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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001390
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-JUD
Ano
2026
Cargo
Analista - Especialidade: Administração, Governança e Planejamento

        O agrupamento das pessoas em classes sociais não é, ao contrário do que alguns pensam, "apenas uma decisão técnica como outra qualquer". Como tudo no estudo da desigualdade, esse agrupamento reflete decisões políticas, ainda que elas não sejam explícitas. E não é sem razão: a escolha da identificação de classes de uma forma específica tem implicações concretas. O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas.

        Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples: identifique pobres como uma classe; considere que quase todo mundo queira erradicar a pobreza; que quase todo mundo queira saber melhor o que é preciso para tanto; defina como pobre 0,1% da população; nesse caso, que medida erradicaria a pobreza? Caridade privada seria suficiente; agora defina como pobre 99,9% da população. A medida recomendada seria uma revolução.

        Conclui-se desse exercício que a forma como pesquisas dividem a sociedade em classes tem implicações práticas, pois pesquisa em desigualdade é usada para definir políticas. Quando se coloca uma pessoa numa classe, a tendência é que essa pessoa passe a ser vista como todas as demais pessoas que estão naquela classe e, em alguns casos, passe a ser tratada do mesmo modo pelas políticas.

        Qual é a diferença substantiva entre uma pessoa um centavo abaixo da linha de renda que define os benefícios de assistência social e outra um centavo acima? Em renda, irrelevante, mas a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas. Elas passam ou não pelo buraco da agulha dos critérios de elegibilidade de programas sociais. Alguns programas chegam a ser desenhados com base em classes, por isso o assunto não é apenas um detalhe acadêmico.


Marcelo Medeiros. Os ricos e os pobres. São Paulo: Companhia das Letras, 2023 

(com adaptações). 

Julgue o item a seguir, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.No período "O problema não está apenas na terminologiausada, está também na forma como as classes são definidas."(final do primeiro parágrafo), a substituição da segundaocorrência da forma verbal "está" por mas alteraria o sentidoestabelecido na coordenação das duas primeiras orações — osentido de adição passaria a oposição.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "está" por "mas" — Gabarito: ERRADO (E)

❌ ERRADO. A substituição da segunda ocorrência de "está" por "mas" não alteraria o sentido de adição para oposição, pois a relação entre as duas orações já é de oposição no texto original. O período "O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas" expressa uma ressalva: o problema não se limita à terminologia, mas também reside na definição. A conjunção "mas" apenas explicitaria essa oposição que já está implícita, sem mudar o sentido.

Análise do período

"O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas."

A estrutura é composta por duas orações coordenadas:

  1. O problema não está apenas na terminologia usada — negação parcial ("não apenas").

  2. está também na forma como as classes são definidas — afirmação que contrasta com a primeira.

A palavra "também" poderia sugerir adição, mas o "não apenas" da primeira oração já instaura uma oposição/ressalva: o que se afirma na segunda oração contrasta com a limitação expressa na primeira. Em outras palavras, o sentido é: "não é só isso, mas também aquilo".

O papel de "mas"

A conjunção "mas" é adversativa e introduz oposição/contraste. No período original, a oposição já existe semanticamente, ainda que não esteja marcada por conectivo explícito. Ao substituir "está" por "mas", teríamos:

"O problema não está apenas na terminologia usada, mas também na forma como as classes são definidas."

Essa reescrita é gramaticalmente correta e preserva o sentido original — apenas torna explícita a relação de oposição que já estava implícita. Portanto, a afirmação do item de que "o sentido de adição passaria a oposição" é falsa, pois o sentido já era de oposição.

Conclusão

Como a banca pediu para julgar a afirmação, e ela está incorreta, o gabarito é ERRADO (E).

Relação entre as orações
  • 1Original: "não apenas... também"
    • Oposição/ressalva implícita
  • 2Com "mas": "não apenas... mas também"
    • Oposição explícita
  • 3Sentido
    • Não muda (já era oposição)
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PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, verifique se a relação semântica já está presente no texto original. Conectivos como "mas", "porém", "contudo" apenas explicitam uma oposição que pode estar implícita em estruturas como "não apenas... mas também".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre adição (marcada por "e", "também") e oposição (marcada por "mas"). No trecho, o "também" não indica adição pura, pois o "não apenas" já estabelece contraste.

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