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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FGV 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
fg167738
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Cargo
Tec
Expressão oral e escrita

Tem-se discutido muito sobre as funções essenciais da linguagem humana e a hierarquia natural que há entre elas. É fácil observar, por exemplo, que é pelo uso da linguagem falando oralmente ao próximo ou mentalmente a nós mesmos, que conseguimos organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido; é assim que, nas crianças, a partir do momento em que, rigorosamente, adquirem o manejo da língua dos adultos e deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa, surge um novo vigor de raciocínio, que não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas também da circunstância de que o indivíduo dispõe agora da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho de atividade mental. Se se inicia e desenvolve o estudo metódico dos caracteres desse novo e precioso instrumento, vai, concomitantemente, aperfeiçoando-se a capacidade de pensar, da mesma sorte que se aperfeiçoa o operário com o domínio e o conhecimento seguro das ferramentas da sua profissão. (Mattoso Câmara)

Texto 2

   

“...surge um novo vigor de raciocínio, que não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas também da circunstância de que o indivíduo dispõe agora da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho de atividade mental.”

 

Nesse segmento do texto 2, o termo “agora”:

  1. Aestá mal-empregado por não se referir a nenhum termo anterior do texto;
  2. Bse refere a um momento citado anteriormente;
  3. Cse liga ao momento presente da leitura do texto;
  4. Dse prende ao momento de vida profissional;
  5. Ese conecta com a ocasião da produção do texto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — se refere a um momento citado anteriormente;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor dêitico de "agora" no texto de Mattoso Câmara

Gabarito: letra B. O advérbio "agora" se refere a um momento citado anteriormente no texto: o momento em que a criança "deixa para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa" e adquire "o manejo da língua dos adultos". A alternativa B é a única que capta essa referência interna ao texto, e não ao momento da leitura, da produção ou da vida profissional.

O comando pede que se identifique a que se refere o termo "agora" no trecho destacado. Isso é uma questão de coesão referencial e de função dêitica do advérbio. A pergunta não é sobre o sentido literal de "agora" (o momento presente), mas sobre o referente que ele retoma no texto. É preciso voltar ao texto e ver o que foi dito antes.

No trecho, o autor descreve o desenvolvimento da criança: "a partir do momento em que, rigorosamente, adquirem o manejo da língua dos adultos e deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa, surge um novo vigor de raciocínio". O "agora" do trecho destacado retoma exatamente esse "momento em que" a criança adquire a língua dos adultos. Não é o agora do leitor, nem o agora de quem escreve, mas o agora do personagem (a criança) no tempo da narrativa.

"...surge um novo vigor de raciocínio, que não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas também da circunstância de que o indivíduo dispõe agora da língua materna..."

O "agora" aponta para o momento já mencionado: a aquisição da língua materna. É uma referência anafórica (retoma algo dito antes) e, ao mesmo tempo, dêitica (aponta para uma coordenada temporal do enunciado, não do mundo exterior). A banca testa exatamente essa distinção: o "agora" não é o tempo real do leitor ou do autor, mas o tempo interno do texto.

A técnica para resolver: ao encontrar um advérbio de tempo como "agora", "hoje", "então", pergunte-se: a que momento ele se ancora? Se o texto já estabeleceu um marco temporal, o advérbio o retoma. Se não, ele pode ser dêitico (apontando para fora do texto). Aqui, o marco temporal foi estabelecido: "a partir do momento em que... adquirem o manejo da língua dos adultos".

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "agora" está mal-empregado por não se referir a nenhum termo anterior. Isso é falso: o advérbio retoma o momento da aquisição da língua, expresso na oração anterior. O erro é de contradição com o texto — o texto fornece o referente, e a alternativa nega sua existência.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, "agora" se refere ao momento citado anteriormente: a aquisição da língua materna pela criança. A passagem "a partir do momento em que... adquirem o manejo da língua dos adultos" estabelece o marco temporal que o advérbio retoma. É a única alternativa que se ancora no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "agora" se liga ao momento presente da leitura. Isso seria uma leitura dêitica exofórica (referência ao mundo exterior), mas o texto não autoriza essa leitura: o "agora" está inserido em uma narrativa sobre o desenvolvimento infantil, não em um diálogo com o leitor. O erro é de extrapolação — atribui ao advérbio uma referência externa que o texto não sustenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "agora" se prende ao momento de vida profissional. O texto fala de crianças e do desenvolvimento do raciocínio, não de vida profissional. A menção ao "operário" é uma analogia (comparação), não o referente do advérbio. O erro é de troca de referente — confunde a comparação com o elemento retomado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "agora" se conecta com a ocasião da produção do texto. Isso seria uma referência ao momento em que Mattoso Câmara escreveu, o que não ocorre. O texto é uma exposição teórica, e o "agora" está no plano da narrativa sobre a criança, não no plano da enunciação. O erro é de extrapolação — projeta o tempo do autor onde o texto não o faz.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o valor dêitico do advérbio (que aponta para o tempo do enunciado) e o valor exofórico (que apontaria para o mundo real). O candidato que não volta ao texto para achar o referente cai nas alternativas C ou E.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar um advérbio de tempo, pergunte: "que momento o texto já estabeleceu?" Se houver um marco temporal anterior, o advérbio o retoma. Só use a leitura dêitica (fora do texto) se não houver referente interno.

Gabarito: letra B. A questão ensina que a coesão referencial não se limita a pronomes: advérbios como "agora" também retomam termos e momentos do texto. A resposta mora no texto, não no mundo real.

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