Questão de Português — Interpretação de Textos — Marinha 2026
PortuguêsInterpretação de Textos
- Código
- gp001812
- Banca
- Marinha
- Órgão
- MARINHA
- Ano
- 2026
- Cargo
- Professor EBTT - História
No capítulo "A fabricação (divina) do rei", em HistóriaModerna, Paulo Miceli analisa a "fabricação" da imagempública de Luís XIV, o Rei Sol. O autor demonstra como amonarquia francesa utilizou um vasto aparato depropaganda — envolvendo artistas, poetas ecerimonialistas — para construir uma figura “sublime esobre-humana" do monarca, promovendo o que o textoclassifica como uma "sacralização da política". Com basenessa leitura, assinale a opção INCORRETA sobre osmecanismos e o alcance dessa representação do poderreal.
- AA etiqueta da corte estendia a reverência devida aomonarca até mesmo aos seus objetos inanimados;era proibido, por exemplo, permanecer de chapéu nasala onde a mesa do rei estivesse posta, ou dar ascostas ao seu retrato oficial, ofensas consideradastão graves quanto se fossem feitas à própria pessoade Luís XIV.
- BA construção da imagem do rei obedecia a códigosrigorosos de postura corporal para transmitir força evitalidade; nas pinturas oficiais, Luís XIV deveria serrepresentado erguendo o bastão de comando, masjamais se apoiando nele, pois tal gesto poderiasimbolizar uma "inadmissível fraqueza do Rei Sol”.
- CO autor estabelece um paralelo historiográfico entre aconstrução da imagem de Luís XIV e a de umgovernante brasileiro do século XX, citando a obra deAlcir Lenharo sobre a "sacralização da política" deGetúlio Vargas, que, "em escala diminuta, representaoutro devotado amante do poder”.
- DA eficácia do aparato de propaganda de Versalhes foiabsoluta e totalitária; segundo Miceli, a "fabricação dorei” obteve tamanho êxito que conseguiu silenciarcompletamente a oposição, eliminando qualquerforma de sátira ou crítica pública à figura do monarcadurante todo o seu longo reinado.
- EA “fabricação” da imagem envolvia um verdadeiroséquito de profissionais, incluindo barbeiros,costureiros e sapateiros, todos orientados para criaruma aparência que justificasse a máxima atribuída aorei (“O Estado sou eu”), fundindo a pessoa física dogovernante com a entidade abstrata do Estado.