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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001416
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUNPRESP-JUD
Ano
2026
Cargo
Advogado

        O agrupamento das pessoas em classes sociais não é, ao contrário do que alguns pensam, "apenas uma decisão técnica como outra qualquer". Como tudo no estudo da desigualdade, esse agrupamento reflete decisões políticas, ainda que elas não sejam explícitas. E não é sem razão: a escolha da identificação de classes de uma forma específica tem implicações concretas. O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas.

        Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples: identifique pobres como uma classe; considere que quase todo mundo queira erradicar a pobreza; que quase todo mundo queira saber melhor o que é preciso para tanto; defina como pobre 0,1% da população; nesse caso, que medida erradicaria a pobreza? Caridade privada seria suficiente; agora defina como pobre 99,9% da população. A medida recomendada seria uma revolução.

        Conclui-se desse exercício que a forma como pesquisas dividem a sociedade em classes tem implicações práticas, pois pesquisa em desigualdade é usada para definir políticas. Quando se coloca uma pessoa numa classe, a tendência é que essa pessoa passe a ser vista como todas as demais pessoas que estão naquela classe e, em alguns casos, passe a ser tratada do mesmo modo pelas políticas.

        Qual é a diferença substantiva entre uma pessoa um centavo abaixo da linha de renda que define os benefícios de assistência social e outra um centavo acima? Em renda, irrelevante, mas a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas. Elas passam ou não pelo buraco da agulha dos critérios de elegibilidade de programas sociais. Alguns programas chegam a ser desenhados com base em classes, por isso o assunto não é apenas um detalhe acadêmico.


Marcelo Medeiros. Os ricos e os pobres. São Paulo: Companhia das Letras, 2023 

(com adaptações). 

Julgue o item a seguir, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.Quanto à tipologia, o texto classifica-se como injuntivo, poisinstrui o leitor a realizar pesquisa sobre as diversasimplicações do agrupamento de pessoas em classes sociais.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: o texto é dissertativo-argumentativo, não injuntivo

Gabarito: E — ERRADO. O texto de Marcelo Medeiros não é injuntivo: ele não tem o propósito de instruir o leitor a realizar uma pesquisa, mas sim de defender uma tese — a de que o agrupamento em classes sociais reflete decisões políticas e tem implicações práticas — por meio de argumentos e exemplos. A classificação correta é dissertativo-argumentativo, como se comprova pela presença de tese, argumentação e conclusão ao longo do texto.

A tipologia textual se define pela intenção comunicativa predominante (o conteúdo), não pela forma. O texto injuntivo visa a instruir, orientar, prescrever procedimentos — típico de manuais, bulas, receitas, editais. Já o texto dissertativo-argumentativo visa a convencer o leitor de um ponto de vista, apresentando tese e argumentos. O texto em questão faz exatamente isso: apresenta a tese de que a definição de classes não é mera decisão técnica, mas política, e a sustenta com o exercício hipotético dos percentuais de pobres e com o exemplo da linha de renda.

A assertiva erra ao afirmar que o texto "instrui o leitor a realizar pesquisa". O texto não dá instruções; ele convida a uma reflexão e argumenta. O trecho "Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples" é uma sugestão hipotética para ilustrar o argumento, não uma ordem ou diretriz para executar uma tarefa. O verbo "pode" indica possibilidade, não imperativo injuntivo.

Análise da assertiva

1Injuntivo
Instruir/orientar/prescrever
Manuais, bulas, receitas
2Dissertativo-argumentativo
Convencer o leitor
Tese + argumentos + conclusão
3Como identificar
Qual a intenção do autor?
Instruir → injuntivo
Convencer → argumentativo
Tipologia textual
LEVELsoulevel.com.br
Tipologia textual: Injuntivo (Instruir/orientar/prescrever, Manuais, bulas, receitas); Dissertativo-argumentativo (Convencer o leitor, Tese + argumentos + conclusão); Como identificar (Qual a intenção do autor?, Instruir → injuntivo, Convencer → argumentativo)

Assertiva — ❌ ErradaGABARITO

A assertiva comete dois erros: classifica erroneamente a tipologia e distorce o conteúdo ao dizer que o texto instrui o leitor a realizar pesquisa.

  1. Erro de tipologia: o texto é dissertativo-argumentativo. Veja a estrutura:

    • Tese (1º parágrafo): "o agrupamento das pessoas em classes sociais não é... 'apenas uma decisão técnica como outra qualquer'... reflete decisões políticas".

    • Argumento (2º parágrafo): o exercício hipotético de definir pobre como 0,1% ou 99,9% da população, mostrando que a medida recomendada muda (caridade vs. revolução).

    • Conclusão/desdobramento (3º e 4º parágrafos): "a forma como pesquisas dividem a sociedade em classes tem implicações práticas" e o exemplo da linha de renda.

    Isso é argumentação, não instrução.

  1. Erro de conteúdo: o texto não instrui o leitor a realizar pesquisa. Ele analisa o impacto das classificações e argumenta que elas têm implicações políticas e práticas. O trecho "Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples" é uma ilustração retórica (um experimento mental), não uma instrução para conduzir uma pesquisa. O verbo "pode" expressa possibilidade, não ordem.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a tipologia, pergunte: qual é a intenção do autor? Instruir (injuntivo), narrar (narrativo), descrever (descritivo), informar (expositivo) ou convencer (argumentativo)? Se há tese + argumentos, é dissertativo-argumentativo, mesmo que contenha trechos com verbos no imperativo ou sugestões.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a presença do verbo "pode fazer um exercício" e do trecho "pesquisa em desigualdade" para sugerir que o texto é injuntivo. Mas "exercício" aqui é metáfora de reflexão, não tarefa prática, e "pesquisa" é o objeto de análise do autor, não uma ação que ele manda o leitor executar.

Conclusão: como o texto é dissertativo-argumentativo e não instrui o leitor a realizar pesquisa, a assertiva está errada.

Gabarito: E — ERRADO.

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