Questão de Legislação e Ética Profissional — Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros — FEPESE 2022
- Código
- qa269678
- Banca
- FEPESE
- Órgão
- FAPESC
- Ano
- 2022
- Cargo
- Jorn ( )
A confirmação da morte de Tim Lopes, repórter da Rede Globo, abre uma temporada de luto e de reflexão. Tim estava desaparecido desde o dia 2. Sumiu na Vila Cruzeiro, Penha, onde pretendia realizar uma reportagem sobre um baile funk no qual, suspeita-se, haveria consumo de drogas e espetáculos de sexo explícito com a participação de adolescentes. Tim usava câmeras ocultas em seus trabalhos. Fazia apurações sensacionais, mas estava longe disso que todos aprendemos infelizmente a conhecer como sensacionalismo. (…)
Além do luto, está aberto o desafio da reflexão para os jornalistas. Essa reflexão diz respeito aos métodos aceitáveis na captação de informações e também às relações entre as atribuições do repórter e as atribuições da polícia. Tim Lopes encarnou uma espécie de fronteira entre esses dois territórios, o do jornalista e o do policial, e se valia de expedientes às vezes mais adequados a uma investigação de delegacia que a uma apuração de reportagem clássica. A começar pelo emprego da câmera oculta.
Eugênio Bucci – Jornal do Brasil - 11-06-2002
- AO emprego da câmera oculta torna-se importante, porque o jornalista precisa fazer também o papel do policial.
- BO uso da câmera oculta, por ser de uso pontual e polêmico, não pode ser decisão única e exclusiva do repórter: as instâncias superiores da redação devem participar dessa decisão.
- CA câmera oculta, a rigor, infringe a ética jornalística, na medida que o jornalista precisa se identificar no momento da entrevista e informar ao entrevistado que ele está participando de material jornalístico.
- DO emprego da câmera oculta não pode fazer parte da rotina do trabalho jornalístico por vários motivos: além da questão ética, leva o jornalista a correr sérios riscos. Um bom exemplo disso foi a morte de Tim Lopes.
- EPode-se aceitar excepcionalmente o emprego da câmera oculta, nos casos maiores de interessepúblico: caso clássico de material jornalístico sobre o crime organizado.