Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — Quadrix 2024

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
qa600989
Banca
Quadrix
Órgão
CRESS 15 (AM)
Ano
2024
Cargo
Ag Fisc (CRESS 15)

Como a polícia nos EUA aposta em assistentes sociais contra violência

 

Nos Estados Unidos, policiais e profissionais de saúde trabalham juntos em um número cada vez maior de cidades

 

Um homem aparentemente idoso, apoiado em uma bengala, gritava por socorro na esquina da avenida Amsterdam com a rua 104, em Manhattan. Ele parecia congelado, incapaz de se mover.

 

Em poucos segundos, chegou o socorro e, acompanhando a cena, observei que os paramédicos que saltaram da ambulância reconheceram o morador com distúrbios mentais que volta e meia é recolhido e levado ao hospital para, semanas depois, repetir a rotina.

 

Foi a primeira vez, mas não a última, em que ouvi os gritos daquele vizinho no verão de 2020. O que acontece com ele é comum em grande parte das cidades dos Estados Unidos. E é para lidar com esses problemas de saúde mental e com o desespero por falta de moradia que cresce cada vez mais a presença de assistentes sociais e psicólogos dentro dos departamentos de polícia.

 

Equipes móveis formadas por um profissional de saúde mental e um enfermeiro hoje percorrem cidades em mais de 34 Estados americanos reduzindo a pressão sobre os policiais que, nas últimas décadas, foram obrigados a assumir a responsabilidade pelo atendimento de chamados para os quais não são treinados.

 

Ele trabalha em iniciativas que reorientam para serviços de assistência médica e social as chamadas de emergência que chegam às delegacias de polícia. Ele também treina promotores públicos para que possam identificar os casos de detidos que precisam de cuidados e não de cadeia.

 

Nova York está apenas engatinhando nessa área. Tem um projeto‑piloto que começou no Harlem, em julho, chamado “B‑Heard”. Em português seria “Ser Ouvido”. Ele reorienta as chamadas que chegam ao número de emergência, o 911, que todo mundo no país aprende a discar, desde criança, em caso de problema.

 

Os funcionários que atendem essas chamadas precisam decidir, rapidamente, se enviam policiais ou bombeiros para o local. Agora, nesse projeto‑piloto, eles podem acionar equipes móveis de assistência que sempre incluem alguém que se envolveu com drogas ou viveu em situação de rua e, por isso mesmo, é capaz de entender e dialogar mais facilmente com a pessoa que está sendo atendida.

 

Se a situação mudar, se tornar violenta, a equipe se afasta e chama reforço policial.

 

Em Bloomington, Indiana, o sistema é diferente. Em 2019, a cidade de 80 mil habitantes contratou a primeira assistente social, Melissa Stone. Ela agora tem duas outras colegas e conta que elas nunca saem sozinhas.

 

O primeiro atendimento é sempre feito junto com a polícia. Nas visitas seguintes, para dar continuidade ao atendimento, elas não precisam dos policiais.

 

Elas se encarregam de encaminhar a pessoa para um tratamento, um abrigo, uma residência permanente. O objetivo é resolver o problema para a pessoa não precisar chamar o serviço de socorro novamente.

 

Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Em relação a aspectos estruturais do texto, julgue o item.   No trecho “Se a situação mudar, se tornar violenta, a equipe se afasta e chama reforço policial”, as ocorrências de “se” possuem funções diferentes.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções distintas do “se” no trecho: conjunção condicional × pronome apassivador

Gabarito: C (Certo). No trecho “Se a situação mudar, se tornar violenta, a equipe se afasta e chama reforço policial”, as duas ocorrências de “se” exercem funções sintáticas diferentes: o primeiro “se” é conjunção subordinativa condicional (introduz a oração “Se a situação mudar”), enquanto o segundo “se” é pronome apassivador (partícula apassivadora), que integra a locução verbal “se tornar” na voz passiva sintética. A afirmação do item está correta.

O comando

A questão pede uma análise sintática de um trecho específico do texto, cobrando a classificação das ocorrências de “se”. Não se trata de interpretação de sentido, mas de gramática aplicada ao texto: identificar a função de cada “se” no período. O comando é direto: “as ocorrências de ‘se’ possuem funções diferentes” — precisamos verificar se isso é verdadeiro ou falso.

O trecho em análise

“Se a situação mudar, se tornar violenta, a equipe se afasta e chama reforço policial.”

Vamos decompor o período:

  1. “Se a situação mudar” — oração subordinada adverbial condicional, introduzida pela conjunção “se”. Expressa a condição para que a equipe se afaste.

  2. “se tornar violenta” — oração subordinada adverbial condicional reduzida (ou, conforme análise, oração coordenada assindética com sujeito elíptico), em que “se” é pronome apassivador: “a situação se tornar violenta” = “a situação for tornada violenta”.

  3. “a equipe se afasta e chama reforço policial” — oração principal, com duas orações coordenadas aditivas.

A técnica que decide

O “se” pode assumir diversas funções na língua portuguesa. As principais são:

Função

Exemplo

Característica

Conjunção condicional

“Se chover, não saio.”

Introduz oração subordinada adverbial condicional; pode ser substituído por “caso”.

Pronome apassivador

“Vendem-se casas.”

Acompanha verbo transitivo direto na voz passiva sintética; o sujeito é paciente.

Índice de indeterminação do sujeito

“Precisa-se de empregados.”

Acompanha verbo transitivo indireto; o sujeito é indeterminado.

Conjunção integrante

“Não sei se ele virá.”

Introduz oração subordinada substantiva; pode ser substituído por “isso”.

Pronome reflexivo

“Ele se feriu.”

Indica que o sujeito pratica e sofre a ação.

No trecho, o primeiro “se” é claramente conjunção condicional: “Se a situação mudar” equivale a “Caso a situação mude”. Já o segundo “se”, em “se tornar violenta”, é pronome apassivador: “a situação se tornar violenta” = “a situação for tornada violenta”. A prova é a possibilidade de conversão para a voz passiva analítica: “a situação ser tornada violenta”.

A pegadinha

A banca explora a polissemia do “se”: o candidato desatento pode achar que os dois “se” têm a mesma função, por estarem próximos e ambos ligados a verbos. Mas a análise sintática revela funções distintas. A armadilha é a troca de função — confundir conjunção condicional com pronome apassivador.

1Conjunção condicional
"Se a situação mudar"
Substituível por "caso"
2Pronome apassivador
"se tornar violenta"
Voz passiva sintética
3Outras funções
Índice de indeterminação
Conjunção integrante
Pronome reflexivo
Funções do "se"
LEVELsoulevel.com.br
Funções do "se": Conjunção condicional ("Se a situação mudar", Substituível por "caso"); Pronome apassivador ("se tornar violenta", Voz passiva sintética); Outras funções (Índice de indeterminação, Conjunção integrante, Pronome reflexivo)
NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca dois “se” em sequência para testar se o candidato distingue conjunção condicional (primeiro) de pronome apassivador (segundo). A proximidade induz ao erro de considerá-los idênticos.

Conclusão

Como o primeiro “se” é conjunção condicional e o segundo é pronome apassivador, as funções são diferentes. O item está Certo.

Gabarito: C (Certo).

Link permanente: /questoes/qa600989