Questão de Português — Questões Variadas de Verbo — Instituto Consulplan 2025
Português›Questões Variadas de Verbo
Código
qa666853
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
TJ RO
Ano
2025
Cargo
AJ ( )
Supermercado indenizará em R$ 15 mil jovem acusado de furtar chinelo
Juiz destacou a importância da dignidade e honra do indivíduo, considerando a abordagem discriminatória da
fiscal do estabelecimento.
O Juiz de Marialva, Devanir Cestari, da vara cível do Foro Regional de Marialva/PR, condenou um supermercado a pagar
R$ 15 mil de indenização por danos morais a um jovem abordado injustamente por uma fiscal de ter roubado chinelos do local.
O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras
no caixa. A fiscal o questionou se os chinelos que usava tinham sido furtados da prateleira, considerando que ele carregava as
chuteiras debaixo do braço.
O calçado havia sido comprado pela mãe do rapaz poucos dias antes.
Segundo o magistrado, “a abordagem de qualquer cliente somente se justifica se houver fundadas suspeitas de alguma
ilegalidade, o que absolutamente não ocorreu porque nem mesmo havia mero indício de furto, à exceção da predileção de se
abordar, sem maiores cautelas e critérios, jovem de cor escura e pobre, já que se desconfia que, se fosse o contrário (aparência
de rico, bem-vestido e branco), possivelmente isso jamais teria ocorrido”.
A jurisprudência do TJ/PR estabelece que o dano moral deve ser indenizado quando o exercício de um direito é exacerbado
e afeta a dignidade do ofendido.
Na fundamentação da sentença, o Juiz ressaltou que o dano moral deve cumprir um papel punitivo e desestimulador.
O magistrado também recorreu à lição de José de Aguiar Dias, para quem o dano moral “consiste na penosa sensação da ofensa, na
humilhação perante terceiros, na dor sofrida, enfim, nos efeitos puramente psíquicos e sensoriais experimentados pela vítima do dano”.
Complementando, citou Antônio Jeová Santos, que aponta que o “dano é um mal, um desvalor ou contravalor, algo que
se padece com dor, posto que nos diminui e reduz; tira de nós algo que era nosso”.
A doutrina de Sílvio de Salvo Venosa foi usada para reforçar que o dano moral causa “um distúrbio anormal na vida do
indivíduo; uma inconveniência de comportamento”.
Sérgio Cavalieri também foi mencionado, definindo o dano moral como “a dor, vexame, sofrimento ou humilhação que,
fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo”.
O Juiz concluiu que a decisão se baseia na necessidade de proteger a honra e a dignidade humana, especialmente em
situações de consumo e considerando questões sociais e étnicas.
(Disponível em: https://www.migalhas.com.br/. Acesso em: novembro de 2024.)
Em “O calçado havia sido comprado pela mãe do rapaz poucos dias antes.”, a expressão “havia sido comprado” só NÃO pode ser substituída por:
A“fora comprado”.
B“fosse comprado”.
C“teria sido comprado”.
D“tinha sido comprado”.
E“já havia sido comprado”.
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GabaritoB — “fosse comprado”.
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Substituição de locução verbal sem alteração de sentido
Gabarito: letra B. A expressão "fosse comprado" NÃO pode substituir "havia sido comprado" porque altera o tempo e o modo verbal: a original está no pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo (fato concluído antes de outro no passado), enquanto "fosse comprado" está no pretérito imperfeito do subjuntivo (fato hipotético, irreal, dependente de outra ação). As demais alternativas (A, C, D, E) preservam o valor de ação passada concluída, como se lê no trecho: "O calçado havia sido comprado pela mãe do rapaz poucos dias antes."
O comando
A questão pede a substituição que NÃO mantém o sentido. Isso exige comparar o valor temporal e modal de cada locução verbal com a original. Não se trata de sinônimo de palavra, mas de equivalência semântica entre formas verbais: a substituição precisa preservar a ideia de um fato passado, concluído, anterior a outro fato também passado (o incidente no supermercado).
O texto
O trecho em análise informa que o chinelo usado pelo jovem já havia sido comprado pela mãe antes do episódio da abordagem. O contexto é narrativo: o fato de a compra ter ocorrido antes do incidente é essencial para provar que não houve furto. A locução "havia sido comprado" expressa exatamente essa anterioridade — um passado anterior a outro passado.
A técnica: tempo composto × tempo simples
A locução "havia sido comprado" é formada por auxiliar "haver" no pretérito imperfeito do indicativo + particípio passado do verbo principal. Isso forma o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo, que indica um fato passado anterior a outro fato passado. Veja a estrutura:
Pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo: "havia comprado", "tinha comprado", "fora comprado" (forma simples) — todos indicam ação concluída antes de outra no passado.
Pretérito imperfeito do subjuntivo: "fosse comprado" — indica ação hipotética, duvidosa, dependente de outra ação (ex.: "Se fosse comprado, ...").
A banca adora cobrar essa distinção: o modo indicativo expressa certeza, fato real; o modo subjuntivo expressa dúvida, hipótese, irrealidade. Trocar um pelo outro altera o sentido.
Análise das alternativas
Locuções verbais (tempo/modo)
1Mantêm o sentido (passado concluído)
"fora comprado" (mais-que-perfeito simples)
"tinha sido comprado" (mais-que-perfeito composto)
"teria sido comprado" (futuro do pretérito composto)
"já havia sido comprado"
advérbio reforça anterioridade
2Alteram o sentido (hipótese)
"fosse comprado" (imperfeito do subjuntivo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"fora comprado" é o pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo, que tem exatamente o mesmo valor temporal da forma composta: ação passada anterior a outra passada. A substituição é válida. A banca tenta confundir com a forma "fora" (que também é futuro do pretérito de "ser"), mas aqui é claramente o mais-que-perfeito de "comprar".
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"fosse comprado" está no pretérito imperfeito do subjuntivo, que expressa hipótese, dúvida, irrealidade — não um fato real e concluído. No texto, a compra é um fato real e anterior ao incidente; usar "fosse" transformaria a frase em algo como "se fosse comprado", o que contradiz o sentido do texto. Por isso, é a única que NÃO pode substituir.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"teria sido comprado" é o futuro do pretérito composto do indicativo, que expressa uma ação passada condicionada a outra (ex.: "teria sido comprado se..."). Embora acrescente uma ideia de condição, no contexto de substituição sem alteração de sentido ela é aceita pela banca, pois mantém a noção de passado concluído. A banca considera que a troca é possível, pois o sentido geral de anterioridade se preserva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"tinha sido comprado" é o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo, exatamente o mesmo valor da original (com o auxiliar "ter" no lugar de "haver"). É a substituição mais direta e correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"já havia sido comprado" acrescenta o advérbio "já", que reforça a anterioridade, mas não altera o sentido — apenas enfatiza que a compra ocorreu antes. A substituição é válida.
Conclusão
A única forma que muda o modo verbal e, portanto, o sentido, é a letra B. As demais mantêm o valor de passado concluído. Gabarito: letra B.
PEGA ESSA DICA!
Ao substituir locuções verbais, verifique sempre o tempo e o modo do verbo auxiliar. Se o modo mudar (indicativo → subjuntivo), o sentido muda. Desconfie de formas como "fosse", "fizesse", "tivesse" — elas indicam hipótese, não fato real.