Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsSintaxe
Código
gp001410
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-JUD
Ano
2026
Cargo
Advogado

        O agrupamento das pessoas em classes sociais não é, ao contrário do que alguns pensam, "apenas uma decisão técnica como outra qualquer". Como tudo no estudo da desigualdade, esse agrupamento reflete decisões políticas, ainda que elas não sejam explícitas. E não é sem razão: a escolha da identificação de classes de uma forma específica tem implicações concretas. O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas.

        Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples: identifique pobres como uma classe; considere que quase todo mundo queira erradicar a pobreza; que quase todo mundo queira saber melhor o que é preciso para tanto; defina como pobre 0,1% da população; nesse caso, que medida erradicaria a pobreza? Caridade privada seria suficiente; agora defina como pobre 99,9% da população. A medida recomendada seria uma revolução.

        Conclui-se desse exercício que a forma como pesquisas dividem a sociedade em classes tem implicações práticas, pois pesquisa em desigualdade é usada para definir políticas. Quando se coloca uma pessoa numa classe, a tendência é que essa pessoa passe a ser vista como todas as demais pessoas que estão naquela classe e, em alguns casos, passe a ser tratada do mesmo modo pelas políticas.

        Qual é a diferença substantiva entre uma pessoa um centavo abaixo da linha de renda que define os benefícios de assistência social e outra um centavo acima? Em renda, irrelevante, mas a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas. Elas passam ou não pelo buraco da agulha dos critérios de elegibilidade de programas sociais. Alguns programas chegam a ser desenhados com base em classes, por isso o assunto não é apenas um detalhe acadêmico.


Marcelo Medeiros. Os ricos e os pobres. São Paulo: Companhia das Letras, 2023 

(com adaptações). 

Julgue o item a seguir, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.


No trecho "esse agrupamento reflete decisões políticas, ainda que elas não sejam explícitas" (primeiro parágrafo), a substituição de "ainda que" por conquanto manteria as relações sintáticas e semânticas estabelecidas originalmente.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "ainda que" por "conquanto": equivalência semântica e sintática

Gabarito: C — CERTO. A substituição de "ainda que" por "conquanto" mantém as relações sintáticas e semânticas do trecho, pois ambas as conjunções são concessivas e introduzem uma oração subordinada adverbial concessiva. No texto, lê-se: "esse agrupamento reflete decisões políticas, ainda que elas não sejam explícitas" — a ideia é de concessão: admite-se um fato contrário (as decisões não serem explícitas) sem que isso anule a afirmação principal (o agrupamento reflete decisões políticas). "Conquanto" é sinônimo perfeito de "ainda que" nesse contexto, preservando tanto a relação de sentido quanto a estrutura sintática (oração subordinada com verbo no subjuntivo).

A chave da questão

O comando pede que se julgue se a troca de conectivos preserva as relações sintáticas e semânticas. Isso exige duas verificações:

  1. Semântica: o conectivo original e o substituto devem expressar a mesma relação lógica (causa, concessão, condição, etc.).

  2. Sintaxe: ambos devem introduzir o mesmo tipo de oração (subordinada adverbial, coordenada, etc.) e exigir o mesmo modo verbal.

No trecho, "ainda que" é uma conjunção concessiva — indica um fato que se admite, mas que não impede a realização do fato principal. "Conquanto" também é concessiva e, igualmente, rege o subjuntivo ("não sejam"). Portanto, a troca é perfeita: mantém o sentido de concessão e a estrutura de oração subordinada adverbial concessiva.

Por que as demais relações não se alteram

  • Relação sintática: tanto "ainda que" quanto "conquanto" introduzem uma oração subordinada adverbial concessiva, que funciona como adjunto adverbial da oração principal. A estrutura "reflete decisões políticas, [oração concessiva]" permanece idêntica.

  • Relação semântica: a concessão expressa uma quebra de expectativa — o agrupamento reflete decisões políticas apesar de elas não serem explícitas. "Conquanto" carrega exatamente esse mesmo valor.

  • Modo verbal: ambas as conjunções exigem o subjuntivo ("sejam"), o que mantém a correção gramatical.

Conclusão

A substituição é válida e preserva integralmente as relações sintáticas e semânticas do trecho. Não há qualquer alteração de sentido ou de estrutura. Portanto, o item está CERTO.

1"ainda que"
Oração subordinada adverbial concessiva
Exige subjuntivo
2"conquanto"
Oração subordinada adverbial concessiva
Exige subjuntivo
3Efeito
Quebra de expectativa
Mantém sentido e estrutura
Conjunções concessivas
LEVELsoulevel.com.br
Conjunções concessivas: "ainda que" (Oração subordinada adverbial concessiva, Exige subjuntivo); "conquanto" (Oração subordinada adverbial concessiva, Exige subjuntivo); Efeito (Quebra de expectativa, Mantém sentido e estrutura)

Gabarito: letra C (CERTO).

Link permanente: /questoes/gp001410