Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg167736
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Cargo
Tec
Expressão oral e escrita
Tem-se discutido muito sobre as funções essenciais da linguagem
humana e a hierarquia natural que há entre elas. É fácil observar,
por exemplo, que é pelo uso da linguagem falando oralmente ao
próximo ou mentalmente a nós mesmos, que conseguimos
organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado
e nítido; é assim que, nas crianças, a partir do momento em que,
rigorosamente, adquirem o manejo da língua dos adultos e
deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa,
surge um novo vigor de raciocínio, que não só decorre do
desenvolvimento do cérebro, mas também da circunstância de
que o indivíduo dispõe agora da língua materna, a serviço de
todo o seu trabalho de atividade mental. Se se inicia e desenvolve
o estudo metódico dos caracteres desse novo e precioso
instrumento, vai, concomitantemente, aperfeiçoando-se a
capacidade de pensar, da mesma sorte que se aperfeiçoa o
operário com o domínio e o conhecimento seguro das
ferramentas da sua profissão. (Mattoso Câmara)
Texto 2
No texto 2, a linguagem é vista como:
Ainstrumento de bem pensar;
Bferramenta de convencimento do próximo;
Cmarca da idade adulta;
Dpreparação do homem para a vida profissional;
Eprincipal veículo de comunicação social.
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GabaritoA — instrumento de bem pensar;
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A linguagem como instrumento de organização do pensamento
Gabarito: letra A. No texto 2, a linguagem é vista como instrumento de bem pensar, pois o autor afirma que é pelo uso da linguagem que conseguimos "organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido". A passagem que ancora essa leitura está logo no início do texto, quando Mattoso Câmara discorre sobre a hierarquia natural das funções da linguagem e seu papel no desenvolvimento do raciocínio.
O comando da questão é de compreensão: pede-se o que o texto afirma sobre a linguagem, ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma ideia explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. A banca não pede inferência, nem opinião do candidato — apenas a identificação do papel atribuído à linguagem pelo autor.
O texto desenvolve uma tese central: a linguagem é o instrumento que permite organizar o pensamento. Observe o trecho decisivo:
"é pelo uso da linguagem falando oralmente ao próximo ou mentalmente a nós mesmos, que conseguimos organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido"
Aqui está a prova da alternativa A. O autor não fala em convencer o próximo, nem em marcar a idade adulta, nem em preparação profissional, nem em comunicação social como papel central. Ele fala em organizar o pensamento — e é exatamente isso que a alternativa A parafraseia como "instrumento de bem pensar".
A técnica para resolver: grife o núcleo da tese (o que o autor diz que a linguagem faz) e compare com cada alternativa, perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A alternativa correta é a única que repete, com outras palavras, uma ideia que está literalmente no texto.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. O autor afirma que a linguagem serve para "organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido" — ou seja, é um instrumento para pensar bem. A expressão "bem pensar" é uma paráfrase de "organizar o pensamento" e "aperfeiçoar a capacidade de pensar". Não há nenhum acréscimo: a ideia está explícita no primeiro período do texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não menciona, em nenhum momento, a ideia de "convencimento do próximo". A linguagem é apresentada como instrumento de organização do pensamento, não como ferramenta de persuasão. A alternativa acrescenta uma função que não está no texto — é uma informação de fora, possivelmente atraente por associar linguagem a argumentação, mas ausente do texto-base.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: restrição indevida. O texto menciona que as crianças, ao adquirirem a língua dos adultos, "deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa" — mas isso é um exemplo do papel da linguagem no desenvolvimento do raciocínio, não uma definição da linguagem como "marca da idade adulta". A alternativa restringe o alcance do texto: a linguagem não é vista como marca de uma fase da vida, mas como instrumento de pensamento em qualquer idade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto faz uma comparação entre o aperfeiçoamento da capacidade de pensar e o aperfeiçoamento do operário com o domínio de suas ferramentas: "da mesma sorte que se aperfeiçoa o operário com o domínio e o conhecimento seguro das ferramentas da sua profissão". A alternativa transforma uma comparação em finalidade: o texto não diz que a linguagem serve para preparar o homem para a vida profissional — diz apenas que o domínio da língua aperfeiçoa o pensar, assim como o domínio das ferramentas aperfeiçoa o operário. É uma analogia, não um objetivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: tangenciamento. O texto não aborda a linguagem como "principal veículo de comunicação social". Embora seja uma afirmação verdadeira no mundo real, ela não está no texto. O autor foca na função de organização do pensamento, não na comunicação entre pessoas. A alternativa fala de um assunto apenas remotamente correlato — a comunicação social — que o texto não desenvolve.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com fatos verdadeiros — as alternativas B, D e E contêm ideias plausíveis sobre a linguagem (convencer, preparar profissionalmente, comunicar), mas que não estão no texto. A correta é a única que repete o que o autor realmente disse.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que soam verdadeiras no mundo real — a pergunta não é "o que é verdade sobre a linguagem?", mas "o que o TEXTO diz sobre a linguagem?". Volte sempre ao texto e confronte cada alternativa com uma passagem.
Gabarito: letra A — a única que parafraseia a tese central do texto: a linguagem como instrumento de organização e aperfeiçoamento do pensamento.