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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa592004
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
MPE SC
Ano
2024
Cargo
Prom Jus ( )

No mínimo, as tecnologias deveriam ser desenvolvidas para atender às necessidades de todas as pessoas, sem distinção alguma.

 

No entanto, o Grupo de Pesquisa em Acessibilidade Digital, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, concluiu que, apesar do escasso número de avaliações dos usuários com deficiência visual ou condições oculares – fotofobia, daltonismo, baixa visão – em aplicativos, os feedbacks são suficientes para revelar falhas graves nas usabilidades dos aplicativos. Geralmente, as avaliações são utilizadas para aprimorar o refino das interfaces, ou para que os desenvolvedores projetem um novo software.

 

“As avaliações não são suficientes numericamente. Imagina só, você tem um aplicativo com um bilhão de downloads. Mas, só há 300 pessoas questionando sobre acessibilidade. Por mais que deem feedbacks, as empresas responsáveis por essas tecnologias não priorizarão adotar novas posturas”, explica Marcelo Eler, coordenador da pesquisa e professor da EACH. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 36 milhões de pessoas no mundo são cegas e outras 217 milhões têm baixa visão. No Brasil, a ausência de dados atualizados por meio do Censo prejudica estimar atualmente dados mais precisos.

 

O estudo é resultado das pesquisas de doutorado de Alberto de Oliveira e Paulo dos Santos, do Programa de Pós- - Graduação em Sistemas de Informação (PPgSI) da EACH, sob a orientação de Marcelo. Além disso, a pesquisa teve a colaboração de Wilson Júnior e Danilo Eler, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Wajdi Aljedaani, da Universidade do Norte do Texas (UNT), nos Estados Unidos. Eles observam que é “preciso que o mecanismo de avaliações seja explorado para deixar evidente às empresas que os problemas de usabilidade existem, importam e têm consequências sérias” [...].

 

“Para as pessoas sem deficiência, alguns comentários avaliando positivamente, solicitando melhorias, ou expondo alguma reclamação, podem parecer um detalhe ou uma frescura. E não é! A ausência de interfaces acessíveis impede as pessoas de serem autônomas, pois precisarão de alguém para auxiliá-las, como, por exemplo, num pedido de entrega de alimentos”, explica Marcelo ao mencionar a necessidade de evidências empíricas para romper com esses preconceitos ou atitudes capacitistas, ou seja, discriminação às pessoas com alguma deficiência.

 

Texto: Danilo Queiroz
(Disponível em: https://jornal.usp.br/diversidade. Adaptado.)

No parágrafo, o emprego de aspas em: “As avaliações não são suficientes numericamente. Imagina só, você tem um aplicativo com um bilhão de downloads. Mas, só há 300 pessoas questionando sobre acessibilidade. Por mais que deem feedbacks, as empresas responsáveis por essas tecnologias não priorizarão adotar novas posturas” indica expressão de autoria alheia, ainda que esteja incorporada ao discurso do autor do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O uso das aspas em citação de fala alheia

Gabarito: letra E (Errado). A afirmação de que as aspas indicam “expressão de autoria alheia, ainda que esteja incorporada ao discurso do autor do texto” está incorreta porque, no trecho citado, as aspas não marcam uma fala de outra pessoa, mas sim a transcrição literal das palavras do professor Marcelo Eler, que é uma autoridade citada no texto. A passagem que comprova isso está no 3º parágrafo: “explica Marcelo Eler, coordenador da pesquisa e professor da EACH”. Ou seja, as aspas delimitam uma citação direta — discurso alheio, sim, mas não “incorporado ao discurso do autor” de forma diluída; pelo contrário, é uma fala explicitamente atribuída a um interlocutor.

O comando da questão

A questão pede que o candidato julgue a afirmação sobre o emprego das aspas no trecho destacado. Trata-se de uma questão de compreensão textual aliada a conhecimento gramatical sobre a função das aspas. O verbo “indica” no enunciado aponta para a necessidade de identificar a função discursiva do sinal de pontuação no contexto específico, e não apenas sua definição genérica.

O texto e a passagem decisiva

O texto-base é uma reportagem sobre acessibilidade digital. No 3º parágrafo, o autor introduz a fala do professor Marcelo Eler com o verbo “explica” e, em seguida, transcreve suas palavras entre aspas:

“As avaliações não são suficientes numericamente. Imagina só, você tem um aplicativo com um bilhão de downloads. Mas, só há 300 pessoas questionando sobre acessibilidade. Por mais que deem feedbacks, as empresas responsáveis por essas tecnologias não priorizarão adotar novas posturas”, explica Marcelo Eler, coordenador da pesquisa e professor da EACH.

A estrutura é clássica de discurso direto: o verbo de elocução (“explica”) aparece depois da fala, e as aspas abrem e fecham a citação literal. Não há qualquer indicação de que o autor do texto esteja “incorporando” essa fala ao seu próprio discurso de forma indireta ou parafraseada. Pelo contrário, a citação é marcada e atribuída a uma fonte específica.

A técnica que decide

A pegadinha central está na expressão “ainda que esteja incorporada ao discurso do autor do texto”. Essa expressão sugere que as aspas estariam sendo usadas para integrar uma voz alheia ao texto do autor, como se fosse uma citação indireta ou uma intertextualidade sem marcação explícita. Mas isso é um erro conceitual:

  • Aspas em citação direta: marcam a transcrição exata das palavras de outra pessoa, com verbo de elocução explícito (disse, afirmou, explicou). É o caso do trecho.

  • Aspas em citação indireta: não existem — a citação indireta é parafraseada e não usa aspas.

  • Aspas para “incorporar” expressão alheia: quando o autor usa uma expressão de outra pessoa sem atribuição direta, como em “o famoso ‘jeitinho brasileiro’”. Nesse caso, as aspas sinalizam que a expressão não é do autor, mas não há verbo de elocução.

No trecho, há verbo de elocução explícito (“explica Marcelo Eler”), o que torna a citação direta e atribuída. A afirmação do enunciado, portanto, contradiz a estrutura do texto.

1Citação direta
Transcrição literal
Verbo de elocução explícito
Atribuída a fonte específica
2Citação indireta
Paráfrase
Não usa aspas
3Expressão alheia incorporada
Sem atribuição direta
Ex.: "jeitinho brasileiro"
Uso de aspas
LEVELsoulevel.com.br
Uso de aspas: Citação direta (Transcrição literal, Verbo de elocução explícito, Atribuída a fonte específica); Citação indireta (Paráfrase, Não usa aspas); Expressão alheia incorporada (Sem atribuição direta, Ex.: "jeitinho brasileiro")

Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o emprego das aspas indica “expressão de autoria alheia, ainda que esteja incorporada ao discurso do autor do texto”. O erro está na segunda parte: “incorporada ao discurso do autor”. No texto, a fala de Marcelo Eler não está incorporada ao discurso do autor; ela está claramente separada por aspas e atribuída a ele por meio do verbo “explica”. A citação é direta, não uma incorporação diluída. A alternativa extrapola e distorce a função das aspas no contexto.

Alternativa E — ✅ Correta (Gabarito)

A alternativa E nega a afirmação, e está correta. As aspas, no trecho, não indicam uma expressão “incorporada ao discurso do autor”; elas marcam a fala literal do professor Marcelo Eler, introduzida pelo verbo “explica”. A citação é direta e atribuída, e não uma voz diluída no texto do autor. A passagem que prova isso é:

“...não priorizarão adotar novas posturas”, explica Marcelo Eler, coordenador da pesquisa e professor da EACH.

O verbo “explica” revela que a fala é de outra pessoa, e as aspas delimitam exatamente onde começa e termina essa fala. Portanto, a afirmação do enunciado é falsa.

Conclusão

A questão testa a função das aspas em discurso direto. A banca tentou confundir o candidato ao sugerir que a citação estaria “incorporada” ao discurso do autor, mas a presença do verbo de elocução (“explica”) e a estrutura de citação direta desmontam essa interpretação. Gabarito: letra E (Errado).

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar o uso de aspas, sempre identifique se há um verbo de elocução (disse, afirmou, explicou) antes ou depois da fala. Se houver, é citação direta — as aspas marcam a fala de outra pessoa, não uma incorporação ao discurso do autor.

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