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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
qa593682
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
CM BH
Ano
2024
Cargo
Red ( )

Carta Educação: Há como mensurar o início das fake news? Vivemos uma ascensão das notícias falsas?

 

Pollyana Ferrari: “As fake news sempre existiram. No meu livro eu cito relatos e resumos de jornais fake desde Roma Antiga. Então não é que a gente não tinha, sempre tivemos a imprensa marrom, o próprio Cidadão Kane, de 1941, é um exemplo, bem como a Guerra dos Mundos, de Orson Welles. Não estamos diante de um fenômeno novo, que começa em 2016. O que temos de considerar é a questão da escala.

 

Com as redes sociais, basicamente as temos há 14 anos, todo mundo ganhou voz, temos produção de conteúdo via celulares, blogs, influenciadores digitais. E, veja, eu não sou contra esse movimento, é positivo termos outras vozes para além da grande mídia. A questão é que nos grandes veículos há etapas de apuração de informação, um mínimo de checagem, independentemente da linha editorial que sigam. Não estou falando de viés político, mas de etapas de apuração. Com a pulverização, isso se perde. E, sim, estamos em um momento de ascensão das fake news, o que é muito preocupante.

 

Carta Educação: Qual a relação entre fake news e pós-verdade?

 

Pollyana Ferrari: A pós-verdade aponta para uma sociedade informacional que compartilha personas digitais, desejos que não tem lastro com o real. Vejo que às vezes as pessoas até têm dimensão de que determinada informação é falsa, mas como isso vai ao encontro do seu desejo, ela compartilha.

 

Carta Educação: Como isso ganha força e pode ser prejudicial no contexto digital da Internet e das redes sociais?

 

Pollyana Ferrari: Vamos imaginar duas situações. Um jovem, adaptado à presença nessas plataformas e que acredita mais nos seus amigos e na sua timeline do que nos veículos e até em seu professor. Agora, o idoso que, por sua vez, não está acostumado com a presença digital e que vinha de uma relação com a informação em que se preservava uma checagem mínima. Isso parece inofensivo, mas quando consideramos que só no Facebook há dois bilhões de pessoas, é preocupante. Isso sem contar os aplicativos de mensagens instantâneas, como o Whatsapp, um dos mais utilizados pelos brasileiros e um dos disseminadores de fake news em potencial. O que estou querendo dizer é que, geralmente, o dedo é mais rápido que o cérebro, se compartilha muita coisa sem checar informação, sem questionar de onde vem a foto, o vídeo. É preciso ter senso crítico e questionar o que se recebe.

 

(Ana Luiza Basílio, Carta Capital. 2018.)

De acordo com as características do gênero textual apresentado, pode-se afirmar é possível identificar elementos que confirmam o emprego de uma linguagem híbrida quanto à variedade linguística no fragmento destacado em:
  1. ACom as redes sociais, basicamente as temos há 14 anos, [...]”
  2. BNão estamos diante de um fenômeno novo, que começa em 2016.”
  3. CEntão não é que a gente não tinha, sempre tivemos a imprensa marrom, [...]”
  4. DA pós-verdade aponta para uma sociedade informacional que compartilha personas digitais, [...]”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “Então não é que a gente não tinha, sempre tivemos a imprensa marrom, [...]”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linguagem híbrida na entrevista: formalidade e coloquialidade

Gabarito: letra C. O trecho “Então não é que a gente não tinha, sempre tivemos a imprensa marrom” é o único que mistura marcas de oralidade/coloquialidade (“a gente”, “não é que”) com a estrutura formal da entrevista, configurando a linguagem híbrida pedida. As demais alternativas mantêm registro predominantemente formal, sem essa mescla.

A questão pede que você identifique, no fragmento destacado, elementos que comprovem o emprego de uma linguagem híbrida quanto à variedade linguística. Ou seja: não basta o texto ser uma entrevista (gênero que já mistura fala e escrita); é preciso que o trecho específico apresente, em si, marcas de dois registros diferentes — o formal/culto e o informal/coloquial.

No trecho da alternativa C, temos:

“Então não é que a gente não tinha, sempre tivemos a imprensa marrom, [...]”

Aqui, a expressão “a gente” é típica da linguagem coloquial (em vez de “nós”), e a construção “não é que” é uma marca de oralidade, usada para enfatizar ou introduzir uma explicação de forma espontânea. Ao mesmo tempo, o restante da frase (“sempre tivemos a imprensa marrom”) mantém a estrutura sintática da norma culta. Essa convivência entre o coloquial e o formal é exatamente o que caracteriza a linguagem híbrida.

As outras alternativas apresentam construções formalmente corretas e neutras, sem marcas evidentes de coloquialidade:

  • A) “Com as redes sociais, basicamente as temos há 14 anos, [...]” — o advérbio “basicamente” é informal, mas a estrutura “as temos” é formal; não há uma mescla tão clara quanto em C.

  • B) “Não estamos diante de um fenômeno novo, que começa em 2016.” — registro formal, sem marcas coloquiais.

  • D) “A pós-verdade aponta para uma sociedade informacional que compartilha personas digitais, [...]” — vocabulário técnico e formal, sem coloquialismos.

Portanto, a alternativa C é a única que explicitamente combina os dois registros no mesmo fragmento.

1Formal/culto
Estrutura sintática da norma culta
Vocabulário técnico
2Informal/coloquial
"a gente"
"não é que"
Marcas de oralidade
3Resultado
Convivência dos dois registros
Caracteriza o hibridismo
Linguagem híbrida
LEVELsoulevel.com.br
Linguagem híbrida: Formal/culto (Estrutura sintática da norma culta, Vocabulário técnico); Informal/coloquial ("a gente", "não é que", Marcas de oralidade); Resultado (Convivência dos dois registros, Caracteriza o hibridismo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O trecho “Com as redes sociais, basicamente as temos há 14 anos” apresenta o advérbio “basicamente”, que pode ser considerado informal, mas a estrutura “as temos” (pronome oblíquo átono antes do verbo) é formal. A mistura é sutil e não tão evidente quanto em C; além disso, o foco da questão é a variedade linguística (formal × informal), e aqui predomina o registro formal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Não estamos diante de um fenômeno novo, que começa em 2016.” — construção totalmente formal, sem marcas de oralidade ou coloquialismo. Não há hibridismo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, o trecho combina “a gente” (coloquial) e “não é que” (oralidade) com a estrutura formal da entrevista, configurando a linguagem híbrida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“A pós-verdade aponta para uma sociedade informacional que compartilha personas digitais” — vocabulário técnico e formal, sem marcas de coloquialidade. Não há hibridismo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com trechos que, embora façam parte de uma entrevista (gênero oral), não apresentam marcas explícitas de coloquialidade. A chave é procurar expressões tipicamente informais como “a gente”, “pra”, “tá”, “né”, que evidenciam a mistura de registros.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar linguagem híbrida, procure por marcas de oralidade (coloquialismos, contrações, expressões populares) convivendo com estruturas formais. Se o trecho for inteiramente formal ou inteiramente informal, não há hibridismo.

Gabarito: letra C — a única que comprova, no fragmento, o emprego de linguagem híbrida (formal + coloquial).

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