Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsCrase
Código
gp001404
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-JUD
Ano
2026
Cargo
Advogado

        O crescimento das casas de apostas online no Brasil impacta diretamente o consumo e a renda das famílias brasileiras. A facilidade de acesso e a promessa de ganhos rápidos atraem um número crescente de brasileiros, que, de acordo com um levantamento de uma instituição bancária, já gastaram cerca de 68 bilhões em jogos virtuais. Na mesma pesquisa, estima-se que 0,22% do PIB tenha sido destinado a apostas online nos últimos 12 meses. Esse avanço demonstra que, à medida que as bets disputam espaços com outras formas de consumo, a renda disponível para educação, saúde e lazer torna-se cada vez mais comprimida.

        Os impactos são mais sentidos nas classes sociais mais desfavorecidas. O tipo de jogo conhecido como bet, acessível por aparelhos celulares, tem seu nicho de exploração entre os mais pobres, pela facilidade de acesso e ausência de empecilhos legais e burocráticos de controle. Esse apostador contumaz, geralmente das classes mais desfavorecidas, tende a encarar a aposta como investimento e acredita que, "investindo" pouco dinheiro, pode multiplicá-lo. Quando essa perspectiva se associa a um comportamento compulsivo, ela se torna a fórmula perfeita para o vício e o comprometimento da renda familiar.

        Esse cenário afeta não apenas a situação financeira das famílias, mas também a saúde mental dos envolvidos. O ciclo vicioso de apostas pode levar ao desenvolvimento de sintomas de ansiedade, frustração e desesperança, à medida que as perdas se acumulam e as promessas de ganhos nunca se concretizam. De acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva, 51% dos brasileiros que apostam sentem aumento de sintomas de ansiedade. Além disso, a pesquisa revela que 42% desse público usa esse vício como uma fuga ilusória das dificuldades cotidianas, mas, ao invés de aliviar o estresse, aprofunda-o com sensações de impotência e isolamento.


Internet: <www.uff.br> (com adaptações). 

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir. 


O trecho "O ciclo vicioso de apostas pode levar ao desenvolvimento de sintomas de ansiedade, frustração e desesperança" (último parágrafo) poderia ser reescrito, preservadas a correção gramatical e a coerência textual, da seguinte forma: O ciclo vicioso de apostas pode levar à sintomas de ansiedade, frustração e desesperança. 

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita do período sobre o ciclo vicioso de apostas

Gabarito: Errado. A reescrita proposta insere crase antes de "sintomas", que é palavra masculina, o que constitui erro gramatical. A forma original "ao desenvolvimento" está correta (preposição a + artigo o), mas a substituição por "à sintomas" é incorreta, pois não se emprega crase diante de palavras masculinas.

Análise do item

O trecho original:

"O ciclo vicioso de apostas pode levar ao desenvolvimento de sintomas de ansiedade, frustração e desesperança"

A reescrita proposta:

"O ciclo vicioso de apostas pode levar à sintomas de ansiedade, frustração e desesperança"

A crase (à) é a fusão da preposição a com o artigo feminino a. Só ocorre antes de palavras femininas (e em algumas situações específicas, como locuções). Já "sintomas" é um substantivo masculino plural; portanto, o elemento que acompanha o verbo levar a (que rege preposição a) deve ser apenas a preposição a, sem artigo. A forma correta seria "a sintomas" (sem acento indicador de crase).

PEGA ESSA DICA!

Sempre identifique o gênero do substantivo depois do a. Se for masculino, não pode haver crase. Pergunte: é possível trocar por um termo masculino? Se sim, e o a se mantiver como apenas preposição, está correto; se vier com artigo "o" (ao), o original teria crase no feminino.

Conclusão

O item está errado porque a reescrita viola a regra de crase. A banca exigiu o conhecimento da regra básica: crase antes de palavra masculina é inadmissível.

Gabarito: Errado (alternativa E).

PEGA ESSA DICA!

Cara a cara não tem crase, isto é fácil de guardar; com palavra repetida não se deve 'crasear'

Em expressões com palavra feminina repetida (cara a cara, gota a gota, frente a frente, dia a dia) NÃO se usa crase.

— Crase — palavras repetidas

Link permanente: /questoes/gp001404