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Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsPontuação
Código
gp001414
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-JUD
Ano
2026
Cargo
Advogado

        O agrupamento das pessoas em classes sociais não é, ao contrário do que alguns pensam, "apenas uma decisão técnica como outra qualquer". Como tudo no estudo da desigualdade, esse agrupamento reflete decisões políticas, ainda que elas não sejam explícitas. E não é sem razão: a escolha da identificação de classes de uma forma específica tem implicações concretas. O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas.

        Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples: identifique pobres como uma classe; considere que quase todo mundo queira erradicar a pobreza; que quase todo mundo queira saber melhor o que é preciso para tanto; defina como pobre 0,1% da população; nesse caso, que medida erradicaria a pobreza? Caridade privada seria suficiente; agora defina como pobre 99,9% da população. A medida recomendada seria uma revolução.

        Conclui-se desse exercício que a forma como pesquisas dividem a sociedade em classes tem implicações práticas, pois pesquisa em desigualdade é usada para definir políticas. Quando se coloca uma pessoa numa classe, a tendência é que essa pessoa passe a ser vista como todas as demais pessoas que estão naquela classe e, em alguns casos, passe a ser tratada do mesmo modo pelas políticas.

        Qual é a diferença substantiva entre uma pessoa um centavo abaixo da linha de renda que define os benefícios de assistência social e outra um centavo acima? Em renda, irrelevante, mas a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas. Elas passam ou não pelo buraco da agulha dos critérios de elegibilidade de programas sociais. Alguns programas chegam a ser desenhados com base em classes, por isso o assunto não é apenas um detalhe acadêmico.


Marcelo Medeiros. Os ricos e os pobres. São Paulo: Companhia das Letras, 2023 

(com adaptações). 

Julgue o item a seguir, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.No trecho "Em renda, irrelevante" (segundo período doúltimo parágrafo), a vírgula é empregada para indicar umaelipse.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula indicando elipse em "Em renda, irrelevante"

Gabarito: C — CERTO. A vírgula em "Em renda, irrelevante" marca a elipse (omissão) do verbo "é" e do adjunto "a diferença", pois a forma completa seria "Em renda, a diferença é irrelevante". Como se lê no trecho: "Em renda, irrelevante, mas a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas." — a vírgula sinaliza que o leitor deve subentender o termo omitido, retomado do contexto anterior.

A questão cobra o reconhecimento de um caso clássico de zeugma/elipse: quando um termo já mencionado (ou facilmente recuperável) é omitido, a vírgula pode marcar essa supressão. No trecho, o verbo "é" (de "a diferença é irrelevante") e o sujeito "a diferença" ficam subentendidos, e a vírgula é o sinal gráfico que indica essa omissão.

Análise do trecho

No período completo: "Em renda, irrelevante, mas a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas." — a primeira oração é "Em renda, [a diferença é] irrelevante". A vírgula após "renda" separa o adjunto adverbial deslocado; a vírgula após "irrelevante" separa a oração coordenada adversativa introduzida por "mas". A elipse está justamente na omissão de "a diferença é", que o leitor recupera pelo contexto (a pergunta anterior: "Qual é a diferença substantiva...?").

Por que as demais funções não se aplicam

  • Não é aposto: não há um termo que explique ou desenvolva outro.

  • Não é vocativo: não há chamamento.

  • Não é enumeração: não há série de termos.

  • Não é oração adjetiva explicativa: não há pronome relativo.

A única função que explica a vírgula é a marcação de elipse, pois o termo omitido é essencial para a compreensão e a vírgula sinaliza essa lacuna.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de pontuação, pergunte-se: "que termo poderia estar aqui e foi omitido?" Se a resposta for sim, a vírgula provavelmente marca elipse/zeugma. Compare: "Ela gosta de uva; eu, de maçã" — a vírgula indica a omissão de "gosto".

Gabarito: letra C (CERTO).

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