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Questão de Português — Conjunção — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsConjunção
Código
qa592006
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
MPE SC
Ano
2024
Cargo
Prom Jus ( )

No mínimo, as tecnologias deveriam ser desenvolvidas para atender às necessidades de todas as pessoas, sem distinção alguma.

 

No entanto, o Grupo de Pesquisa em Acessibilidade Digital, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, concluiu que, apesar do escasso número de avaliações dos usuários com deficiência visual ou condições oculares – fotofobia, daltonismo, baixa visão – em aplicativos, os feedbacks são suficientes para revelar falhas graves nas usabilidades dos aplicativos. Geralmente, as avaliações são utilizadas para aprimorar o refino das interfaces, ou para que os desenvolvedores projetem um novo software.

 

“As avaliações não são suficientes numericamente. Imagina só, você tem um aplicativo com um bilhão de downloads. Mas, só há 300 pessoas questionando sobre acessibilidade. Por mais que deem feedbacks, as empresas responsáveis por essas tecnologias não priorizarão adotar novas posturas”, explica Marcelo Eler, coordenador da pesquisa e professor da EACH. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 36 milhões de pessoas no mundo são cegas e outras 217 milhões têm baixa visão. No Brasil, a ausência de dados atualizados por meio do Censo prejudica estimar atualmente dados mais precisos.

 

O estudo é resultado das pesquisas de doutorado de Alberto de Oliveira e Paulo dos Santos, do Programa de Pós- - Graduação em Sistemas de Informação (PPgSI) da EACH, sob a orientação de Marcelo. Além disso, a pesquisa teve a colaboração de Wilson Júnior e Danilo Eler, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Wajdi Aljedaani, da Universidade do Norte do Texas (UNT), nos Estados Unidos. Eles observam que é “preciso que o mecanismo de avaliações seja explorado para deixar evidente às empresas que os problemas de usabilidade existem, importam e têm consequências sérias” [...].

 

“Para as pessoas sem deficiência, alguns comentários avaliando positivamente, solicitando melhorias, ou expondo alguma reclamação, podem parecer um detalhe ou uma frescura. E não é! A ausência de interfaces acessíveis impede as pessoas de serem autônomas, pois precisarão de alguém para auxiliá-las, como, por exemplo, num pedido de entrega de alimentos”, explica Marcelo ao mencionar a necessidade de evidências empíricas para romper com esses preconceitos ou atitudes capacitistas, ou seja, discriminação às pessoas com alguma deficiência.

 

Texto: Danilo Queiroz
(Disponível em: https://jornal.usp.br/diversidade. Adaptado.)

Produzindo um efeito contrastivo no enunciado em que está inserido, observa-se o emprego do termo “Mas” na quebra de expectativa criada pela proposição anterior.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor semântico do "mas" no texto: quebra de expectativa

Gabarito: C (CERTO). A afirmação está correta: no trecho do 2º parágrafo, o "Mas" introduz uma quebra de expectativa em relação à proposição anterior. O texto diz que os feedbacks são "suficientes para revelar falhas graves", mas, em seguida, o coordenador da pesquisa afirma que "as avaliações não são suficientes numericamente", criando um contraste com o que se poderia esperar. A passagem que ancora essa leitura é a fala de Marcelo Eler: "Mas, só há 300 pessoas questionando sobre acessibilidade".

O comando da questão é de compreensão do valor semântico de um conectivo no contexto. Não se trata de decorar a classe gramatical, mas de identificar o efeito de sentido que a conjunção "mas" produz no enunciado. A banca não pergunta "o que é 'mas'?", e sim "que efeito ele produz aqui?". Isso muda tudo: a resposta não está na gramática isolada, mas na relação lógica entre as orações que o conectivo articula.

No texto, o movimento argumentativo é o seguinte: o Grupo de Pesquisa conclui que os feedbacks são suficientes para revelar falhas graves. Essa é a proposição anterior. Em seguida, o professor Marcelo Eler contrapõe: "As avaliações não são suficientes numericamente". O "Mas" que aparece na sequência — "Mas, só há 300 pessoas questionando sobre acessibilidade" — não apenas soma uma informação; ele quebra a expectativa de que, se os feedbacks revelam falhas, eles seriam suficientes para gerar mudanças. A conjunção adversativa "mas" é o operador clássico de contraste, oposição e quebra de expectativa, como se vê no exemplo do material de apoio: "Foi em direção ao beijo, mas desistiu por timidez" — a segunda oração contraria o que a primeira fazia esperar.

A técnica para resolver é simples: substitua o "mas" por "porém" ou "contudo" e veja se o sentido de contraste se mantém. Se mantém, é adversativa. E, entre os matizes da adversidade (oposição, restrição, compensação, ressalva), o que o contexto revela é exatamente a quebra de expectativa: espera-se que feedbacks suficientes gerem ação das empresas, mas o número reduzido de avaliadores (300 em um bilhão de downloads) frustra essa expectativa. O "mas" marca essa frustração.

NÃO CAIA NESSA!

A banca não pergunta se "mas" é adversativa (isso seria óbvio demais); ela testa se você percebe o matiz específico — quebra de expectativa — que o contexto impõe. Quem decora "mas = oposição" e não lê o texto erra.

  1. 1Ler o contexto
  2. 2Substituir por 'porém'/'contudo'
  3. 3Sentido mantém?
  4. 4É adversativa
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Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. O texto apresenta a seguinte sequência lógica: o Grupo de Pesquisa conclui que os feedbacks são "suficientes para revelar falhas graves nas usabilidades dos aplicativos". Essa conclusão cria a expectativa de que as empresas, diante de feedbacks suficientes, priorizariam corrigir os problemas. No entanto, o professor Marcelo Eler quebra essa expectativa ao afirmar:

"As avaliações não são suficientes numericamente. Imagina só, você tem um aplicativo com um bilhão de downloads. Mas, só há 300 pessoas questionando sobre acessibilidade."

O "Mas" aqui introduz a informação que contraria a expectativa criada pela proposição anterior (a de que os feedbacks seriam suficientes). O contraste está entre a quantidade de downloads (bilhão) e o número ínfimo de avaliadores (300). A conjunção adversativa "mas" é o operador textual que sinaliza exatamente essa quebra de expectativa, um dos matizes clássicos das adversativas, conforme o material de apoio: "Foi em direção ao beijo, mas desistiu por timidez" (quebra de expectativa). Portanto, a afirmação do enunciado está plenamente sustentada pelo texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta porque contradiz o que o texto demonstra. O "Mas" no trecho citado não é um mero conector sem valor semântico; ele é uma conjunção coordenativa adversativa que estabelece contraste e quebra de expectativa entre a ideia de que os feedbacks são suficientes e a realidade de que são numericamente escassos. Se a alternativa E estivesse certa, o "Mas" poderia ser substituído por "e" ou "portanto" sem alteração de sentido — o que não ocorre. A substituição por "porém" ou "contudo" mantém o sentido, comprovando o valor adversativo. A alternativa E, portanto, contradiz o texto e a própria natureza do conectivo.

Conclusão: a questão cobra a semântica do conectivo no contexto. O "mas" é adversativo e, no trecho, produz quebra de expectativa — a proposição anterior (feedbacks suficientes) é contrariada pela informação seguinte (apenas 300 avaliadores). A alternativa C é a única que descreve corretamente esse efeito de sentido.

Gabarito: letra C.

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