Numa tarde ensolarada de domingo, as folhas das árvores dançavam suavemente com a brisa no parque da cidade. Entre os caminhos ladeados por grama verde, havia bancos de madeira e ferro fundido, testemunhas silenciosas das histórias diárias de transeuntes.
João, um homem dos seus quarenta, com um semblante pensativo, caminhou até um desses bancos e fez uma observação audível para si mesmo: "Dá pra sentar, mas deitar, não!” Era um comentário sobre a estrutura do banco, com barras de metal dispostas de tal forma que impedia uma pessoa de se esticar completamente.
A seu lado, Lucas, seu filho curioso de dez anos, que tinha se acomodado no banco, olhou para o design com uma sobrancelha arqueada e falou com a inocência de uma criança: “Eles não pensaram nisso?”.
João, acariciando a cabeça do menino, respondeu com uma mistura de humor e melancolia: “Pensaram, filho”. Sua voz trazia um peso, uma crítica velada aos criadores daquele espaço público.
Lucas, com os olhos arregalados, esperava mais uma de suas explicações fascinantes. João, inspirando profundamente o ar fresco do parque, continuou: “É uma arquitetura hostil, meu querido. É para sentar, mas não para relaxar plenamente, não para se entregar ao repouso.
Diógenes Majela.In Histórias modernas.
Texto para o item.
Em relação aos aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo.
Na construção de “É uma arquitetura hostil” , ao se substituir a forma verbal “É” por Trata‑se e ao se fazer as adaptações necessárias em razão dessa troca, o termo “arquitetura” passaria a integrar o sujeito.
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GabaritoE — Errado
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Reescritura com “Trata-se” e a função sintática de “arquitetura”
Gabarito: letra E (Errado). Ao substituir “É” por “Trata-se”, o termo “arquitetura” não passa a integrar o sujeito — ele continua exercendo a função de predicativo do sujeito, agora de um sujeito oracional (a oração “de arquitetura hostil” é o sujeito de “Trata-se”). A afirmação do item está incorreta porque confunde a função sintática do termo após a reescritura.
A questão exige análise sintática aplicada a uma reescritura — não é uma simples pergunta de compreensão, mas de gramática em contexto. O comando pede que se avalie o efeito da troca de “É” por “Trata-se” sobre a função do termo “arquitetura”. Para resolver, é preciso conhecer a estrutura de duas construções: a do verbo “ser” (predicativo do sujeito) e a do verbo impessoal “tratar-se” (que exige sujeito oracional).
No texto, a frase original é:
“É uma arquitetura hostil, meu querido.”
Aqui, o sujeito é desinencial (oculto): “(isso) é uma arquitetura hostil”. O termo “uma arquitetura hostil” é predicativo do sujeito, pois atribui uma característica ao sujeito por meio do verbo de ligação “é”.
Ao reescrever com “Trata-se”, a estrutura muda completamente:
“Trata-se de uma arquitetura hostil.”
O verbo “tratar-se” (na acepção de “ser a respeito de”) é impessoal — fica sempre na 3ª pessoa do singular e não possui sujeito simples. O que era predicativo na construção original passa a ser o sujeito oracional da nova construção. Veja a análise:
Sujeito oracional: “de uma arquitetura hostil” (oração reduzida de infinitivo, com núcleo “arquitetura”)
Verbo: “Trata-se” (impessoal, 3ª pessoa do singular)
Predicativo do sujeito: não há, pois o verbo é impessoal e não há predicativo.
Portanto, o termo “arquitetura” não vira sujeito; ele permanece como núcleo do sujeito oracional, mas o sujeito é a oração inteira, não o termo isolado. A afirmação do item está errada.
"É uma arquitetura hostil"
1Sujeito desinencial (oculto)
2Verbo de ligação "é"
3"arquitetura hostil" = predicativo do sujeito
4"Trata-se de uma arquitetura hostil"
Verbo impessoal "trata-se"
Sujeito oracional: "de uma arquitetura hostil"
"arquitetura" = núcleo do sujeito oracional
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Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que o item está certo, ou seja, que “arquitetura” passaria a integrar o sujeito. Isso é falso. Como demonstrado, após a reescritura, “arquitetura” é o núcleo do sujeito oracional “de uma arquitetura hostil”, mas o sujeito é a oração inteira, não o termo isolado. A banca tenta confundir o candidato fazendo-o achar que o termo “arquitetura” vira sujeito simples, mas isso não ocorre. O erro é de troca de conceito: confundir núcleo do sujeito com sujeito.
Alternativa E — ✅ Correta
A alternativa E afirma que o item está errado, e é exatamente isso. A reescritura com “Trata-se” não faz “arquitetura” virar sujeito; ela continua como predicativo do sujeito na construção original e, na nova, passa a ser núcleo do sujeito oracional. A afirmação do item é incorreta, portanto a alternativa E é a gabarito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato achar que “arquitetura” vira sujeito após a troca, mas ela continua sendo predicativo do sujeito (oracional).
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever com “Trata-se”, lembre-se de que esse verbo é impessoal e exige sujeito oracional. O termo que era predicativo na construção com “ser” vira núcleo do sujeito oracional, mas não vira sujeito simples.
Conclusão: a reescritura com “Trata-se” não altera a função de “arquitetura” para sujeito; ela continua como predicativo do sujeito (na original) e, na nova, como núcleo do sujeito oracional. Portanto, o item está errado.