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Questão de Português — Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa) — Quadrix 2024

PortuguêsVozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Código
qa596630
Banca
Quadrix
Órgão
CAU RN
Ano
2024
Cargo
Ana Fisc ( )

Morar


Morar é humano. Animais selvagens têm ninhos, gado tem estábulos, carruagens encaixam‑se em galpões, e existem garagens para automóveis. Apenas humanos moram. Morar é uma arte. Toda aranha nasce com uma compulsão para tecer um tipo específico de teia. Aranhas, como todos os animais, são programadas por seus genes. O humano é o único animal que é um artista, e a arte de morar é parte da arte de viver. Uma morada não é um ninho nem uma garagem.


A maior parte das línguas usa viver no sentido de morar. Fazer a pergunta “onde você vive?” é perguntar qual é o lugar onde sua existência diária dá forma ao mundo. Diga‑me como moras e te direi quem és. Essa equação de morar e viver remonta a tempos nos quais o mundo ainda era habitável e os humanos eram habitantes. Morar, então, significava habitar os próprios traços, deixar a vida cotidiana escrever as teias e nós de sua biografia na paisagem. Essa escrita poderia ser gravada em pedra por sucessivas gerações ou rabiscada novamente a cada temporada de chuvas com alguns juncos e folhas. Os traços habitáveis do homem eram tão efêmeros quanto seus habitantes.


Ivan Illich. No espelho do passado. São Paulo: n‑1 edições, 2024.

Texto para o item.

 

Em relação aos aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo.

 

A locução verbal “poderia ser gravada” indica voz passiva, e a reescrita desse trecho, na voz ativa, seria poderiam gravar.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Voz passiva analítica e conversão para a voz ativa

Gabarito: C (Certo). A locução verbal “poderia ser gravada” está, sim, na voz passiva analítica (verbo auxiliar ser + particípio gravada), e a reescrita na voz ativa seria “poderiam gravar”. A conversão está correta porque o sujeito paciente “Essa escrita” (implícito) vira objeto direto na ativa, e o verbo auxiliar “poder” concorda com o novo sujeito indeterminado “eles” (3ª pessoa do plural). A passagem que ancora a análise está no 2º parágrafo do texto.

“Essa escrita poderia ser gravada em pedra por sucessivas gerações ou rabiscada novamente a cada temporada de chuvas com alguns juncos e folhas.”

Aqui, “Essa escrita” é o sujeito paciente: ela recebe a ação de ser gravada. Na voz ativa, quem grava são “sucessivas gerações” (agente da passiva), e o que é gravado é “essa escrita” (objeto direto). A forma ativa correspondente é “sucessivas gerações poderiam gravar essa escrita em pedra” — ou, sem explicitar o agente, “poderiam gravar essa escrita em pedra”, exatamente como propõe o item.

O comando da questão

O item é de julgamento (Certo/Errado) e cobra dois conhecimentos articulados: (1) reconhecer a voz passiva analítica na locução “poderia ser gravada” e (2) saber converter para a voz ativa sem alterar o sentido. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto: a resposta depende da estrutura morfossintática do trecho, não do conteúdo filosófico do autor.

A técnica que decide

A voz passiva analítica é formada por verbo auxiliar (ser/estar) + particípio do verbo principal. Em “poderia ser gravada”, temos o auxiliar “ser” no futuro do pretérito (“poderia ser”) + particípio “gravada”. O sujeito da oração é paciente — ele sofre a ação, não a pratica.

Para converter para a voz ativa, o procedimento é:

  1. O sujeito paciente da passiva vira objeto direto na ativa.

  2. O agente da passiva (se houver) vira sujeito na ativa.

  3. O verbo auxiliar “ser” some; o particípio volta ao infinitivo; o verbo “poder” mantém o tempo (futuro do pretérito) e concorda com o novo sujeito.

Aplicando ao trecho:

  • Passiva: “Essa escrita poderia ser gravada (por sucessivas gerações)”

  • Ativa: “(Sucessivas gerações) poderiam gravar essa escrita”

Como o agente não precisa ser repetido, a forma “poderiam gravar” (3ª pessoa do plural, sujeito indeterminado) é perfeitamente adequada e preserva o sentido original.

Análise do item

  1. 1Sujeito paciente vira objeto direto
  2. 2Agente da passiva vira sujeito
  3. 3Particípio volta ao infinitivo
  4. 4Auxiliar 'ser' some; tempo preservado
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Item — ✅ CERTOGABARITO

O item faz duas afirmações, ambas verdadeiras:

  1. “A locução verbal ‘poderia ser gravada’ indica voz passiva” — correto. Há o auxiliar “ser” + particípio “gravada”, configurando voz passiva analítica. O sujeito “Essa escrita” é paciente.

  1. “a reescrita desse trecho, na voz ativa, seria poderiam gravar” — correto. A conversão mantém o tempo verbal (futuro do pretérito, agora no auxiliar “poderiam”) e o particípio volta à forma infinitiva “gravar”. O sujeito indeterminado (3ª pessoa do plural) é recurso legítimo quando não se quer nomear o agente.

Não há qualquer incompatibilidade com o texto. A conversão respeita a regência e o sentido original: algo (a escrita) pode ser gravado por alguém (gerações).

PEGA ESSA DICA!

Na conversão ativa ↔ passiva, confira sempre três pontos: (1) o tempo verbal foi preservado? (2) o sujeito paciente virou objeto direto? (3) o particípio voltou ao infinitivo? Se qualquer um falhar, a reescrita está errada.

Gabarito: C (Certo).

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