Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa596632
Banca
Quadrix
Órgão
CAU RN
Ano
2024
Cargo
Ana Fisc ( )
Os bancos contam histórias
Numa tarde ensolarada de domingo, as folhas das árvores dançavam suavemente com a brisa no parque da cidade. Entre os caminhos ladeados por grama verde, havia bancos de madeira e ferro fundido, testemunhas silenciosas das histórias diárias de transeuntes.
João, um homem dos seus quarenta, com um semblante pensativo, caminhou até um desses bancos e fez uma observação audível para si mesmo: "Dá pra sentar, mas deitar, não!” Era um comentário sobre a estrutura do banco, com barras de metal dispostas de tal forma que impedia uma pessoa de se esticar completamente.
A seu lado, Lucas, seu filho curioso de dez anos, que tinha se acomodado no banco, olhou para o design com uma sobrancelha arqueada e falou com a inocência de uma criança: “Eles não pensaram nisso?”.
João, acariciando a cabeça do menino, respondeu com uma mistura de humor e melancolia: “Pensaram, filho”. Sua voz trazia um peso, uma crítica velada aos criadores daquele espaço público.
Lucas, com os olhos arregalados, esperava mais uma de suas explicações fascinantes. João, inspirando profundamente o ar fresco do parque, continuou: “É uma arquitetura hostil, meu querido. É para sentar, mas não para relaxar plenamente, não para se entregar ao repouso.
Diógenes Majela.In Histórias modernas.
Texto para o item.
Em relação aos aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo.
A instalação de pedras sob um viaduto é um exemplo do tipo de artefato que tem sido usado em muitas cidades como o que se chama de “arquitetura hostil”
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Arquitetura hostil: o que o texto realmente diz
Gabarito: letra C (Certo). A afirmação está correta porque o texto define o que é "arquitetura hostil" e essa definição se aplica a qualquer artefato urbano que impeça o uso pleno do espaço público, como as pedras sob um viaduto. A passagem que ancora essa conclusão é a fala de João: "É uma arquitetura hostil, meu querido. É para sentar, mas não para relaxar plenamente, não para se entregar ao repouso." O texto não cita pedras sob viaduto, mas a definição dada é genérica e abrange esse tipo de instalação.
O comando pede que você julgue se a afirmação está de acordo com o texto. Isso é uma questão de compreensão (recorrência) com um toque de inferência: a resposta não está literalmente escrita, mas é uma dedução lógica a partir da definição apresentada. O texto não menciona "pedras sob viaduto", mas define o conceito de forma ampla, e o exemplo citado na assertiva é uma aplicação clássica desse conceito.
O texto é uma narrativa curta: João e seu filho Lucas estão em um parque, observando um banco com barras de metal que impedem deitar. João explica que isso é "arquitetura hostil", ou seja, um design que permite sentar, mas não relaxar plenamente. A ideia central é que certos mobiliários urbanos são projetados para desencorajar usos considerados indesejados, como deitar ou permanecer por muito tempo.
A técnica para resolver é: identifique a definição dada no texto e veja se o exemplo da assertiva se encaixa nela. O texto diz que arquitetura hostil é algo "para sentar, mas não para relaxar plenamente, não para se entregar ao repouso". Pedras sob um viaduto, na prática, servem para sentar, mas não para deitar ou descansar confortavelmente — exatamente o mesmo princípio. Portanto, a afirmação é uma aplicação válida do conceito, mesmo que o exemplo não esteja no texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você achar que, por o texto não citar "pedras sob viaduto", a afirmação seria errada. Mas o texto define o conceito de forma genérica, e o exemplo é uma mera ilustração. Não confunda ausência de menção com contradição.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, pergunte-se: "o texto autoriza essa afirmação?" Se a definição dada no texto abrange o exemplo citado, a afirmação está correta, mesmo que o exemplo não apareça literalmente.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação está correta porque o texto define "arquitetura hostil" como algo que "é para sentar, mas não para relaxar plenamente, não para se entregar ao repouso". Essa definição se aplica a qualquer artefato urbano que tenha essa finalidade, incluindo pedras sob um viaduto. O texto não cita esse exemplo, mas a definição é ampla o suficiente para abrangê-lo. A passagem que sustenta isso é:
"É uma arquitetura hostil, meu querido. É para sentar, mas não para relaxar plenamente, não para se entregar ao repouso."
Aqui, João explica o conceito de forma genérica, e a assertiva apenas dá um exemplo concreto. Isso não contradiz o texto; ao contrário, é uma aplicação coerente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmação está incorreta se você interpretar que o texto não menciona pedras sob viaduto e, portanto, a assertiva seria falsa. Mas isso é um erro de extrapolação ao contrário: a banca quer que você acredite que, por não estar no texto, a afirmação é inválida. No entanto, o texto define o conceito de forma genérica, e o exemplo é uma mera ilustração. A definição dada no texto autoriza a afirmação, pois pedras sob viaduto se enquadram na descrição de "arquitetura hostil". Portanto, a alternativa E está errada.
Conclusão: a resposta é a letra C (Certo), pois a afirmação está de acordo com o texto, que define "arquitetura hostil" de forma genérica, e o exemplo citado é uma aplicação válida desse conceito. Lembre-se: em questões de compreensão, o que importa é se o texto autoriza a afirmação, não se o exemplo está literalmente escrito.