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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001382
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-JUD
Ano
2026
Cargo
Analista - Especialidade: Administração, Governança e Planejamento

        O crescimento das casas de apostas online no Brasil impacta diretamente o consumo e a renda das famílias brasileiras. A facilidade de acesso e a promessa de ganhos rápidos atraem um número crescente de brasileiros, que, de acordo com um levantamento de uma instituição bancária, já gastaram cerca de 68 bilhões em jogos virtuais. Na mesma pesquisa, estima-se que 0,22% do PIB tenha sido destinado a apostas online nos últimos 12 meses. Esse avanço demonstra que, à medida que as bets disputam espaços com outras formas de consumo, a renda disponível para educação, saúde e lazer torna-se cada vez mais comprimida.

        Os impactos são mais sentidos nas classes sociais mais desfavorecidas. O tipo de jogo conhecido como bet, acessível por aparelhos celulares, tem seu nicho de exploração entre os mais pobres, pela facilidade de acesso e ausência de empecilhos legais e burocráticos de controle. Esse apostador contumaz, geralmente das classes mais desfavorecidas, tende a encarar a aposta como investimento e acredita que, "investindo" pouco dinheiro, pode multiplicá-lo. Quando essa perspectiva se associa a um comportamento compulsivo, ela se torna a fórmula perfeita para o vício e o comprometimento da renda familiar.

        Esse cenário afeta não apenas a situação financeira das famílias, mas também a saúde mental dos envolvidos. O ciclo vicioso de apostas pode levar ao desenvolvimento de sintomas de ansiedade, frustração e desesperança, à medida que as perdas se acumulam e as promessas de ganhos nunca se concretizam. De acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva, 51% dos brasileiros que apostam sentem aumento de sintomas de ansiedade. Além disso, a pesquisa revela que 42% desse público usa esse vício como uma fuga ilusória das dificuldades cotidianas, mas, ao invés de aliviar o estresse, aprofunda-o com sensações de impotência e isolamento.


Internet: <www.uff.br> (com adaptações). 

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.O pronome "o", em "aprofunda-o com sensações deimpotência e isolamento" (final do último parágrafo), retomao substantivo "vício".
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial do pronome "o" em "aprofunda-o"

Gabarito: ERRADO (letra E). O pronome oblíquo "o" em "aprofunda-o" retoma o substantivo "estresse", e não "vício", como demonstra a estrutura do período no último parágrafo do texto.


A passagem decisiva

O texto afirma:

"42% desse público usa esse vício como uma fuga ilusória das dificuldades cotidianas, mas, ao invés de aliviar o estresse, aprofunda-o com sensações de impotência e isolamento."

Observe a oração: "ao invés de aliviar o estresse, aprofunda-o". O verbo "aliviar" tem como objeto direto "o estresse". O pronome "o" substitui esse mesmo objeto no verbo "aprofundar". A estrutura paralela (aliviar X / aprofundar X) deixa claro que o referente é "o estresse".

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato fazendo-o associar o pronome ao substantivo mais comentado no período anterior ("vício"), mas a coesão referencial aponta para o termo que está imediatamente antes do pronome e que é retomado sintaticamente como objeto do verbo.


Análise detalhada

  • A afirmação do item: "O pronome 'o' ... retoma o substantivo 'vício'."

  • O que o texto mostra: a expressão "esse vício" aparece antes, mas o pronome "o" está ligado a "estresse" por duas razões:

    1. Paralelismo sintático: "aliviar o estresse" (verbo + artigo + substantivo) → "aprofunda-o" (verbo + pronome equivalente a "o estresse").

    2. Proximidade e coesão: O termo "estresse" é o núcleo do objeto do gerúndio "aliviar", e o pronome o substitui no lugar de "aprofundar".

  • Se o pronome retomasse "vício", a frase seria incoerente: "ao invés de aliviar o estresse, aprofunda-o (o vício)" — isso criaria um contrassenso, pois o vício é o meio, não o que se aprofunda. O que se aprofunda é o estresse.


Conclusão

O item está ERRADO, pois o pronome "o" em "aprofunda-o" refere-se a "estresse", e não a "vício".

Gabarito: letra E (Errado).

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