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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — Quadrix 2024

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
qa600844
Banca
Quadrix
Órgão
CRESS 15 (AM)
Ano
2024
Cargo
Ag Adm (CRESS 15)

Jovem que vendeu sanduíches para estudar serviço social em Portugal quer criar projeto em Porto Alegre

 

Em março de 2016, o jovem Tales Cauim de Oliveira Aires, então com 22 anos, recebeu a notícia de que havia sido aceito no curso de Educação Social da Universidade do Algarve, em Portugal, graças a sua nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Morador do bairro Glória, na Zona Sul de Porto Alegre, Tales precisava superar apenas um obstáculo para concretizar o sonho de estudar no exterior: arrecadar o dinheiro necessário para pagar passagem, estadia e alimentação no país europeu, valor que ele estimava em cerca de R$ 8 mil.

 

Já em 2022, o gaúcho segue morando no país da Europa, ele trabalha em um projeto social na área que ama e já deu início ao processo de cidadania portuguesa. Segundo ele, o valor vindo da venda de sanduíches foi responsável por manter suas necessidades na época, enquanto o montante arrecadado na vaquinha foi guardado em uma poupança para ser usado em Portugal.

 

Os estudos, no entanto, precisaram ser interrompidos por conta da pandemia e para que o brasileiro pudesse trabalhar para se sustentar.

 

“Vim pra cá em setembro de 2016. O começo foi pancada, mas é normal este tempo de se estabilizar. Quando tu imigra, é como se tu nascesse do zero. Todos os contatos que tu tinha, no dia seguinte tu perde. Precisa criar novos amigos, novas experiências de trabalho, tem que criar do zero a vida. Mas vi muitas vantagens. Atualmente, me encontro estabilizado e trabalhando na área, que é o que eu queria”, conta.

 

Em Portugal, Tales estuda Educação Social, uma variação do serviço social mais voltada [para] educação. Uma “mistura de magistério, pedagogia e serviço social”, segundo ele. Foram dois anos de estudo, que precisou ser recomeçado do zero, já que o currículo brasileiro não é aceito no país europeu. Em 2018, no entanto, dificuldades financeiras fizeram com que Tales trancasse o curso para trabalhar.

 

Se os primeiros anos foram de ocupações informais, agora Tales trabalha exatamente na área que ama: ele faz parte do projeto ECOS – Oficina Ecológica de Cooperação Social, financiado pela União Europeia em parceria com o governo português e a prefeitura de Albufeira, cidade litorânea de Portugal, na região do Algarve. Criado em 2020, é uma iniciativa que alia capacitação pessoal pela cultura e consciência ambiental, em oficinais e espaços voltados para pessoas de baixa renda, desempregados e aposentados.

 

Apesar de pública, a faculdade em que Tales estuda cobra uma anuidade. Para portugueses, o valor é de 800 euros, bem menos do que o preço para estrangeiros, que chega a 2,5 mil euros. Por isso, Tales já deu início ao processo de nacionalização portuguesa.

 

Se a experiência em terras europeias é considerada positiva pelo gaúcho, ele diz que pretende absorver o máximo de conhecimento antes de trazê‑lo de volta para Porto Alegre.

 

Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Em relação a aspectos gerais do texto, julgue o item.   O termo "pra cá" exerce a função sintática de objetivo indireto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Função sintática de "pra cá": adjunto adverbial, não objeto indireto

Gabarito: E (Errado). O termo "pra cá" não exerce função de objeto indireto; ele é um adjunto adverbial de lugar, pois indica a circunstância de direção do verbo "vim". No trecho do texto, "Vim pra cá em setembro de 2016", o verbo "vir" é intransitivo — quem vem, vem de algum lugar — e "pra cá" apenas acrescenta a ideia de destino, sem completar o sentido de um verbo transitivo. A banca tenta confundir ao associar a preposição "para" (contraída em "pra") à ideia de objeto indireto, mas a função sintática não se define pela preposição, e sim pela relação com o verbo.

O comando da questão

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação sintática. Isso é diferente de uma questão de interpretação: aqui, o foco é a análise gramatical de um termo específico dentro do texto. Você precisa identificar a função sintática de "pra cá" na oração em que aparece. Não se trata de inferir nada do conteúdo, mas de aplicar a teoria dos termos da oração ao trecho citado.

O trecho em análise

"Vim pra cá em setembro de 2016."

Nessa oração, o sujeito é desinencial ("eu"), o verbo é "vim" (vir) e "pra cá" é uma locução adverbial que indica lugar (para onde). O verbo "vir" é intransitivo: não exige complemento. Quem vem, vem de algum lugar, mas o verbo não pede objeto direto nem indireto. "Pra cá" apenas acrescenta uma circunstância de direção, funcionando como adjunto adverbial de lugar.

Objeto indireto: definição e requisitos

Objeto indireto é o termo que complementa o sentido de um verbo transitivo indireto, ou seja, um verbo que exige complemento com preposição. Exemplos:

  • "Preciso de ajuda." (quem precisa, precisa de algo — objeto indireto)

  • "Gosto de música." (quem gosta, gosta de algo — objeto indireto)

No caso de "pra cá", o verbo "vir" não é transitivo indireto. Ele é intransitivo, e "pra cá" não é exigido pelo verbo; é uma informação acessória de lugar. Portanto, não pode ser objeto indireto.

Adjunto adverbial: a função correta

Adjunto adverbial é o termo que modifica o verbo, o adjetivo ou o advérbio, indicando circunstância (tempo, lugar, modo, causa, etc.). "Pra cá" indica lugar (direção) e modifica o verbo "vim", respondendo à pergunta "para onde?". Veja outros exemplos de adjunto adverbial de lugar:

  • "Moro em Brasília."

  • "Fui para a escola."

Assim como "para a escola" é adjunto adverbial de lugar, "pra cá" também é.

Por que a afirmação está errada

A afirmação diz que "pra cá" exerce função de objeto indireto. Isso está incorreto porque:

  1. O verbo "vir" é intransitivo, não exige complemento.

  2. "Pra cá" não completa o sentido do verbo; apenas acrescenta uma circunstância.

  3. Objeto indireto sempre complementa verbo transitivo indireto, o que não ocorre aqui.

Portanto, a função correta é adjunto adverbial de lugar.

Conclusão

A assertiva está errada. O termo "pra cá" é adjunto adverbial de lugar, não objeto indireto. Para acertar questões assim, lembre-se: objeto indireto só existe se o verbo for transitivo indireto; se o termo indica circunstância (lugar, tempo, modo), é adjunto adverbial.

"Pra cá" (Vim pra cá)
  • 1Função: adjunto adverbial de lugar
    • Indica direção/destino
    • Modifica o verbo "vir"
  • 2Por que não é objeto indireto
    • Verbo "vir" é intransitivo
    • Não exige complemento
    • Não completa o sentido do verbo
  • 3Objeto indireto (contraste)
    • Exige verbo transitivo indireto
    • Ex.: "Preciso de ajuda"
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Gabarito: E (Errado).

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