Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg167850
Banca
FGV
Órgão
CBM RJ
Ano
2025
Cargo
Of AE ( )
Considere o texto a seguir para responder a questão
Queimadas no Brasil: um dos maiores desastres ambientais do país e suas consequências
Céu acinzentado, cheiro de fumaça pelas ruas e problemas respiratórios são algumas situações que têm sido frequentes no Brasil devido ao número crescente de incêndios florestais. Em 2024, as queimadas cresceram 104% em comparação ao mesmo período de 2023, com aproximadamente 78 mil focos.
Cidades como Manaus e São Paulo registraram o pior ar para respirar no mundo após a nuvem de fumaça das queimadas tomar conta do Brasil. Cobrindo grande parte do território nacional, ela tem se espalhado não só pela América do Sul — onde outros países também têm sofrido com incêndios, como Bolívia, Paraguai e Argentina —, tendo ainda alcançado o continente africano no último mês.
https://unifor.br/-/queimadas-no-brasil-um-dos-maiores-desastres-ambientais-do-pais-e-suas-consequencias - acesso em 30/08/2025.
Pelo estilo, pelo conteúdo e pelo modo como é escrito, pode-se dizer que o texto tem como foco um destinatário
Adespreocupado com o meio ambiente, considerando o modo inquietante como inicia o texto.
Bespecialista na área, tendo em vista os dados específicos utilizados.
Catuante no combate a tragédias climáticas, pela proximidade com os efeitos desses eventos.
Dgeneralista, já que a tese desenvolvida orienta para uma conclusão apreensível a um público abrangente.
Ecom perfil jovem, uma vez que se explora no texto uma linguagem popular, com uso de gírias como “tomar conta”.
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GabaritoD — generalista, já que a tese desenvolvida orienta para uma conclusão apreensível a um público abrangente.
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Destinatário do texto sobre queimadas
Gabarito: letra D. O texto tem como foco um destinatário generalista, pois a tese desenvolvida — a gravidade e a abrangência das queimadas no Brasil — é apresentada de modo apreensível a um público amplo, sem exigir conhecimento técnico prévio. Como se lê no 1º parágrafo, o texto abre com situações cotidianas e sensoriais — "Céu acinzentado, cheiro de fumaça pelas ruas e problemas respiratórios" — que qualquer leitor comum reconhece, e não com dados ou jargões que pressuponham especialização.
O comando
A questão pede que se identifique o destinatário (o público-alvo) do texto, considerando estilo, conteúdo e modo de escrita. Isso é uma tarefa de interpretação global: não se trata de localizar uma informação explícita, mas de inferir, a partir das escolhas linguísticas e temáticas do autor, para quem ele escreve. O comando "pelo estilo, pelo conteúdo e pelo modo como é escrito" orienta o candidato a observar três dimensões: (1) o registro (formal ou informal, técnico ou acessível), (2) o tipo de informação (dados especializados ou fatos do cotidiano) e (3) a estrutura argumentativa (tese clara e compreensível).
O texto
O texto é uma notícia/reportagem de divulgação sobre as queimadas no Brasil. A tese é a de que as queimadas constituem um dos maiores desastres ambientais do país, com consequências graves e abrangentes. Os argumentos são: o crescimento de 104% dos focos em 2024 (dado quantitativo), o registro do pior ar para respirar em Manaus e São Paulo, e a propagação da fumaça para outros países da América do Sul e até para a África. O movimento argumentativo é do concreto e cotidiano para o geral: começa com experiências sensoriais comuns (céu acinzentado, cheiro de fumaça, problemas respiratórios) e amplia para dados e alcance continental. Essa progressão do particular acessível para o geral é típica de textos dirigidos ao público em geral, não a especialistas.
A técnica que decide
A chave está em distinguir texto para especialista de texto para leigo. Um texto para especialista pressupõe conhecimento prévio: usaria terminologia técnica (ex.: "biomassa", "emissões de carbono", "índice de qualidade do ar"), aprofundaria causas e mecanismos, e não precisaria explicar o básico. O texto em questão faz o oposto: explica e contextualiza o fenômeno em termos acessíveis, usando dados pontuais (78 mil focos, 104%) apenas como ilustração, não como eixo de uma análise técnica. A linguagem é clara, objetiva e impessoal, própria da função referencial, mas sem densidade técnica. O destinatário é, portanto, o leitor generalista — aquele que precisa ser informado e sensibilizado sobre um problema que o afeta diretamente, mas que não domina o assunto.
Destinatário do texto
1Generalista (gabarito)
Tese apreensível a público amplo
Começa com experiências cotidianas
Dados pontuais, sem aprofundamento técnico
2Especialista (errado)
Pressuporia conhecimento prévio
Usaria terminologia técnica
3Atuante no combate (errado)
Texto não faz apelo à ação
4Jovem (errado)
"Tomar conta" não é gíria
Registro formal e impessoal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o destinatário é "despreocupado com o meio ambiente, considerando o modo inquietante como inicia o texto". Há aqui uma contradição lógica: se o texto inicia de modo "inquietante" (céu acinzentado, cheiro de fumaça, problemas respiratórios), é porque busca despertar a preocupação do leitor, não porque parte do pressuposto de que ele já é despreocupado. O texto não caracteriza o destinatário como despreocupado; ao contrário, constrói um apelo à percepção do problema. Além disso, a alternativa extrapola ao atribuir ao texto uma intenção de "inquietar" que não está explicitamente declarada — o modo como inicia é descritivo, não necessariamente "inquietante" como juízo do autor.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o destinatário é "especialista na área, tendo em vista os dados específicos utilizados". O texto usa dados (104%, 78 mil focos), mas isso não o torna um texto para especialistas. Os dados são pontuais e ilustrativos, apresentados de forma simples e contextualizada, sem análise técnica aprofundada. Um texto para especialista pressuporia conhecimento prévio e usaria os dados como base de uma discussão técnica (causas, mecanismos, soluções). Aqui, os números servem apenas para dimensionar o problema para o leitor comum. A alternativa restringe o alcance do texto ao supervalorizar um único elemento (os dados) e ignorar o conjunto de escolhas acessíveis.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o destinatário é "atuante no combate a tragédias climáticas, pela proximidade com os efeitos desses eventos". O texto menciona os efeitos (problemas respiratórios, pior ar para respirar), mas isso não implica que o destinatário seja um agente ativo no combate a tragédias. A alternativa extrapola: o texto informa e sensibiliza, mas não pressupõe nem exige que o leitor seja um ativista ou profissional da área. A "proximidade com os efeitos" é algo que o texto constrói (ao descrever situações cotidianas), não uma característica prévia do destinatário. Além disso, o texto não faz apelo à ação (não diz "participe", "mobilize-se"), o que seria esperado se o destinatário fosse um atuante.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o destinatário é "generalista, já que a tese desenvolvida orienta para uma conclusão apreensível a um público abrangente". Isso é exatamente o que o texto faz. A tese — as queimadas são um grave desastre ambiental com consequências amplas — é apresentada de forma acessível: começa com experiências sensoriais comuns ("Céu acinzentado, cheiro de fumaça pelas ruas e problemas respiratórios"), usa dados pontuais sem aprofundamento técnico, e explica o alcance do problema em termos geográficos simples ("não só pela América do Sul... tendo ainda alcançado o continente africano"). A conclusão é apreensível a qualquer leitor, independentemente de formação específica. O texto cumpre uma função informativa e de conscientização dirigida ao público em geral, não a um nicho especializado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o destinatário tem "perfil jovem, uma vez que se explora no texto uma linguagem popular, com uso de gírias como 'tomar conta'". Há dois erros aqui. Primeiro, "tomar conta" não é gíria — é uma expressão coloquial da língua padrão, usada em contextos formais e informais. Segundo, o texto não usa linguagem popular ou gírias: o registro é formal e impessoal, típico de texto jornalístico. A alternativa troca o conceito de "linguagem popular" por "linguagem acessível" e, a partir dessa confusão, infere um destinatário jovem que o texto não sustenta. O texto é acessível a todos, não especificamente a jovens.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o destinatário, pergunte: "o texto pressupõe conhecimento prévio ou constrói o conhecimento para o leitor?" Se ele explica e contextualiza, o destinatário é generalista. Se ele usa jargão sem explicação, é especialista.