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Questão de Português — Função Sintática dos Pronomes Pessoais Átonos — Quadrix 2024

PortuguêsFunção Sintática dos Pronomes Pessoais Átonos
Código
qa596663
Banca
Quadrix
Órgão
CAU RN
Ano
2024
Cargo
Ass Adm ( )

Divinos devaneios


Em um diálogo um tanto peculiar, Senhor Almeida, com uma veemência quase celestial, adverte seu colega de trabalho, Niemeyer: “Niemeyer, não mexa mais em meus projetos! Ok? Eles seguem um propósito divino! Ei, não tô brincando!”.


Contudo, Niemeyer parece absorto em seus próprios pensamentos, mal notando o crescente fervor de Senhor Almeida. “Assim posso acabar fazendo algo que não gosto contigo. É sério, tá bom? Então não...”, prossegue Senhor Almeida, antes de ser interrompido por um comentário desconexo de Niemeyer, que murmura.


“Você tá me escutando?” Senhor Almeida pressiona, esperando alguma validação de seu ponto.


“Huummm...”, Niemeyer responde, com som mais de contemplação que de compreensão.


Senhor Almeida, um homem de ação e palavras, agora confronta o silêncio e a abstração. Ele para, observa e, em um momento de revelação tranquila, concede.


A calma substitui a consternação enquanto Niemeyer assiste, com um leve sorriso nos lábios, à aceitação serena de Senhor Almeida à estranheza do momento, simbolizada por algo imaginário que se apoderou de suas preocupações.


Gabriel Pedroso Teixeira

Texto para o item

 

Em relação aos aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo.

 

o pronome oblíquo “me” é, ao mesmo tempo, objeto direto de “tá” e sujeito de “escutando”.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática do pronome "me" no trecho

Gabarito: letra E (Errado). A afirmação de que o pronome oblíquo "me" é, ao mesmo tempo, objeto direto de "tá" e sujeito de "escutando" está incorreta. No trecho do texto, "me" ocorre apenas uma vez, na fala de Senhor Almeida: "Você tá me escutando?". Nessa oração, "me" é objeto direto do verbo "escutando" — e não há relação alguma com o verbo "tá". A banca tenta confundir o candidato ao misturar duas orações diferentes e atribuir ao pronome uma dupla função que ele não exerce.

O comando da questão

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação a respeito da função sintática do pronome "me". Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o sentido, mas de analisar a estrutura sintática de um trecho específico. O comando exige que você identifique a função do pronome na oração em que ele aparece — e, para isso, é preciso localizar o trecho exato e analisar a relação do pronome com os verbos.

O trecho em análise

No texto, a fala de Senhor Almeida contém a pergunta:

"Você tá me escutando?"

Aqui, temos a oração: "Você tá me escutando?". O verbo é "escutando" (gerúndio do verbo escutar), que é transitivo direto — exige complemento sem preposição. O pronome "me" exerce exatamente essa função: é o objeto direto de "escutando". O verbo "tá" (forma reduzida de "está") é um verbo auxiliar que, junto com o gerúndio, forma a locução verbal "tá escutando". Nessa locução, o pronome "me" se liga ao verbo principal "escutando", não ao auxiliar "tá".

A afirmação da banca diz que "me" é objeto direto de "tá" — o que já é um erro, pois "tá" é verbo auxiliar e não rege objeto direto. E também diz que "me" é sujeito de "escutando" — outro erro, pois o sujeito da oração é "você", e o pronome oblíquo átono "me" nunca exerce função de sujeito nesse contexto.

A regra que decide

Os pronomes pessoais oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) exercem, em geral, função de complemento verbal — objeto direto ou objeto indireto —, e não de sujeito. O sujeito é representado por pronome do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles) ou por um sintagma nominal. No trecho, o sujeito de "escutando" é "você" (pronome de tratamento com valor de 2ª pessoa, mas flexionado na 3ª). O pronome "me" é o complemento do verbo, ou seja, o objeto direto.

Além disso, cada ocorrência de um pronome exerce uma única função sintática na oração em que se encontra. Não é possível que o mesmo "me" seja, ao mesmo tempo, objeto direto de um verbo e sujeito de outro, porque isso exigiria que ele estivesse em duas orações diferentes com funções distintas — o que não ocorre aqui. O pronome aparece uma única vez, e sua função é clara.

1Função típica
Objeto direto
Objeto indireto
2Nunca sujeito
Sujeito = caso reto ou sintagma nominal
3Uma única função por ocorrência
Pronome oblíquo átono
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Pronome oblíquo átono: Função típica (Objeto direto, Objeto indireto); Nunca sujeito (Sujeito = caso reto ou sintagma nominal); Uma única função por ocorrência

Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação está errada por dois motivos: (1) "me" não é objeto direto de "tá", pois "tá" é verbo auxiliar da locução "tá escutando"; (2) "me" não é sujeito de "escutando", pois o sujeito é "você". O pronome "me" é, na verdade, objeto direto de "escutando". A banca comete uma troca de conceitos: atribui ao pronome funções que ele não exerce, misturando a análise de duas orações diferentes.

Alternativa E — ✅ Correta

A alternativa E (Errado) é o gabarito, pois a afirmação do item é falsa. O pronome "me" exerce apenas a função de objeto direto do verbo "escutando", e não há nenhuma relação com o verbo "tá" que o torne objeto direto dele, nem qualquer possibilidade de ser sujeito. A banca pede para julgar a afirmação, e ela está incorreta.

Conclusão

Gabarito: letra E. A chave para resolver esta questão é localizar o trecho exato e analisar a função do pronome na oração em que ele aparece. Lembre-se: pronome oblíquo átono não exerce função de sujeito; e cada ocorrência tem uma única função. Desconfie de afirmações que atribuem a um mesmo termo duas funções simultâneas em orações diferentes — isso é uma armadilha clássica de banca.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a função de um pronome, pergunte: "qual é o verbo da oração em que ele está?" e "quem pratica a ação?". O pronome oblíquo átono será sempre complemento (objeto direto ou indireto), nunca sujeito, salvo raríssimas exceções (como em "deixei-o sair", em que "o" é sujeito do infinitivo).

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