Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg167746
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Cargo
Tec
Analfabetos
Hoje considera-se que há dois tipos de analfabetos. O analfabeto
específico que é o homem que não sabe ler nem escrever, e o
analfabeto funcional, que é o homem que sabe ler e escrever,
que pode até ter diversos graus de educação e que, do ponto de
vista cultural, é tão analfabeto, ou mais do que o outro; mais,
digo eu, porque perdeu a cultura popular, de experiência, de
costume tradicional etc., que o analfabeto da aldeia possui, e não
adquiriu outra. (Jorge de Sena)
Texto 4
O advérbio “Hoje” (texto 4) se refere:
Aà ocasião da discussão do tema;
Bao momento histórico do alfabeto;
Caos tempos da modernidade atual;
Dà ocasião da leitura do texto;
Eao momento da escritura do texto.
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GabaritoE — ao momento da escritura do texto.
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O valor temporal do advérbio “Hoje” no texto
Gabarito: letra E. O advérbio “Hoje” se refere ao momento da escritura do texto, ou seja, ao tempo em que o autor produz o enunciado — não ao momento em que o leitor o lê, nem a uma época vaga de “modernidade”. A pista está no próprio texto: o autor escreve “Hoje considera-se que há dois tipos de analfabetos”, e o “Hoje” marca o presente da enunciação, o agora de quem fala/escreve.
“Hoje considera-se que há dois tipos de analfabetos.”
O advérbio “Hoje” é um déitico temporal: sua referência só se completa quando sabemos quem fala e quando fala. No texto, quem fala é o autor (Jorge de Sena), e o “hoje” aponta para o tempo em que ele escreve — o momento da escritura. Não é o tempo da leitura, porque o leitor pode ler em qualquer época; não é “a ocasião da discussão do tema”, pois o texto não descreve uma discussão; não é “o momento histórico do alfabeto”, pois o texto não trata da história do alfabeto; e não é “os tempos da modernidade atual”, expressão vaga e não ancorada no texto.
A banca quer que você perceba a diferença entre tempo da enunciação (quando o autor escreve) e tempo da recepção (quando o leitor lê). O “Hoje” do texto é o agora do autor, não o seu agora. Essa distinção é clássica em questões de dêixis e de função referencial da linguagem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: fora do escopo. O texto não menciona nenhuma “ocasião da discussão do tema”. O autor não está descrevendo um debate ou uma conversa; ele está fazendo uma constatação geral sobre os tipos de analfabetos. O “Hoje” não remete a um evento de discussão, mas ao tempo em que a afirmação é feita. A alternativa tangencia o texto: parece plausível, mas não há pista que a sustente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: fora do escopo. O texto não trata da história do alfabeto. Ele fala de tipos de analfabetos (específico e funcional), não da evolução da escrita. O “Hoje” não se refere a um “momento histórico do alfabeto”, pois isso não está em nenhuma passagem. A alternativa extrapola ao introduzir um tema que o texto não aborda.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida. “Tempos da modernidade atual” é uma expressão vaga e ampla, que não corresponde ao uso específico do advérbio. O “Hoje” não aponta para uma época genérica de “modernidade”, mas para o presente do autor. A alternativa generaliza o sentido, afastando-se do contexto imediato da enunciação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito. Esta é a pegadinha clássica: confundir o tempo da escritura com o tempo da leitura. O “Hoje” não se refere ao momento em que o leitor lê o texto, pois o leitor pode ler em qualquer época. O advérbio é déitico de enunciação, não de recepção. A alternativa inverte o referente: troca o autor pelo leitor.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. O “Hoje” se refere ao momento da escritura do texto, ou seja, ao presente do autor. Isso é confirmado pela própria estrutura do texto: o autor escreve “Hoje considera-se...”, e o advérbio marca o agora da enunciação. Não há outra leitura possível: o “hoje” só pode ser o tempo em que Jorge de Sena produz o texto, pois é o único referente temporal que o contexto autoriza.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre advérbios de tempo, pergunte-se: “quem fala e quando?”. O “hoje” é um déitico: sua referência depende do contexto de enunciação. Se o texto é escrito, o “hoje” é o dia da escritura; se é uma fala, é o dia da fala. Nunca confunda com o tempo do leitor.
Conclusão: A resposta é a letra E, pois o “Hoje” é um déitico temporal que se ancora no momento da escritura do texto. As demais alternativas ou extrapolam (A, B), generalizam (C) ou trocam o referente (D). Lembre-se: o texto é a única fonte de verdade — o “hoje” do autor não é o seu hoje.