No Conselho Regional dos Representantes
Comerciais no Estado do Piauí (Core‑PI), a atuação
do Assistente Jurídico exige domínio da linguagem
técnico‑administrativa, pois a tramitação de processos, a
análise de requerimentos, a elaboração de manifestações
e o acompanhamento de atos normativos dependem
de registros claros e juridicamente consistentes. Em um
órgão de fiscalização profissional, a escrita não se limita à
transmissão de dados: ela organiza fundamentos, delimita
responsabilidades, previne interpretações incompatíveis e
contribui para a segurança dos atos praticados.
A comunicação institucional eficiente pressupõe
precisão vocabular, impessoalidade, coesão e respeito
à norma‑padrão. Um parecer, uma notificação ou uma
informação processual mal estruturada pode produzir ruído
interpretativo, sobretudo quando emprega conectores
inadequados, pronomes sem referente claro, pontuação
imprecisa ou formas verbais incompatíveis com o grau de
formalidade exigido. Nesses casos, o problema linguístico
ultrapassa o plano estético e alcança a própria regularidade
da atuação administrativa.
No desempenho de suas atribuições, o Assistente
Jurídico deve reconhecer que a clareza não se confunde
com simplificação excessiva. Textos institucionais precisam
ser acessíveis, mas também tecnicamente suficientes. Por
isso, a seleção de palavras, a articulação entre orações, a
observância da regência e da concordância, o emprego
adequado da crase e a colocação correta dos pronomes
átonos constituem recursos indispensáveis à produção
de documentos seguros, coesos e compatíveis com o
interesse público.
Assim, a competência linguística não representa
mero atributo acessório: integra a própria qualidade do
serviço prestado pelo Core‑PI. Quando a linguagem é
usada com rigor, os atos administrativos tornam‑se mais
transparentes, as decisões ficam mais bem fundamentadas
e a relação entre o órgão, os profissionais registrados e a
sociedade tende a ser fortalecida.
Fonte: BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República.
3. ed. Brasília: Presidência da República, 2018; BRASIL. Constituição da
República Federativa do Brasil de 1988, art. 37; BRASIL.
Lei n.º 4.886/1965 (com adaptações).
Assinale a opção cuja proposta de reescrita apresentadamantém a correção gramatical e o sentido original dotrecho “a escrita não se limita à transmissão de dados: elaorganiza fundamentos, delimita responsabilidades, previneinterpretações incompatíveis”.
Aa escrita não se limita à transmissão de dados, emboraorganize fundamentos, delimite responsabilidades eprevina interpretações incompatíveis
Ba escrita não se limita à transmissão de dados, poisorganiza fundamentos, delimita responsabilidades eprevine interpretações incompatíveis
Ca escrita não se limita à transmissão de dados, casoorganize fundamentos, delimite responsabilidades eprevina interpretações incompatíveis
Da escrita não se limita à transmissão de dados,ainda que organize fundamentos, delimiteresponsabilidades e previna interpretaçõesincompatíveis
Ea escrita não se limita à transmissão de dados, quandoorganiza fundamentos, delimita responsabilidades eprevine interpretações incompatíveis
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GabaritoB — a escrita não se limita à transmissão de dados, pois
organiza fundamentos, delimita responsabilidades e
previne interpretações incompatíveis
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Reescrita de frases: o valor do conectivo na relação de causa
Gabarito: letra B. A reescrita correta troca os dois-pontos do trecho original pela conjunção pois, que estabelece a mesma relação de causa e consequência presente no texto: a escrita não se limita à transmissão de dados porque organiza fundamentos, delimita responsabilidades e previne interpretações incompatíveis. Como se lê no trecho original, a segunda parte explica o que foi afirmado na primeira, e o pois é o conectivo que preserva exatamente esse sentido.
"a escrita não se limita à transmissão de dados: ela organiza fundamentos, delimita responsabilidades, previne interpretações incompatíveis"
A questão testa, acima de tudo, o valor semântico dos conectivos. O comando pede uma reescrita que mantenha a correção gramatical e o sentido original. Isso significa que a alternativa correta não pode apenas ser gramaticalmente válida — ela precisa preservar a relação lógica que os dois-pontos estabelecem entre as duas partes do trecho.
No trecho original, os dois-pontos introduzem uma explicação ou justificativa para a afirmação anterior. A escrita não se limita à transmissão de dados; a razão disso é que ela organiza fundamentos, delimita responsabilidades e previne interpretações incompatíveis. Essa é uma relação de causa e consequência: a segunda parte é a causa/justificativa da primeira.
A técnica para resolver é simples: identifique a relação que o conectivo original estabelece e procure, nas alternativas, o conectivo que estabelece a mesma relação. Os dois-pontos, nesse contexto, funcionam como um explicativo — equivalente a "pois", "porque", "já que". Qualquer conectivo que introduza outra relação (oposição, condição, concessão, tempo) altera o sentido e, portanto, está errado.
A banca montou as distratoras justamente com conectivos que expressam relações diferentes: embora e ainda que (concessão), caso (condição) e quando (tempo). Todas são gramaticalmente corretas, mas nenhuma preserva o sentido de causa. A única que mantém a relação original é o pois, que é uma conjunção coordenativa explicativa.
1Identifique a relação do conectivo original
2Procure conectivo com a mesma relação
3Descarte os que mudam o sentido
4Marque o que preserva causa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"a escrita não se limita à transmissão de dados, embora organize fundamentos, delimite responsabilidades e previna interpretações incompatíveis"
O conectivo embora introduz uma concessão — uma ideia de contraste ou ressalva. No texto, a segunda parte explica a primeira, não a contrasta. A reescrita com "embora" sugere que "organizar fundamentos" seria algo inesperado ou contrário à ideia de "não se limitar à transmissão de dados", o que contradiz o sentido original. A alternativa troca a relação de causa por uma relação de oposição.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"a escrita não se limita à transmissão de dados, pois organiza fundamentos, delimita responsabilidades e previne interpretações incompatíveis"
O pois é uma conjunção coordenativa explicativa, que introduz a justificativa ou a causa do que foi dito antes. Exatamente a mesma função dos dois-pontos no trecho original. A reescrita mantém a correção gramatical (o verbo "organiza" concorda com "a escrita") e o sentido de causa e consequência. É a única alternativa que preserva integralmente a relação lógica do texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"a escrita não se limita à transmissão de dados, caso organize fundamentos, delimite responsabilidades e previna interpretações incompatíveis"
O conectivo caso introduz uma condição — algo que precisa acontecer para que a afirmação anterior seja válida. No texto, a segunda parte é uma consequência natural da primeira, não uma condição. A reescrita com "caso" sugere que "organizar fundamentos" é uma hipótese, o que altera completamente o sentido do trecho. A alternativa restringe o alcance da afirmação, transformando um fato em possibilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"a escrita não se limita à transmissão de dados, ainda que organize fundamentos, delimite responsabilidades e previna interpretações incompatíveis"
O conectivo ainda que também introduz uma concessão, assim como "embora". Ele estabelece uma relação de contraste ou ressalva, o que contradiz o sentido de causa presente no texto. A reescrita com "ainda que" sugere que "organizar fundamentos" seria algo que não impede a afirmação anterior, o que é exatamente o oposto da relação original. A alternativa troca a relação de causa por uma relação de oposição.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"a escrita não se limita à transmissão de dados, quando organiza fundamentos, delimita responsabilidades e previne interpretações incompatíveis"
O conectivo quando introduz uma circunstância de tempo — algo que ocorre em determinado momento. No texto, a segunda parte é uma explicação da primeira, não uma condição temporal. A reescrita com "quando" sugere que "organizar fundamentos" é algo que acontece em certas ocasiões, o que altera o sentido do trecho. A alternativa tangencia o tema, pois trata de uma relação temporal que não existe no texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece conectivos gramaticalmente corretos, mas com valores semânticos diferentes. A armadilha é escolher um conectivo que "soe bem" sem verificar se ele preserva a relação de causa estabelecida pelos dois-pontos.
PEGA ESSA DICA!
Antes de marcar, pergunte: "qual relação o conectivo original estabelece?" Se for explicação, procure um explicativo (pois, porque, já que). Se for oposição, procure um concessivo (embora, ainda que). Nunca escolha pelo som — escolha pela relação.
Gabarito: letra B. A reescrita correta é a que usa pois, pois preserva a relação de causa e consequência do trecho original, mantendo a correção gramatical e o sentido.