Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
gp002076
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PGE-RN
Ano
2026
Cargo
Analista Jurídico
Texto CG1A1
A era digital transformou diversos aspectos da vida
cotidiana, e a inteligência artificial (IA) surge como um dos
pilares dessa nova era. Com a inserção da IA no setor público,
desafios regulatórios significativos emergem. A implementação
dessa tecnologia pode potencializar serviços públicos, mas
também levanta questões jurídicas complexas que requerem
atenção.
O desafio inicial de regular a IA no setor público reside na
compreensão dos fundamentos tecnológicos e sua interligação
com o arcabouço jurídico. Sendo um campo multifacetado, a IA
abrange desde o aprendizado de máquina até o processamento de
linguagem natural e robótica. Por sua natureza, ela desafia noções
tradicionais de direitos e responsabilidades, o que torna
imperativo um novo olhar jurídico.
No Brasil, a regulação da IA ainda está em
desenvolvimento, mas algumas legislações existentes já
interagem com o tema. A Lei Geral de Proteção de Dados
Pessoais (LGPD) é um exemplo de como as questões de
privacidade e proteção de dados são cruciais quando se fala de
IA, especialmente no setor público. Esta lei assegura que o
tratamento de dados pessoais seja realizado com respeito à
liberdade e à privacidade.
É crucial estabelecer políticas públicas que incentivem a
inovação, mas que também delimitem o campo de atuação da IA.
Isso requer a colaboração entre legisladores, tecnólogos e
especialistas em ética. A criação de um marco regulatório robusto
possibilitaria a formação contínua dos operadores do direito e
permitiria que profissionais se mantivessem atualizados em
relação às melhores práticas e desenvolvimentos no campo da IA.
Internet: https://legale.com.br/ (com adaptações)
Depreende-se das ideias veiculadas no texto CG1A1 que
Aa principal função das políticas públicas relacionadas à IA érestringir sua aplicação, dada a priorização governamental dasegurança jurídica em detrimento da inovação.
Ba regulamentação da IA no setor público brasileiro já seencontra consolidada, restando apenas ajustes pontuais deordem técnica.
Ca complexidade da IA decorre exclusivamente de suadiversidade tecnológica, não havendo impactos relevantessobre conceitos jurídicos tradicionais.
Da formação contínua dos operadores do direito é prescindível,uma vez que legislações como a LGPD já contemplamplenamente os desafios da IA.
Ea regulação eficaz da IA no setor público exige abordageminterdisciplinar, em que se alie conhecimento técnico, jurídicoe ético, diante de desafios que extrapolam normas jáexistentes.
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GabaritoE — a regulação eficaz da IA no setor público exige abordagem
interdisciplinar, em que se alie conhecimento técnico, jurídico
e ético, diante de desafios que extrapolam normas já
existentes.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Regulação da IA no setor público: abordagem interdisciplinar
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única inteiramente sustentada pelo texto, pois ele afirma que a regulação eficaz da IA exige a colaboração entre legisladores, tecnólogos e especialistas em ética, e que os desafios extrapolam as normas já existentes. Como se lê no 4º parágrafo: "Isso requer a colaboração entre legisladores, tecnólogos e especialistas em ética" e, no 2º parágrafo, "ela desafia noções tradicionais de direitos e responsabilidades, o que torna imperativo um novo olhar jurídico". As demais alternativas ou contradizem o texto, ou extrapolam, ou restringem indevidamente o que ele afirma.
O comando pede uma inferência ("Depreende-se"), ou seja, uma conclusão ancorada em pistas do texto, não uma informação literal. A chave é identificar a tese central: a IA no setor público exige um novo olhar jurídico, que una conhecimento técnico, jurídico e ético, pois as normas existentes (como a LGPD) não são suficientes. Vamos analisar cada alternativa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a principal função das políticas públicas é restringir a aplicação da IA, priorizando a segurança jurídica em detrimento da inovação. O texto diz exatamente o oposto: "É crucial estabelecer políticas públicas que incentivem a inovação, mas que também delimitem o campo de atuação da IA". Ou seja, o texto defende incentivar a inovação e delimitar (não restringir) o campo de atuação. A alternativa contradiz o texto ao inverter a relação: o texto quer equilibrar inovação e delimitação, não priorizar uma em detrimento da outra. Além disso, a ideia de "priorização governamental da segurança jurídica" é uma extrapolação — o texto não afirma que o governo prioriza a segurança jurídica sobre a inovação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a regulamentação da IA no setor público brasileiro já se encontra consolidada, restando apenas ajustes pontuais. O texto diz o contrário: "No Brasil, a regulação da IA ainda está em desenvolvimento". A palavra "ainda" indica que o processo não está concluído, e "em desenvolvimento" sugere que há muito a fazer, não apenas ajustes pontuais. A alternativa contradiz o texto ao afirmar que a regulação está consolidada, quando o texto diz que está em desenvolvimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a complexidade da IA decorre exclusivamente de sua diversidade tecnológica, não havendo impactos relevantes sobre conceitos jurídicos tradicionais. O texto diz o oposto: "Por sua natureza, ela desafia noções tradicionais de direitos e responsabilidades, o que torna imperativo um novo olhar jurídico". Ou seja, a IA desafia noções jurídicas tradicionais, o que é um impacto relevante. Além disso, a palavra "exclusivamente" é um absoluto que restringe indevidamente: o texto menciona a diversidade tecnológica, mas também os desafios jurídicos. A alternativa restringe o alcance do texto e contradiz a ideia de que a IA impacta o direito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a formação contínua dos operadores do direito é prescindível (dispensável), uma vez que legislações como a LGPD já contemplam plenamente os desafios da IA. O texto diz o contrário: "A criação de um marco regulatório robusto possibilitaria a formação contínua dos operadores do direito e permitiria que profissionais se mantivessem atualizados em relação às melhores práticas e desenvolvimentos no campo da IA". Ou seja, a formação contínua é necessária e desejável, não prescindível. Além disso, o texto não diz que a LGPD contempla plenamente os desafios da IA; pelo contrário, diz que a regulação ainda está em desenvolvimento. A alternativa contradiz o texto ao inverter a necessidade de formação e ao afirmar que a LGPD é suficiente.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E afirma que a regulação eficaz da IA no setor público exige abordagem interdisciplinar, aliando conhecimento técnico, jurídico e ético, diante de desafios que extrapolam normas já existentes. O texto sustenta isso em vários trechos:
"Isso requer a colaboração entre legisladores, tecnólogos e especialistas em ética" (4º parágrafo)
Aqui, o texto menciona a colaboração entre legisladores (jurídico), tecnólogos (técnico) e especialistas em ética (ético), o que corresponde à abordagem interdisciplinar.
"ela desafia noções tradicionais de direitos e responsabilidades, o que torna imperativo um novo olhar jurídico" (2º parágrafo)
Isso mostra que os desafios extrapolam as normas existentes, exigindo um novo olhar jurídico.
Além disso, o texto diz que "No Brasil, a regulação da IA ainda está em desenvolvimento", o que reforça que as normas existentes não são suficientes. A alternativa E é uma paráfrase fiel das ideias do texto, sem extrapolar ou restringir.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com alternativas que contradizem o texto (A, B, C, D) ou que extrapolam (A). A correta (E) é a única que sintetiza a tese central do texto: interdisciplinaridade e insuficiência das normas atuais.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "depreende-se", busque a tese do texto, geralmente na introdução ou conclusão. Aqui, a tese é que a IA exige um novo olhar jurídico interdisciplinar. Desconfie de palavras absolutas como "exclusivamente", "consolidada", "prescindível" — elas costumam indicar restrição ou contradição.