Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — Quadrix 2024
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
qa596633
Banca
Quadrix
Órgão
CAU RN
Ano
2024
Cargo
Ana Fisc ( )
Os bancos contam histórias
Numa tarde ensolarada de domingo, as folhas das árvores dançavam suavemente com a brisa no parque da cidade. Entre os caminhos ladeados por grama verde, havia bancos de madeira e ferro fundido, testemunhas silenciosas das histórias diárias de transeuntes.
João, um homem dos seus quarenta, com um semblante pensativo, caminhou até um desses bancos e fez uma observação audível para si mesmo: "Dá pra sentar, mas deitar, não!” Era um comentário sobre a estrutura do banco, com barras de metal dispostas de tal forma que impedia uma pessoa de se esticar completamente.
A seu lado, Lucas, seu filho curioso de dez anos, que tinha se acomodado no banco, olhou para o design com uma sobrancelha arqueada e falou com a inocência de uma criança: “Eles não pensaram nisso?”.
João, acariciando a cabeça do menino, respondeu com uma mistura de humor e melancolia: “Pensaram, filho”. Sua voz trazia um peso, uma crítica velada aos criadores daquele espaço público.
Lucas, com os olhos arregalados, esperava mais uma de suas explicações fascinantes. João, inspirando profundamente o ar fresco do parque, continuou: “É uma arquitetura hostil, meu querido. É para sentar, mas não para relaxar plenamente, não para se entregar ao repouso.
Diógenes Majela.In Histórias modernas.
Texto para o item.
Em relação aos aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo.
A construção "Dá pra sentar" tem como equivalente a construção “É permitido sentar”.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Equivalência semântica de "Dá pra sentar"
Gabarito: letra E (Errado). A construção "Dá pra sentar" não equivale a "É permitido sentar": a primeira expressa possibilidade física (é possível, é viável), enquanto a segunda expressa permissão/norma (algo ou alguém autoriza). O próprio texto desfaz a equivalência ao explicar o comentário de João: "Era um comentário sobre a estrutura do banco, com barras de metal dispostas de tal forma que impedia uma pessoa de se esticar completamente". A fala de João descreve uma limitação material do objeto, não uma regra de conduta.
O comando
A questão pede que se julgue se duas construções são equivalentes — ou seja, se carregam o mesmo sentido. Isso é uma tarefa de significação de vocábulo e expressões: não basta saber o que cada frase significa isoladamente; é preciso comparar o efeito de sentido de cada uma no contexto. A banca não pergunta se "Dá pra" é uma forma correta ou se "É permitido" é sinônimo literal; pergunta se a troca preserva o sentido.
O texto
O texto é uma crônica narrativa sobre um banco de parque com "arquitetura hostil". João comenta: "Dá pra sentar, mas deitar, não!". O narrador explica que o comentário era "sobre a estrutura do banco, com barras de metal dispostas de tal forma que impedia uma pessoa de se esticar completamente". Ou seja, a fala de João descreve uma característica física do banco: ele permite sentar, mas não deitar. Não há qualquer menção a regras, leis ou autorizações.
A técnica que decide
A distinção central é entre possibilidade e permissão:
Expressão
Sentido
Exemplo típico
"Dá pra"
Possibilidade física/viabilidade
"Dá pra abrir a janela?" (é possível abrir)
"É permitido"
Permissão/norma
"É permitido fumar aqui?" (alguém autoriza)
No texto, "Dá pra sentar" descreve o que o banco permite fisicamente — a estrutura comporta uma pessoa sentada. Já "É permitido sentar" remeteria a uma autorização externa (um regulamento, uma placa, uma norma), que não existe no texto. A troca altera o sentido, pois introduz uma ideia de permissão normativa que o texto não contém.
PEGA ESSA DICA!
Ao julgar equivalência de expressões, pergunte-se: "a troca preserva o mesmo tipo de sentido (possibilidade, permissão, obrigação, desejo)?". Se muda a categoria semântica, não é equivalente.
Análise do item
Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO
A afirmação "A construção 'Dá pra sentar' tem como equivalente a construção 'É permitido sentar'" está errada. O texto mostra que "Dá pra sentar" expressa possibilidade física:
"Era um comentário sobre a estrutura do banco, com barras de metal dispostas de tal forma que impedia uma pessoa de se esticar completamente."
A fala de João descreve o que o banco comporta (sentar) e o que não comporta (deitar). Não há qualquer referência a permissão, autorização ou norma. "É permitido sentar" traria um sentido de permissão externa — como se houvesse uma regra permitindo sentar —, o que não existe no texto. A troca extrapola o sentido original, acrescentando uma ideia de norma que o texto não sustenta.
Conclusão: a banca pede que se julgue a equivalência entre as construções. Como "Dá pra sentar" expressa possibilidade física e "É permitido sentar" expressa permissão normativa, os sentidos não são equivalentes. O item está errado.