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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
qa593679
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
CM BH
Ano
2024
Cargo
Red ( )

Carta Educação: Há como mensurar o início das fake news? Vivemos uma ascensão das notícias falsas?

 

Pollyana Ferrari: “As fake news sempre existiram. No meu livro eu cito relatos e resumos de jornais fake desde Roma Antiga. Então não é que a gente não tinha, sempre tivemos a imprensa marrom, o próprio Cidadão Kane, de 1941, é um exemplo, bem como a Guerra dos Mundos, de Orson Welles. Não estamos diante de um fenômeno novo, que começa em 2016. O que temos de considerar é a questão da escala.

 

Com as redes sociais, basicamente as temos há 14 anos, todo mundo ganhou voz, temos produção de conteúdo via celulares, blogs, influenciadores digitais. E, veja, eu não sou contra esse movimento, é positivo termos outras vozes para além da grande mídia. A questão é que nos grandes veículos há etapas de apuração de informação, um mínimo de checagem, independentemente da linha editorial que sigam. Não estou falando de viés político, mas de etapas de apuração. Com a pulverização, isso se perde. E, sim, estamos em um momento de ascensão das fake news, o que é muito preocupante.

 

Carta Educação: Qual a relação entre fake news e pós-verdade?

 

Pollyana Ferrari: A pós-verdade aponta para uma sociedade informacional que compartilha personas digitais, desejos que não tem lastro com o real. Vejo que às vezes as pessoas até têm dimensão de que determinada informação é falsa, mas como isso vai ao encontro do seu desejo, ela compartilha.

 

Carta Educação: Como isso ganha força e pode ser prejudicial no contexto digital da Internet e das redes sociais?

 

Pollyana Ferrari: Vamos imaginar duas situações. Um jovem, adaptado à presença nessas plataformas e que acredita mais nos seus amigos e na sua timeline do que nos veículos e até em seu professor. Agora, o idoso que, por sua vez, não está acostumado com a presença digital e que vinha de uma relação com a informação em que se preservava uma checagem mínima. Isso parece inofensivo, mas quando consideramos que só no Facebook há dois bilhões de pessoas, é preocupante. Isso sem contar os aplicativos de mensagens instantâneas, como o Whatsapp, um dos mais utilizados pelos brasileiros e um dos disseminadores de fake news em potencial. O que estou querendo dizer é que, geralmente, o dedo é mais rápido que o cérebro, se compartilha muita coisa sem checar informação, sem questionar de onde vem a foto, o vídeo. É preciso ter senso crítico e questionar o que se recebe.

 

(Ana Luiza Basílio, Carta Capital. 2018.)

Considerando os processos argumentativos na construção do discurso, entre os trechos destacados a seguir pode-se afirmar que um recurso argumentativo de exemplificação utilizado na primeira resposta dada pode ser evidenciado em:
  1. AAs fake news sempre existiram.”
  2. B“[...] eu não sou contra esse movimento [...]”
  3. CNo meu livro eu cito relatos e resumos de jornais fake desde Roma Antiga.”
  4. D“[...] sempre tivemos a imprensa marrom, o próprio Cidadão Kane, de 1941, é um exemplo, [...]”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “[...] sempre tivemos a imprensa marrom, o próprio Cidadão Kane, de 1941, é um exemplo, [...]”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Recurso argumentativo de exemplificação

Gabarito: letra D. O trecho que evidencia o recurso de exemplificação na primeira resposta é "[...] sempre tivemos a imprensa marrom, o próprio Cidadão Kane, de 1941, é um exemplo, [...]", pois a autora cita casos concretos (a imprensa marrom e o filme Cidadão Kane) para comprovar a tese de que as fake news sempre existiram. A passagem "o próprio Cidadão Kane, de 1941, é um exemplo" marca explicitamente a função de exemplificar.

O comando pede que você identifique, entre os trechos destacados, aquele que cumpre a função de exemplificar dentro da argumentação da primeira resposta. Não se trata de compreender o sentido global do texto, mas de reconhecer a estratégia argumentativa empregada: a autora não apenas afirma que as fake news sempre existiram; ela prova essa afirmação citando casos particulares que ilustram a regra geral.

Na primeira resposta, a tese é clara: "As fake news sempre existiram". Para sustentá-la, a autora recorre a dois movimentos: primeiro, menciona o próprio livro ("No meu livro eu cito relatos e resumos de jornais fake desde Roma Antiga"); depois, arrola exemplos históricos e culturais — a imprensa marrom, o filme Cidadão Kane (1941) e a Guerra dos Mundos (Orson Welles). O trecho da alternativa D concentra exatamente essa segunda estratégia, e o termo "é um exemplo" funciona como um marcador linguístico de exemplificação, tornando a intenção explícita.

A armadilha central da questão está em confundir exemplificação com outras funções argumentativas: a alternativa C também cita casos ("relatos e resumos de jornais fake desde Roma Antiga"), mas o faz como menção a uma fonte (o próprio livro da autora), não como exemplos destacados para ilustrar a tese. Já a alternativa A apresenta a tese em si, e a B expressa uma opinião/posicionamento da autora. A distinção entre essas funções é o que decide a questão.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar recursos argumentativos, procure os marcadores linguísticos que os sinalizam — "por exemplo", "é um exemplo", "como", "tal como" indicam exemplificação; "porque", "pois", "já que" indicam causa; "portanto", "logo" indicam conclusão. A presença do marcador é a pista mais confiável.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"As fake news sempre existiram."

Este trecho é a tese da primeira resposta, ou seja, a ideia central que a autora defende. Não há aqui exemplificação: a frase é uma afirmação geral que será comprovada pelos exemplos que vêm em seguida. A alternativa confunde tese com recurso argumentativo — a tese é o que se quer provar; a exemplificação é um dos meios de prová-la.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"[...] eu não sou contra esse movimento [...]"

Este trecho expressa um posicionamento pessoal da autora, uma opinião sobre a pulverização da produção de conteúdo. Não há exemplos aqui — há uma avaliação subjetiva ("não sou contra"). A alternativa acrescenta uma função que o trecho não desempenha: o trecho é uma ressalva/opinião, não uma exemplificação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"No meu livro eu cito relatos e resumos de jornais fake desde Roma Antiga."

Este trecho menciona casos ("relatos e resumos de jornais fake desde Roma Antiga"), mas a função predominante é remeter a uma fonte (o livro da autora) como autoridade/credibilidade, não destacar exemplos para ilustrar a tese. A diferença é sutil, mas decisiva: na alternativa C, a autora informa que cita em seu livro; na D, ela apresenta diretamente os exemplos (imprensa marrom, Cidadão Kane) e os rotula como tais ("é um exemplo"). A alternativa tangencia a ideia de exemplificação sem atingi-la plenamente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"[...] sempre tivemos a imprensa marrom, o próprio Cidadão Kane, de 1941, é um exemplo, [...]"

Este é o trecho que exemplifica de forma inequívoca. A autora cita dois casos concretos — a imprensa marrom e o filme Cidadão Kane — e o termo "é um exemplo" nomeia explicitamente a função do que está sendo dito. A estrutura é clássica de exemplificação: apresenta-se um caso particular ("Cidadão Kane, de 1941") como ilustração de uma afirmação geral (as fake news sempre existiram). O marcador "é um exemplo" é a prova textual de que o recurso argumentativo empregado é a exemplificação.

Conclusão: a questão testa a capacidade de reconhecer a função argumentativa de cada trecho. A alternativa D é a única em que a exemplificação é explícita e nomeada pelo próprio texto ("é um exemplo"), enquanto as demais exercem outras funções — tese (A), opinião (B) e menção a fonte (C). Ao identificar recursos argumentativos, procure sempre o marcador linguístico que revela a intenção do autor.

Gabarito: letra D

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