Questão de Direito Processual Penal — Das Provas — FGV 2026
Direito Processual Penal›Das Provas
Código
gp019254
Banca
FGV
Órgão
TJ-SC
Ano
2026
Cargo
Analista Jurídico
João é investigado pela prática de um crime de peculato. Durantea fase de inquérito policial, o Delegado de Polícia, sem autorizaçãojudicial, determina a entrada de agentes na residência de Joãodurante a noite, sob o argumento de que o crime em questãocausa grave dano ao erário e que a apreensão de documentos seriaessencial para evitar a ocultação de provas. Os agentes apreendemdiversos computadores que continham evidências do crime.Diante de tal situação hipotética, assinale a afirmativa correta.
AA prova é plenamente válida, uma vez que o princípio da buscada verdade real se sobrepõe à inviolabilidade do domicílio emcrimes cometidos contra a Administração Pública.
BA prova é legítima se for demonstrado que a diligência foipautada pelo princípio da eficiência, visando à celeridadeprocessual e à proteção do patrimônio público.
CPelo princípio da não culpabilidade, João não poderia ter seusbens apreendidos antes de uma sentença penal condenatóriatransitada em julgado.
DEm virtude do princípio do contraditório, o Delegado de Políciaé obrigado a intimar a defesa de João para acompanhar adiligência de busca e apreensão na residência, sob pena denulidade absoluta.
EAs provas obtidas são ilícitas, pois, embora a entrada emdomicílio possa ocorrer sem mandado em caso de flagrantedelito, a busca para apreensão de provas exige ordem judiciale deve respeitar o período diurno, salvo consentimento domorador.
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GabaritoE — As provas obtidas são ilícitas, pois, embora a entrada em
domicílio possa ocorrer sem mandado em caso de flagrante
delito, a busca para apreensão de provas exige ordem judicial
e deve respeitar o período diurno, salvo consentimento do
morador.
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Invasão de domicílio sem mandado: prova ilícita
Gabarito: letra E. A entrada em domicílio à noite, sem autorização judicial e sem consentimento, para apreender provas de crime (peculato) é ilegal. A Constituição Federal (art. 5º, XI) estabelece que a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. A busca para apreensão de provas requer mandado judicial, exceto nas hipóteses de flagrante. Como a situação narrada não configura flagrante (o crime já havia ocorrido), a diligência é ilícita, e as provas obtidas são inadmissíveis.
NÃO CAIA NESSA!
A banca utiliza princípios como verdade real, eficiência e não culpabilidade como supostas justificativas para violar a garantia constitucional, confundindo o candidato com argumentos emocionais. A chave é lembrar que a inviolabilidade do domicílio só cede em hipóteses taxativas (flagrante delito ou consentimento) e que a busca de provas exige mandado judicial e período diurno.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A busca da verdade real não se sobrepõe às garantias constitucionais. O art. 5º, XI, da CF é cláusula pétrea e só admite as exceções ali previstas. A verdade real é um princípio processual, mas não autoriza violação de direitos fundamentais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O princípio da eficiência administrativa não pode suprimir a inviolabilidade do domicílio. A proteção do patrimônio público não justifica a inobservância dos requisitos legais para busca e apreensão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O princípio da não culpabilidade (presunção de inocência) não impede a apreensão de bens como prova, desde que realizada dentro da lei. A apreensão de computadores como meio de prova é permitida, mas depende de mandado judicial (salvo flagrante).
Alternativa D — ❌ Incorreta
O contraditório não se aplica à fase inquisitorial (inquérito policial) de forma ampla. A defesa não tem direito de acompanhar a busca e apreensão, pois é medida cautelar sigilosa. A intimação prévia inviabilizaria a eficácia da diligência.
Alternativa E — ✅ Correta
De acordo com a CF, art. 5º, XI, a entrada em domicílio sem consentimento do morador só é permitida: (a) em caso de flagrante delito, a qualquer hora; (b) por determinação judicial, durante o dia. No caso, não havia flagrante (o crime já havia ocorrido), e a diligência foi realizada à noite, sem autorização judicial. Portanto, a prova é ilícita e deve ser desentranhada dos autos (art. 157 do CPP).
Macete por contagem de letras para diferenciar provas ilegais: prova ILÍCITA (8 letras) é a obtida com violação a norma de Direito MATERIAL (8 letras); prova ILEGÍTIMA (10 letras) é a que viola norma de Direito PROCESSUAL (10 letras).
— Provas ilícitas x provas ilegítimas (prova ilegal)