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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsSintaxe
Código
gp001379
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-JUD
Ano
2026
Cargo
Analista - Especialidade: Administração, Governança e Planejamento

        O crescimento das casas de apostas online no Brasil impacta diretamente o consumo e a renda das famílias brasileiras. A facilidade de acesso e a promessa de ganhos rápidos atraem um número crescente de brasileiros, que, de acordo com um levantamento de uma instituição bancária, já gastaram cerca de 68 bilhões em jogos virtuais. Na mesma pesquisa, estima-se que 0,22% do PIB tenha sido destinado a apostas online nos últimos 12 meses. Esse avanço demonstra que, à medida que as bets disputam espaços com outras formas de consumo, a renda disponível para educação, saúde e lazer torna-se cada vez mais comprimida.

        Os impactos são mais sentidos nas classes sociais mais desfavorecidas. O tipo de jogo conhecido como bet, acessível por aparelhos celulares, tem seu nicho de exploração entre os mais pobres, pela facilidade de acesso e ausência de empecilhos legais e burocráticos de controle. Esse apostador contumaz, geralmente das classes mais desfavorecidas, tende a encarar a aposta como investimento e acredita que, "investindo" pouco dinheiro, pode multiplicá-lo. Quando essa perspectiva se associa a um comportamento compulsivo, ela se torna a fórmula perfeita para o vício e o comprometimento da renda familiar.

        Esse cenário afeta não apenas a situação financeira das famílias, mas também a saúde mental dos envolvidos. O ciclo vicioso de apostas pode levar ao desenvolvimento de sintomas de ansiedade, frustração e desesperança, à medida que as perdas se acumulam e as promessas de ganhos nunca se concretizam. De acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva, 51% dos brasileiros que apostam sentem aumento de sintomas de ansiedade. Além disso, a pesquisa revela que 42% desse público usa esse vício como uma fuga ilusória das dificuldades cotidianas, mas, ao invés de aliviar o estresse, aprofunda-o com sensações de impotência e isolamento.


Internet: <www.uff.br> (com adaptações). 

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.Na oração "A facilidade de acesso e a promessa de ganhosrápidos atraem um número crescente de brasileiros"(primeiro parágrafo), não haveria prejuízo da correçãogramatical se o verbo fosse flexionado na terceira pessoa dosingular, pois, nesse caso, como o sujeito é composto, aconcordância pode ser feita com o núcleo do sujeito maispróximo, de acordo com a norma padrão.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal com sujeito composto

Gabarito: Errado (E). A afirmação de que, na oração citada, o verbo poderia ser flexionado na terceira pessoa do singular sem prejuízo gramatical é falsa. A regra da norma padrão para sujeito composto anteposto ao verbo exige a flexão no plural; a concordância com o núcleo mais próximo só é admitida em situações específicas (verbo posposto, gradação, sinônimos etc.), que não se aplicam ao caso.

Análise do texto

A oração em questão é:

“A facilidade de acesso e a promessa de ganhos rápidos atraem um número crescente de brasileiros”

O sujeito é composto por dois núcleos: “facilidade” e “promessa”, ligados pela conjunção “e”. O verbo “atraem” está na 3ª pessoa do plural, concordando normalmente com o sujeito plural. A banca sugere que, por ser composto, o verbo poderia ficar no singular (atrai) concordando apenas com o núcleo mais próximo (“promessa”).

Regra de concordância

Na gramática normativa do português, quando o sujeito composto antecede o verbo (sujeito preposicionado), a concordância obrigatória é no plural. Não há faculdade de concordar com o núcleo mais próximo nessa posição. As exceções que permitem o singular ocorrem apenas em contextos específicos:

  • Verbo posposto (sujeito depois do verbo): “Ontem apareceu um cachorro e um gato.”

  • Núcleos sinônimos ou em gradação: “Fé e esperança enchia/enchiam o coração.”

  • Núcleos ligados por “ou” com exclusão: “João ou Maria ganhará o prêmio.”

Nenhuma dessas exceções se verifica na frase do texto: o sujeito está antes do verbo, os núcleos não são sinônimos nem estão em gradação, e a conjunção é “e” (adição). Portanto, o plural é a única forma correta.

Concordância verbal com sujeito composto
  • 1Sujeito anteposto ao verbo
    • Plural obrigatório
    • Singular é erro
  • 2Exceções que permitem singular
    • Verbo posposto
    • Núcleos sinônimos ou em gradação
    • Núcleos ligados por "ou" (exclusão)
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PEGA ESSA DICA!

No sujeito composto preposicionado, o verbo sempre vai para o plural, salvo nos casos excepcionais listados. Quando o verbo vem antes, aí sim a língua culta admite a concordância atrativa (com o núcleo mais próximo).

Conclusão

O item está errado porque afirma que “não haveria prejuízo da correção gramatical” se o verbo fosse flexionado no singular, quando, na verdade, haveria desrespeito à norma padrão. A justificativa apresentada (concordância com o núcleo mais próximo) não se aplica ao caso.

Gabarito: Errado (E).

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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