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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — Quadrix 2024

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
qa596631
Banca
Quadrix
Órgão
CAU RN
Ano
2024
Cargo
Ana Fisc ( )

Morar


Morar é humano. Animais selvagens têm ninhos, gado tem estábulos, carruagens encaixam‑se em galpões, e existem garagens para automóveis. Apenas humanos moram. Morar é uma arte. Toda aranha nasce com uma compulsão para tecer um tipo específico de teia. Aranhas, como todos os animais, são programadas por seus genes. O humano é o único animal que é um artista, e a arte de morar é parte da arte de viver. Uma morada não é um ninho nem uma garagem.


A maior parte das línguas usa viver no sentido de morar. Fazer a pergunta “onde você vive?” é perguntar qual é o lugar onde sua existência diária dá forma ao mundo. Diga‑me como moras e te direi quem és. Essa equação de morar e viver remonta a tempos nos quais o mundo ainda era habitável e os humanos eram habitantes. Morar, então, significava habitar os próprios traços, deixar a vida cotidiana escrever as teias e nós de sua biografia na paisagem. Essa escrita poderia ser gravada em pedra por sucessivas gerações ou rabiscada novamente a cada temporada de chuvas com alguns juncos e folhas. Os traços habitáveis do homem eram tão efêmeros quanto seus habitantes.


Ivan Illich. No espelho do passado. São Paulo: n‑1 edições, 2024.

Texto para o item.

 

Em relação aos aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo.

 

O último período do texto apresenta duas orações, sendo uma delas classificada como subordinada adverbial proporcional.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações subordinadas adverbiais: proporcionalidade no último período

Gabarito: E (Errado). O último período do texto — "Os traços habitáveis do homem eram tão efêmeros quanto seus habitantes" — apresenta duas orações, sim, mas a segunda não é subordinada adverbial proporcional; é uma subordinada adverbial comparativa, introduzida pela correlação "tão... quanto". A banca trocou a classificação para induzir o candidato a marcar "Certo".

Vamos ao método. O comando pede um julgamento (Certo/Errado) sobre a estrutura sintática do último período. Isso é gramática aplicada ao texto: você precisa contar as orações e classificar a relação entre elas. Não é interpretação de sentido, é análise sintática — mas sempre ancorada no que está escrito.

O último período do texto é:

"Os traços habitáveis do homem eram tão efêmeros quanto seus habitantes."

Aqui temos duas orações:

  1. Oração principal: "Os traços habitáveis do homem eram tão efêmeros" — verbo eram (predicativo do sujeito "traços").

  2. Oração subordinada adverbial comparativa: "quanto seus habitantes" — verbo eram elíptico (subentendido: "quanto [eram] seus habitantes").

A conjunção "quanto", correlacionada ao "tão" da oração principal, estabelece uma comparação de igualdade: os traços eram efêmeros na mesma medida que os habitantes. Isso é o traço clássico da oração subordinada adverbial comparativa.

A oração subordinada adverbial proporcional, por sua vez, expressa correlação de proporção — uma grandeza varia na mesma proporção que outra. Suas conjunções típicas são: "à medida que", "à proporção que", "quanto mais... mais", "quanto menos... menos". Exemplo: "Quanto mais estudo, mais aprendo" — aqui há proporcionalidade, não comparação.

No texto, não há nenhuma dessas conjunções proporcionais. O par "tão... quanto" é comparativo. Portanto, a afirmação de que há uma subordinada adverbial proporcional é falsa.

Orações subordinadas adverbiais
  • 1Comparativa
    • Conjunção: tão... quanto
    • Compara qualidades/quantidades
    • Ex.: "tão efêmeros quanto seus habitantes"
  • 2Proporcional
    • Conjunções: à medida que, quanto mais... mais
    • Correlaciona variações
    • Ex.: "Quanto mais estudo, mais aprendo"
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NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre comparativa e proporcional. Ambas envolvem uma relação de correspondência, mas a comparativa compara qualidades/quantidades (tão... quanto), enquanto a proporcional correlaciona variações (à medida que, quanto mais... mais). Aqui, o "tão... quanto" é inequivocamente comparativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar orações adverbiais, identifique a conjunção e o tipo de relação que ela estabelece. "Tão... quanto" = comparação; "à medida que" = proporção; "quando" = tempo; "porque" = causa. Não se deixe levar pelo sentido vago de "correspondência".

Conclusão: o item está ERRADO porque, embora o período tenha duas orações, a subordinada é comparativa, não proporcional. A banca trocou o tipo de oração para testar seu domínio das conjunções adverbiais.

Gabarito: E (Errado).

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