água, não uma zona de transição entre dois biomas. Além disso, a descrição de "espécies de grande porte, com reduzidas taxas de crescimento e dispersão" não é característica geral de matas ripárias, que podem apresentar espécies variadas, muitas vezes adaptadas ao solo úmido e ao regime de cheias. O erro está em associar a área C a um tipo de vegetação ribeirinha, quando o esquema mostra uma transição entre duas florestas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A área C é um ecótono, zona de transição entre a Floresta Ombrófila Densa e a Floresta Estacional Semidecidual. A elevada biodiversidade decorre da presença de espécies de ambos os ecossistemas adjacentes, além de espécies exclusivas da zona de transição. Esse é o conceito clássico de ecótono, que a alternativa descreve com precisão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Biocenose é o conjunto de populações de diferentes espécies que coexistem em uma área, interagindo entre si. Não é uma zona de transição. Além disso, a afirmação de que a biocenose é "formada caracteristicamente por poucas espécies endêmicas únicas" é incorreta: a biocenose pode ter muitas ou poucas espécies, e endemismo não é característica definidora do conceito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sucessão secundária é o processo de reconstituição de uma comunidade após uma perturbação, partindo de um solo já existente. Não é uma área de transição entre dois ecossistemas. Além disso, a alternativa fala em "mosaico de espécies exóticas, resultantes do fluxo gênico entre A e B", o que é um erro conceitual: fluxo gênico entre populações de espécies diferentes não gera espécies exóticas, e sucessão secundária não é caracterizada por espécies exóticas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Região de borda é um conceito de ecologia de paisagens, referente à área de contato entre um fragmento e a matriz circundante. Embora o ecótono possa ser considerado uma borda natural, a alternativa erra ao afirmar que "nela serão encontradas novas espécies, devido ao isolamento geográfico existente entre A e B". O isolamento geográfico não é causa de surgimento de novas espécies na borda; além disso, o ecótono não é definido por isolamento, mas por transição.