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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001391
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-JUD
Ano
2026
Cargo
Analista - Especialidade: Administração, Governança e Planejamento

        O agrupamento das pessoas em classes sociais não é, ao contrário do que alguns pensam, "apenas uma decisão técnica como outra qualquer". Como tudo no estudo da desigualdade, esse agrupamento reflete decisões políticas, ainda que elas não sejam explícitas. E não é sem razão: a escolha da identificação de classes de uma forma específica tem implicações concretas. O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas.

        Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples: identifique pobres como uma classe; considere que quase todo mundo queira erradicar a pobreza; que quase todo mundo queira saber melhor o que é preciso para tanto; defina como pobre 0,1% da população; nesse caso, que medida erradicaria a pobreza? Caridade privada seria suficiente; agora defina como pobre 99,9% da população. A medida recomendada seria uma revolução.

        Conclui-se desse exercício que a forma como pesquisas dividem a sociedade em classes tem implicações práticas, pois pesquisa em desigualdade é usada para definir políticas. Quando se coloca uma pessoa numa classe, a tendência é que essa pessoa passe a ser vista como todas as demais pessoas que estão naquela classe e, em alguns casos, passe a ser tratada do mesmo modo pelas políticas.

        Qual é a diferença substantiva entre uma pessoa um centavo abaixo da linha de renda que define os benefícios de assistência social e outra um centavo acima? Em renda, irrelevante, mas a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas. Elas passam ou não pelo buraco da agulha dos critérios de elegibilidade de programas sociais. Alguns programas chegam a ser desenhados com base em classes, por isso o assunto não é apenas um detalhe acadêmico.


Marcelo Medeiros. Os ricos e os pobres. São Paulo: Companhia das Letras, 2023 

(com adaptações). 

Julgue o item a seguir, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.O pronome "isso" (primeiro período do segundo parágrafo)retoma o vocábulo "terminologia" (último período doprimeiro parágrafo).
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o referente do pronome "isso"

Gabarito: E (ERRADO). O item afirma que o pronome "isso" (primeiro período do segundo parágrafo) retoma o vocábulo "terminologia" (último período do primeiro parágrafo), mas isso não ocorre. O pronome "isso" retoma, na verdade, a ideia de que "a escolha da identificação de classes de uma forma específica tem implicações concretas" — ou, mais precisamente, o fato de que o agrupamento em classes reflete decisões políticas. A banca tenta confundir o candidato ao apontar um referente próximo, mas o texto mostra que o pronome se ancora em uma oração anterior, não em um substantivo isolado.

A chave de resolução

O comando pede que se julgue a afirmação sobre o referente do pronome. Isso é uma questão de coesão referencial: identificar a que termo ou ideia um pronome remete. Para resolver, é preciso voltar ao texto e ver o que "isso" substitui.

No segundo parágrafo, lê-se:

"Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples: identifique pobres como uma classe..."

O que o leitor precisa entender? O parágrafo anterior afirma que o agrupamento em classes reflete decisões políticas e que a escolha da identificação de classes tem implicações concretas. O pronome "isso" resume essa ideia — não o simples vocábulo "terminologia".

Observe o trecho do primeiro parágrafo:

"O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas."

Aqui, "terminologia" é apenas um dos aspectos do problema. O autor diz que o problema não está apenas na terminologia, mas também na definição. Portanto, "isso" não pode retomar apenas "terminologia", pois o texto amplia o problema para além dela.

Por que a alternativa está errada

A alternativa comete o erro de trocar o referente: aponta um substantivo próximo ("terminologia") como se fosse o antecedente, mas o pronome "isso" retoma uma oração inteira — a ideia de que a classificação em classes tem implicações práticas e políticas. Isso é típico de coesão referencial: pronomes demonstrativos como "isso" frequentemente retomam ideias ou orações, não apenas palavras isoladas.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

❌ ERRADO. O item está errado porque o pronome "isso" não retoma "terminologia". Ele retoma a ideia expressa no primeiro parágrafo de que a escolha da identificação de classes tem implicações concretas (e reflete decisões políticas). A prova está no próprio texto: o autor diz que "o problema não está apenas na terminologia", ou seja, o problema é mais amplo. Portanto, "isso" não pode se referir a um termo que o próprio texto relativiza.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome, pergunte: "o que exatamente o pronome substitui?" Se for uma ideia, ele retoma uma oração; se for um substantivo, retoma a palavra. Aqui, "isso" retoma a ideia de que a classificação tem implicações — não a palavra "terminologia".

Gabarito: letra E.

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