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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — Instituto Consulplan 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa666859
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
TJ RO
Ano
2025
Cargo
AJ ( )

Supermercado indenizará em R$ 15 mil jovem acusado de furtar chinelo

 

Juiz destacou a importância da dignidade e honra do indivíduo, 

considerando a abordagem discriminatória da fiscal do estabelecimento.

 

O Juiz de Marialva, Devanir Cestari, da vara cível do Foro Regional de Marialva/PR, condenou um supermercado a pagar R$ 15 mil de indenização por danos morais a um jovem abordado injustamente por uma fiscal de ter roubado chinelos do local.

 

O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras no caixa.(a) A fiscal o questionou se os chinelos que usava tinham sido furtados da prateleira,(d) considerando que ele carregava as chuteiras debaixo do braço.

 

O calçado havia sido comprado pela mãe do rapaz poucos dias antes.

 

Segundo o magistrado, “a abordagem de qualquer cliente somente se justifica se houver fundadas suspeitas(e) de alguma ilegalidade, o que absolutamente não ocorreu porque nem mesmo havia mero indício de furto, à exceção da predileção de se abordar, sem maiores cautelas e critérios, jovem de cor escura e pobre, já que se desconfia que, se fosse o contrário (aparência de rico, bem-vestido e branco), possivelmente isso jamais teria ocorrido”.(b)

 

A jurisprudência do TJ/PR estabelece que o dano moral deve ser indenizado(c) quando o exercício de um direito é exacerbado e afeta a dignidade do ofendido.

 

Na fundamentação da sentença, o Juiz ressaltou que o dano moral deve cumprir um papel punitivo e desestimulador.

 

O magistrado também recorreu à lição de José de Aguiar Dias, para quem o dano moral “consiste na penosa sensação da ofensa, na humilhação perante terceiros, na dor sofrida, enfim, nos efeitos puramente psíquicos e sensoriais experimentados pela vítima do dano”.

 

Complementando, citou Antônio Jeová Santos, que aponta que o “dano é um mal, um desvalor ou contravalor, algo que se padece com dor, posto que nos diminui e reduz; tira de nós algo que era nosso”.

 

A doutrina de Sílvio de Salvo Venosa foi usada para reforçar que o dano moral causa “um distúrbio anormal na vida do indivíduo; uma inconveniência de comportamento”.

 

Sérgio Cavalieri também foi mencionado, definindo o dano moral como “a dor, vexame, sofrimento ou humilhação que, fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo”.

 

O Juiz concluiu que a decisão se baseia na necessidade de proteger a honra e a dignidade humana, especialmente em situações de consumo e considerando questões sociais e étnicas.

 

(Disponível em: https://www.migalhas.com.br/. Acesso em: novembro de 2024.)

Dentre os mecanismos de coesão textual, alguns termos e expressões são utilizados para estabelecer a manutenção do referente no texto.    Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO demonstra o expresso anteriormente:
  1. A“[...] estava pagando suas compras no caixa.”
  2. B“[...] possivelmente isso jamais teria ocorrido.”
  3. C“A jurisprudência do TJ/PR estabelece que o dano moral deve ser indenizado [...]”
  4. D“A fiscal o questionou se os chinelos que usava tinham sido furtados da prateleira, [...]”
  5. E“Segundo o magistrado, ‘a abordagem de qualquer cliente somente se justifica se houver fundadas suspeitas [...]’”
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GabaritoC — “A jurisprudência do TJ/PR estabelece que o dano moral deve ser indenizado [...]”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: quando o termo retoma e quando apenas conecta

Gabarito: letra C. A alternativa C — “A jurisprudência do TJ/PR estabelece que o dano moral deve ser indenizado [...]” — é a única em que o termo destacado NÃO retoma um referente anterior: o “que” é uma conjunção integrante, que apenas introduz a oração subordinada substantiva objetiva direta (o conteúdo do que a jurisprudência estabelece), sem substituir ou retomar nenhum termo já mencionado. Nas demais, os termos destacados (pronomes possessivos, demonstrativos, relativos e oblíquos) exercem função anafórica, retomando elementos expressos anteriormente no texto.

O comando pede que se identifique o mecanismo de coesão referencial — aquele em que um termo (pronome, advérbio, expressão) substitui ou retoma um referente já citado, evitando repetição. A banca quer que você distinga a anáfora (retomada de termo anterior) da simples conjunção integrante, que apenas liga orações sem retomar nada. A pegadinha está em confundir o “que” conjunção com o “que” pronome relativo: o relativo retoma (ex.: “os chinelos que usava” = os chinelos, ele usava), a conjunção não.

No texto, a coesão referencial aparece em vários pontos: “suas compras” retoma o jovem; “isso” retoma toda a situação da abordagem; “que usava” retoma “chinelos”; “o” retoma o jovem. Já em C, o “que” é mera conjunção integrante — não há referente sendo retomado, apenas a introdução do conteúdo da jurisprudência.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar coesão referencial, pergunte: “esse termo substitui ou retoma algo que já foi dito?”. Se sim, é anáfora (ou catáfora, se antecipa). Se apenas liga orações, é conectivo — não é coesão referencial.

Coesão referencial
  • 1Anáfora (retoma termo anterior)
    • Pronome possessivo ("suas")
    • Pronome demonstrativo ("isso")
    • Pronome relativo ("que usava", "que de ilegalidade")
    • Pronome oblíquo ("o")
  • 2Catáfora (antecipa termo)
  • 3Conectivo (não retoma)
    • Conjunção integrante ("que" — gabarito)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O termo destacado “suas” é um pronome possessivo que retoma o referente “jovem”, mencionado anteriormente: “o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras no caixa”. A posse das compras remete ao jovem, estabelecendo coesão referencial anafórica. Portanto, a alternativa demonstra o expresso anteriormente — não é a resposta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O termo destacado “isso” é um pronome demonstrativo que retoma, de forma resumitiva, toda a situação descrita anteriormente: a abordagem discriminatória do jovem por parte da fiscal. No trecho: “se fosse o contrário (aparência de rico, bem-vestido e branco), possivelmente isso jamais teria ocorrido”. O “isso” refere-se à abordagem injusta, funcionando como anáfora. Portanto, demonstra coesão referencial — não é a resposta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O termo destacado “que” é uma conjunção integrante, que introduz a oração subordinada substantiva objetiva direta: “A jurisprudência do TJ/PR estabelece que o dano moral deve ser indenizado”. Esse “que” não retoma, não substitui, não antecipa nenhum referente — ele apenas conecta a oração principal à sua complementação. Não há, portanto, coesão referencial. É exatamente o que o enunciado pede: o termo que NÃO demonstra o expresso anteriormente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O termo destacado “que” é um pronome relativo, que retoma o antecedente “chinelos”: “A fiscal o questionou se os chinelos que usava tinham sido furtados da prateleira”. O “que” substitui “chinelos”, funcionando como sujeito da oração adjetiva (“os chinelos usava” → “ele usava os chinelos”). Há clara coesão referencial anafórica — não é a resposta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O termo destacado “que” é um pronome relativo, que retoma o antecedente “fundadas suspeitas”: “a abordagem de qualquer cliente somente se justifica se houver fundadas suspeitas que de alguma ilegalidade”. O “que” substitui “suspeitas”, funcionando como complemento nominal (“suspeitas de ilegalidade”). Há coesão referencial anafórica — não é a resposta.

Conclusão: a única alternativa em que o termo destacado não retoma referente anterior é a letra C, pois o “que” é conjunção integrante, e não pronome relativo ou outro elemento de coesão referencial. Gabarito: letra C.

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