Questão de Português — Crase — Instituto Consulplan 2025
Português›Crase
Código
qa666861
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
TJ RO
Ano
2025
Cargo
AJ ( )
Supermercado indenizará em R$ 15 mil jovem acusado de furtar chinelo
Juiz destacou a importância da dignidade e honra do indivíduo, considerando a abordagem discriminatória da
fiscal do estabelecimento.
O Juiz de Marialva, Devanir Cestari, da vara cível do Foro Regional de Marialva/PR, condenou um supermercado a pagar
R$ 15 mil de indenização por danos morais a um jovem abordado injustamente por uma fiscal de ter roubado chinelos do local.
O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras
no caixa. A fiscal o questionou se os chinelos que usava tinham sido furtados da prateleira, considerando que ele carregava as
chuteiras debaixo do braço.
O calçado havia sido comprado pela mãe do rapaz poucos dias antes.
Segundo o magistrado, “a abordagem de qualquer cliente somente se justifica se houver fundadas suspeitas de alguma
ilegalidade, o que absolutamente não ocorreu porque nem mesmo havia mero indício de furto, à exceção da predileção de se
abordar, sem maiores cautelas e critérios, jovem de cor escura e pobre, já que se desconfia que, se fosse o contrário (aparência
de rico, bem-vestido e branco), possivelmente isso jamais teria ocorrido”.
A jurisprudência do TJ/PR estabelece que o dano moral deve ser indenizado quando o exercício de um direito é exacerbado
e afeta a dignidade do ofendido.
Na fundamentação da sentença, o Juiz ressaltou que o dano moral deve cumprir um papel punitivo e desestimulador.
O magistrado também recorreu à lição de José de Aguiar Dias, para quem o dano moral “consiste na penosa sensação da ofensa, na
humilhação perante terceiros, na dor sofrida, enfim, nos efeitos puramente psíquicos e sensoriais experimentados pela vítima do dano”.
Complementando, citou Antônio Jeová Santos, que aponta que o “dano é um mal, um desvalor ou contravalor, algo que
se padece com dor, posto que nos diminui e reduz; tira de nós algo que era nosso”.
A doutrina de Sílvio de Salvo Venosa foi usada para reforçar que o dano moral causa “um distúrbio anormal na vida do
indivíduo; uma inconveniência de comportamento”.
Sérgio Cavalieri também foi mencionado, definindo o dano moral como “a dor, vexame, sofrimento ou humilhação que,
fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo”.
O Juiz concluiu que a decisão se baseia na necessidade de proteger a honra e a dignidade humana, especialmente em
situações de consumo e considerando questões sociais e étnicas.
(Disponível em: https://www.migalhas.com.br/. Acesso em: novembro de 2024.)
Em “Sérgio Cavalieri também foi mencionado, definindo o dano moral como ‘a dor, vexame, sofrimento ou humilhação que, fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo’.”, é possível identificar o emprego do acento grave indicativo de crase, que seria mantido caso:
A“normalidade” fosse substituído por “expectativa”.
B“à normalidade” fosse substituído por “à princípio”.
C“fugindo” fosse substituído por “não identificando”.
DHouvesse omissão do complemento verbal da ação “fugir”.
E“fugindo à normalidade” fosse substituído por “de acordo com à normalidade”.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — “normalidade” fosse substituído por “expectativa”.
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Crase: a manutenção do acento grave diante de substituição de termo
Gabarito: letra A. A crase em “fugindo à normalidade” ocorre porque o verbo fugir exige a preposição a e o substantivo feminino “normalidade” admite o artigo a — fusão que gera o acento grave. Se “normalidade” for substituído por “expectativa”, palavra também feminina e que admite artigo, a crase se mantém: “fugindo à expectativa”. A alternativa A é a única que preserva as duas condições (preposição + artigo feminino), como se vê no trecho do texto: “fugindo à normalidade”.
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique em qual substituição o acento grave seria mantido. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao trecho: você precisa analisar a regência do verbo fugir e a classe da palavra que o segue. A crase não depende do sentido do texto, mas da estrutura sintática: preposição a exigida pelo verbo + artigo a que acompanha o substantivo feminino.
A regra que decide
Crase é a fusão de duas vogais a: a preposição a (exigida pela regência) + o artigo definido feminino a (ou o a inicial de pronomes demonstrativos). Para que haja crase, são necessárias três condições:
O termo regente deve exigir a preposição a (no caso, o verbo fugir: quem foge, foge de algo — mas no texto está “fugindo à normalidade”, ou seja, fugindo da normalidade, com a preposição a + artigo a).
O termo seguinte deve ser uma palavra feminina que admita o artigo definido a.
Não pode haver palavra que impeça o artigo (como pronome de tratamento, palavra masculina, verbo etc.).
No trecho do texto, temos:
“fugindo à normalidade”
Aqui, “fugindo” exige a preposição a (quem foge, foge a algo, no sentido de “afastar-se de”), e “normalidade” é um substantivo feminino que aceita o artigo a. Portanto, ocorre a fusão: a (preposição) + a (artigo) = à.
A pegadinha da banca
A banca não quer que você decore regras, mas que aplique o conceito a uma situação nova. A alternativa B, por exemplo, propõe “à princípio”, mas “princípio” é palavra masculina — não admite artigo feminino, logo não há crase. A alternativa C troca o verbo “fugindo” por “não identificando”, que não exige preposição a (quem identifica, identifica algo, sem preposição). A alternativa D omite o complemento, o que elimina a crase. A alternativa E usa “de acordo com”, que rege a preposição com, não a.
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A substituição de “normalidade” por “expectativa” mantém a crase, pois “expectativa” é substantivo feminino e admite o artigo a. O verbo “fugir” continua exigindo a preposição a, então temos a (preposição) + a (artigo) = à: “fugindo à expectativa”. A estrutura permanece idêntica à original, apenas com outra palavra feminina. Portanto, a crase é mantida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A substituição por “à princípio” é incorreta porque “princípio” é palavra masculina. Não há artigo feminino para fundir com a preposição a; o correto seria “a princípio” (sem acento). A banca tenta confundir com a locução “a princípio”, que é uma exceção: mesmo sendo feminina a palavra “princípio”? Não, “princípio” é masculino. Portanto, a crase não se mantém.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A substituição de “fugindo” por “não identificando” elimina a crase, pois o verbo “identificar” é transitivo direto, não exige preposição a. Quem identifica, identifica algo (objeto direto). Assim, teríamos “não identificando a normalidade” (sem crase). A regência verbal mudou, e a crase depende dela.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A omissão do complemento verbal de “fugir” elimina a crase, pois não há mais o substantivo feminino que recebe o artigo. Sem o complemento, não há fusão de preposição + artigo. A crase só ocorre quando há um termo feminino regido pela preposição a.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A substituição por “de acordo com à normalidade” é incorreta por dois motivos: primeiro, a locução “de acordo com” rege a preposição com, não a; segundo, mesmo que houvesse preposição a, a forma “à normalidade” já estaria errada porque “de acordo com” não pede artigo. O correto seria “de acordo com a normalidade” (sem crase). A crase não se mantém.
Conclusão
A única alternativa que preserva as condições para a crase é a letra A, pois “expectativa” é feminina e admite artigo, mantendo a regência de “fugir”. As demais alteram a regência ou a classe da palavra, eliminando a fusão. Gabarito: letra A.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de crase, verifique sempre: 1) o verbo ou nome exige preposição a? 2) a palavra seguinte é feminina e admite artigo? Se as duas respostas forem sim, há crase. Se qualquer uma falhar, não há.