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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — Instituto Consulplan 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa666857
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
TJ RO
Ano
2025
Cargo
AJ ( )
Supermercado indenizará em R$ 15 mil jovem acusado de furtar chinelo


Juiz destacou a importância da dignidade e honra do indivíduo, considerando a abordagem discriminatória da fiscal do estabelecimento.


    O Juiz de Marialva, Devanir Cestari, da vara cível do Foro Regional de Marialva/PR, condenou um supermercado a pagar R$ 15 mil de indenização por danos morais a um jovem abordado injustamente por uma fiscal de ter roubado chinelos do local.

    O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras no caixa. A fiscal o questionou se os chinelos que usava tinham sido furtados da prateleira, considerando que ele carregava as chuteiras debaixo do braço.

    O calçado havia sido comprado pela mãe do rapaz poucos dias antes.

    Segundo o magistrado, “a abordagem de qualquer cliente somente se justifica se houver fundadas suspeitas de alguma ilegalidade, o que absolutamente não ocorreu porque nem mesmo havia mero indício de furto, à exceção da predileção de se abordar, sem maiores cautelas e critérios, jovem de cor escura e pobre, já que se desconfia que, se fosse o contrário (aparência de rico, bem-vestido e branco), possivelmente isso jamais teria ocorrido”.

    A jurisprudência do TJ/PR estabelece que o dano moral deve ser indenizado quando o exercício de um direito é exacerbado e afeta a dignidade do ofendido.

    Na fundamentação da sentença, o Juiz ressaltou que o dano moral deve cumprir um papel punitivo e desestimulador. 

    O magistrado também recorreu à lição de José de Aguiar Dias, para quem o dano moral “consiste na penosa sensação da ofensa, na humilhação perante terceiros, na dor sofrida, enfim, nos efeitos puramente psíquicos e sensoriais experimentados pela vítima do dano”.

    Complementando, citou Antônio Jeová Santos, que aponta que o “dano é um mal, um desvalor ou contravalor, algo que se padece com dor, posto que nos diminui e reduz; tira de nós algo que era nosso”.

    A doutrina de Sílvio de Salvo Venosa foi usada para reforçar que o dano moral causa “um distúrbio anormal na vida do indivíduo; uma inconveniência de comportamento”.

    Sérgio Cavalieri também foi mencionado, definindo o dano moral como “a dor, vexame, sofrimento ou humilhação que, fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo”.

    O Juiz concluiu que a decisão se baseia na necessidade de proteger a honra e a dignidade humana, especialmente em situações de consumo e considerando questões sociais e étnicas.

(Disponível em: https://www.migalhas.com.br/. Acesso em: novembro de 2024.)

“O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras no caixa. A fiscal o questionou se os chinelos que usava tinham sido furtados da prateleira, considerando que ele carregava as chuteiras debaixo do braço.”

 

Considerando o trecho destacado, pode-se afirmar quanto à coesão textual, elemento de contribuição para a organização do texto, que:

  1. AA expressão “suas compras” faz referência aos amigos do jovem que estavam em companhia dele naquele momento.
  2. BEm “A fiscal o questionou”, o elemento de coesão textual que estabelece referência com “o jovem” pode ser identificado, ainda que implicitamente.
  3. CA expressão “O incidente” promove o desenvolvimento da sequência narrativa de modo a chamar a atenção do leitor para um fato que posteriormente será anunciado.
  4. DA expressão “o jovem” faz referência a uma informação já introduzida no texto, além de conferir ao enunciado a ética como característica própria do gênero textual apresentado.
  5. EEm “suas compras” fica claro que além do jovem citado, os demais amigos estavam envolvidos no mesmo tipo de ação, confirmando o questionamento feito irregularmente a apenas um deles.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A expressão “o jovem” faz referência a uma informação já introduzida no texto, além de conferir ao enunciado a ética como característica própria do gênero textual apresentado.

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Coesão referencial: o pronome "o" e o referente "o jovem"

Gabarito: letra D. A alternativa correta afirma que "o jovem" faz referência a uma informação já introduzida no texto — e isso se prova pela própria estrutura do trecho: o termo "o jovem" retoma anaforicamente o personagem já apresentado no parágrafo anterior, conferindo coesão referencial. As demais alternativas ou erram o referente do pronome possessivo "suas" (que se refere ao jovem, não aos amigos) ou extrapolam informações que o texto não sustenta.

O comando: o que a questão pede

O enunciado pede uma análise de coesão textual no trecho destacado. Coesão é o conjunto de mecanismos linguísticos que ligam as partes do texto, evitando repetições e garantindo a continuidade. Aqui, o foco está na coesão referencial, que ocorre quando um termo (pronome, sinônimo, etc.) retoma ou antecipa outro. A questão quer que você identifique corretamente a que termo cada elemento coesivo se refere.

O texto: onde mora a resposta

No trecho, temos dois elementos coesivos centrais: o pronome possessivo "suas" e o pronome oblíquo "o". Vejamos:

"O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras no caixa. A fiscal o questionou se os chinelos que usava tinham sido furtados da prateleira..."

  • "suas compras": o possessivo "suas" refere-se ao jovem (ele estava pagando as compras dele), não aos amigos. O texto diz "o jovem... estava pagando suas compras", ou seja, o sujeito da ação é o jovem.

  • "o" (em "A fiscal o questionou"): o pronome oblíquo "o" retoma "o jovem", que é o objeto direto da ação de questionar. A fiscal questionou o jovem.

A alternativa D afirma exatamente isso: "o jovem" faz referência a uma informação já introduzida (no parágrafo anterior, o texto já falava do jovem abordado) e confere coesão ao enunciado. É a única que descreve corretamente o mecanismo de coesão referencial.

A técnica: como testar cada alternativa

Para cada alternativa, pergunte: a que termo o elemento coesivo se refere? E: o texto autoriza essa afirmação? Se a resposta exigir acrescentar informação de fora, a alternativa está errada.

1Anáfora (retoma)
"o jovem" → já introduzido
"o" → retoma "o jovem"
"suas" → do jovem
"O incidente" → resume o fato
2Catáfora (antecipa)
Não ocorre no trecho
3Erros comuns
Trocar o referente
Dizer que pronome é implícito
Extrapolar informação
Coesão referencial
LEVELsoulevel.com.br
Coesão referencial: Anáfora (retoma) ("o jovem" → já introduzido, "o" → retoma "o jovem", "suas" → do jovem, "O incidente" → resume o fato); Catáfora (antecipa) (Não ocorre no trecho); Erros comuns (Trocar o referente, Dizer que pronome é implícito, Extrapolar informação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A expressão "suas compras" não faz referência aos amigos. O possessivo "suas" concorda com o sujeito da oração, que é "o jovem". O texto diz: "o jovem... estava pagando suas compras" — ou seja, as compras são do jovem. A alternativa troca o referente do pronome, atribuindo-o aos amigos, o que contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Em "A fiscal o questionou", o pronome "o" não está implícito; ele está explícito no texto. O elemento de coesão é o pronome oblíquo "o", que retoma "o jovem". A alternativa afirma que o elemento pode ser identificado "ainda que implicitamente", o que é falso: ele está materializado na superfície textual. A alternativa contradiz o texto ao negar a explicitude do pronome.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A expressão "O incidente" não promove o desenvolvimento da sequência narrativa chamando a atenção para um fato que será anunciado. Na verdade, "o incidente" retoma anaforicamente o fato já narrado (a abordagem injusta), funcionando como um termo resumitivo que sintetiza o que foi dito antes. A alternativa inverte a direção da referência: não é catáfora (antecipação), mas anáfora (retomada).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A expressão "o jovem" retoma uma informação já introduzida no texto — no parágrafo anterior, o texto já falava do "jovem abordado injustamente". Essa retomada é um mecanismo de coesão referencial anafórica, que evita a repetição e garante a continuidade. A alternativa também menciona a "ética como característica própria do gênero textual", o que se refere ao fato de o texto ser uma notícia (gênero jornalístico), que busca relatar fatos de forma ética e imparcial. Embora essa segunda parte seja menos central, a afirmação principal — a referência a informação já introduzida — está correta e é a única que se sustenta no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Em "suas compras", o possessivo refere-se apenas ao jovem, não aos amigos. O texto não diz que os amigos estavam comprando; diz que o jovem estava pagando suas compras. A alternativa extrapola ao afirmar que os demais amigos estavam envolvidos no mesmo tipo de ação, informação que não está no texto. Além disso, o questionamento da fiscal foi feito ao jovem, não a todos.

Fechamento

A questão testa sua capacidade de identificar o referente de pronomes em um texto. A regra de ouro: todo pronome remete a um termo anterior (anáfora) ou posterior (catáfora) — e esse referente deve ser identificado pelo contexto, não pela imaginação. Desconfie de alternativas que atribuem a um pronome um referente diferente do que o texto indica, ou que acrescentam informações que não estão lá.

Gabarito: letra D

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