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Questão de Português — Crase — Quadrix 2026

PortuguêsCrase
Código
gp001901
Banca
Quadrix
Órgão
CORE-PI
Ano
2026
Cargo
Assistente Jurídico
        No Conselho Regional dos Representantes Comerciais no Estado do Piauí (Core‑PI), a atuação do Assistente Jurídico exige domínio da linguagem técnico‑administrativa, pois a tramitação de processos, a análise de requerimentos, a elaboração de manifestações e o acompanhamento de atos normativos dependem de registros claros e juridicamente consistentes. Em um órgão de fiscalização profissional, a escrita não se limita à transmissão de dados: ela organiza fundamentos, delimita responsabilidades, previne interpretações incompatíveis e contribui para a segurança dos atos praticados.

        A comunicação institucional eficiente pressupõe precisão vocabular, impessoalidade, coesão e respeito à norma‑padrão. Um parecer, uma notificação ou uma informação processual mal estruturada pode produzir ruído interpretativo, sobretudo quando emprega conectores inadequados, pronomes sem referente claro, pontuação imprecisa ou formas verbais incompatíveis com o grau de formalidade exigido. Nesses casos, o problema linguístico ultrapassa o plano estético e alcança a própria regularidade da atuação administrativa.

         No desempenho de suas atribuições, o Assistente Jurídico deve reconhecer que a clareza não se confunde com simplificação excessiva. Textos institucionais precisam ser acessíveis, mas também tecnicamente suficientes. Por isso, a seleção de palavras, a articulação entre orações, a observância da regência e da concordância, o emprego adequado da crase e a colocação correta dos pronomes átonos constituem recursos indispensáveis à produção de documentos seguros, coesos e compatíveis com o interesse público.

         Assim, a competência linguística não representa mero atributo acessório: integra a própria qualidade do serviço prestado pelo Core‑PI. Quando a linguagem é usada com rigor, os atos administrativos tornam‑se mais transparentes, as decisões ficam mais bem fundamentadas e a relação entre o órgão, os profissionais registrados e a sociedade tende a ser fortalecida.


Fonte: BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República.

3. ed. Brasília: Presidência da República, 2018; BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, art. 37; BRASIL.

Lei n.º 4.886/1965 (com adaptações).
Assinale a opção correta, quanto à regência verbal e ànominal e quanto ao emprego do sinal indicativo de crase,de acordo com a norma‑padrão.
  1. ANo trecho “a escrita não se limita à transmissão dedados”, o emprego da crase decorre da regência doverbo “limitar‑se” e da presença de artigo femininoantes de “transmissão”.
  2. BNo trecho “contribui para a segurança dos atospraticados”, a substituição de “para” por à preserva acorreção gramatical do fragmento.
  3. CNo trecho “compatíveis com o interesse público”, a substituição de “com” por a é obrigatória pela regência nominal do adjetivo.
  4. DNo trecho “dependem de registros claros e juridicamente consistentes”, a substituição da preposição “de” por em mantém a correção gramatical do fragmento.
  5. ENo trecho “ela organiza fundamentos, delimitaresponsabilidades, previne interpretaçõesincompatíveis”, a inserção da preposição “em” antesde “fundamentos” preserva a correção gramaticaldo fragmento.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — No trecho “a escrita não se limita à transmissão de dados”, o emprego da crase decorre da regência do verbo “limitar‑se” e da presença de artigo feminino antes de “transmissão”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase e regência: a fusão da preposição com o artigo

Gabarito: letra A. A alternativa correta explica com precisão o fenômeno da crase no trecho “a escrita não se limita à transmissão de dados”: o verbo limitar-se exige a preposição a (quem se limita, limita-se a algo), e o substantivo transmissão admite o artigo feminino a — a fusão desses dois “a” gera o acento grave. As demais alternativas propõem substituições que alteram a regência ou inserem preposições indevidas, comprometendo a correção gramatical.

O comando da questão

O enunciado pede que se assinale a opção correta quanto à regência verbal e nominal e quanto ao emprego do sinal indicativo de crase, de acordo com a norma-padrão. Isso significa que cada alternativa deve ser testada em dois níveis: (1) a regência — a preposição exigida pelo verbo ou pelo nome — e (2) a crase — a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos/relativos. A questão não pede interpretação de texto, mas aplicação de regras gramaticais a trechos específicos do texto-base.

O texto e o ponto gramatical

O texto-base trata da importância da linguagem técnico-administrativa no Core-PI, mas a questão não explora o conteúdo temático — ela usa fragmentos do texto como pretexto para testar conhecimentos de regência e crase. O trecho decisivo está no primeiro parágrafo:

“a escrita não se limita à transmissão de dados”

Aqui, o verbo limitar-se (pronominal) rege a preposição a: quem se limita, limita-se a alguma coisa. O termo seguinte, transmissão, é um substantivo feminino que admite o artigo definido a. Temos, então, a sequência: limita-se a + a transmissãolimita-se à transmissão. A crase é exatamente essa fusão, marcada pelo acento grave. É o caso clássico de crase obrigatória: preposição “a” (exigida pela regência) + artigo feminino “a” (que acompanha o substantivo).

A técnica que decide a questão

Para cada alternativa, o método é o mesmo: verifique se a substituição proposta mantém a regência original e se a crase (ou sua ausência) está correta. A alternativa correta é a única que descreve com exatidão o mecanismo da crase no trecho. As demais falham porque:

  • B troca a preposição “para” por “à”, mas o verbo contribuir rege “para” (contribui para algo), não “a”;

  • C afirma que a substituição de “com” por “a” é obrigatória, mas o adjetivo compatível rege “com” (compatível com algo), e a troca seria incorreta;

  • D propõe trocar “de” por “em”, mas o verbo depender rege “de” (depende de algo), não “em”;

  • E sugere inserir “em” antes de “fundamentos”, mas o verbo organizar é transitivo direto — não exige preposição.

1Mecanismo
Preposição "a" (regência)
Artigo feminino "a"
Fusão a + a = à
2Verificação
Termo anterior exige "a"?
Termo seguinte admite artigo "a"?
Ambos → crase
3Regências comuns
Limitar-se a
Contribuir para
Depender de
Compatível com
Organizar (VTD, sem preposição)
Crase
LEVELsoulevel.com.br
Crase: Mecanismo (Preposição "a" (regência), Artigo feminino "a", Fusão a + a = à); Verificação (Termo anterior exige "a"?, Termo seguinte admite artigo "a"?, Ambos → crase); Regências comuns (Limitar-se a, Contribuir para, Depender de, Compatível com, Organizar (VTD, sem preposição))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a crase em “à transmissão” decorre da regência do verbo limitar-se e da presença de artigo feminino antes de “transmissão”. Isso está perfeitamente correto:

“a escrita não se limita à transmissão de dados”

O verbo limitar-se exige a preposição a (quem se limita, limita-se a algo). O substantivo transmissão é feminino e admite o artigo a. A fusão a + a = à é a crase. A alternativa descreve exatamente o mecanismo: regência verbal (preposição “a”) + artigo feminino (a). Não há qualquer erro aqui.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa propõe substituir “para” por “à” no trecho “contribui para a segurança dos atos praticados”. O verbo contribuir rege a preposição para: quem contribui, contribui para algo. A troca por “à” (preposição “a” + artigo “a”) alteraria a regência e tornaria o fragmento incorreto. Não há como justificar a substituição — o verbo não admite “a” como regência. Erro: contradiz a regência verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a substituição de “com” por “a” é obrigatória pela regência nominal do adjetivo compatível. Isso é duplamente errado: primeiro, o adjetivo compatível rege a preposição com (compatível com algo), não “a”; segundo, mesmo que houvesse outra regência, a substituição não seria “obrigatória” — ela simplesmente não se aplica. Erro: contradiz a regência nominal e usa um absoluto indevido (“obrigatória”).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa propõe substituir a preposição “de” por “em” no trecho “dependem de registros claros”. O verbo depender rege a preposição de: quem depende, depende de algo. A troca por “em” alteraria a regência e tornaria o fragmento incorreto. Erro: contradiz a regência verbal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa sugere inserir a preposição “em” antes de “fundamentos” no trecho “ela organiza fundamentos”. O verbo organizar é transitivo direto — seu complemento vem sem preposição. Inserir “em” criaria um erro de regência. Erro: contradiz a regência verbal (insere preposição indevida).

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato conhece a regência de verbos e adjetivos comuns (limitar-se, contribuir, depender, organizar, compatível). A alternativa A é a única que descreve corretamente o mecanismo da crase; as demais propõem trocas que violam a regência.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de crase, sempre verifique dois fatores: (1) o termo anterior exige a preposição “a”? (2) o termo seguinte admite o artigo feminino “a”? Se ambos, há crase. Se apenas um, não há.

Gabarito: letra A.

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