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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001387
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-JUD
Ano
2026
Cargo
Analista - Especialidade: Administração, Governança e Planejamento

        O agrupamento das pessoas em classes sociais não é, ao contrário do que alguns pensam, "apenas uma decisão técnica como outra qualquer". Como tudo no estudo da desigualdade, esse agrupamento reflete decisões políticas, ainda que elas não sejam explícitas. E não é sem razão: a escolha da identificação de classes de uma forma específica tem implicações concretas. O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas.

        Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples: identifique pobres como uma classe; considere que quase todo mundo queira erradicar a pobreza; que quase todo mundo queira saber melhor o que é preciso para tanto; defina como pobre 0,1% da população; nesse caso, que medida erradicaria a pobreza? Caridade privada seria suficiente; agora defina como pobre 99,9% da população. A medida recomendada seria uma revolução.

        Conclui-se desse exercício que a forma como pesquisas dividem a sociedade em classes tem implicações práticas, pois pesquisa em desigualdade é usada para definir políticas. Quando se coloca uma pessoa numa classe, a tendência é que essa pessoa passe a ser vista como todas as demais pessoas que estão naquela classe e, em alguns casos, passe a ser tratada do mesmo modo pelas políticas.

        Qual é a diferença substantiva entre uma pessoa um centavo abaixo da linha de renda que define os benefícios de assistência social e outra um centavo acima? Em renda, irrelevante, mas a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas. Elas passam ou não pelo buraco da agulha dos critérios de elegibilidade de programas sociais. Alguns programas chegam a ser desenhados com base em classes, por isso o assunto não é apenas um detalhe acadêmico.


Marcelo Medeiros. Os ricos e os pobres. São Paulo: Companhia das Letras, 2023 

(com adaptações). 

Julgue o item a seguir, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.No trecho "Elas passam ou não pelo buraco da agulha doscritérios de elegibilidade de programas sociais" (últimoparágrafo), o autor do texto faz referência à rigidez e àestreiteza dos critérios de acesso a programas sociais.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Metáfora "buraco da agulha" e a rigidez dos critérios de elegibilidade

Gabarito: CERTO (C).CERTO. A expressão "buraco da agulha" é uma metáfora que, no contexto, transmite a ideia de rigidez e estreiteza dos critérios de acesso a programas sociais. O próprio texto, no parágrafo anterior, afirma que "a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas", e a imagem do "buraco da agulha" reforça a dificuldade de passar por esses critérios, como se fossem um obstáculo estreito e rígido.

Análise do trecho

O trecho citado está no último parágrafo: "Elas passam ou não pelo buraco da agulha dos critérios de elegibilidade de programas sociais". A palavra "buraco" já sugere uma abertura pequena, e "da agulha" intensifica a ideia de algo muito estreito, por onde é difícil passar. No contexto, "passar pelo buraco da agulha" significa conseguir atender a todos os requisitos rígidos que definem quem é elegível ou não para receber benefícios sociais.

Essa interpretação é corroborada pelo trecho anterior: "a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas". Ou seja, a metáfora não é meramente decorativa; ela expressa a dificuldade e a seletividade impostas pelos critérios, que podem excluir pessoas que estão um centavo acima da linha de renda, como o texto menciona.

Por que as demais interpretações falham

  • Interpretação literal: Se alguém lesse "buraco da agulha" apenas como um objeto físico, perderia o sentido figurado. O texto não fala de costura, mas de critérios de acesso.

  • Interpretação como facilidade: A imagem de um buraco de agulha não sugere facilidade, mas sim dificuldade — é algo por onde é difícil passar. Portanto, a ideia de rigidez e estreiteza é a mais adequada.

Conclusão

A afirmação do item está correta, pois a metáfora "buraco da agulha" é usada para enfatizar a rigidez e a estreiteza dos critérios de elegibilidade, que funcionam como um filtro seletivo e difícil de atravessar. O texto deixa claro que essa classificação tem consequências práticas na vida das pessoas, o que reforça a interpretação.

Gabarito: letra C (CERTO).

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