Supermercado indenizará em R$ 15 mil jovem acusado de furtar chinelo
Juiz destacou a importância da dignidade e honra do indivíduo, considerando a abordagem discriminatória da
fiscal do estabelecimento.
O Juiz de Marialva, Devanir Cestari, da vara cível do Foro Regional de Marialva/PR, condenou um supermercado a pagar
R$ 15 mil de indenização por danos morais a um jovem abordado injustamente por uma fiscal de ter roubado chinelos do local.
O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras
no caixa. A fiscal o questionou se os chinelos que usava tinham sido furtados da prateleira, considerando que ele carregava as
chuteiras debaixo do braço.
O calçado havia sido comprado pela mãe do rapaz poucos dias antes.
Segundo o magistrado, “a abordagem de qualquer cliente somente se justifica se houver fundadas suspeitas de alguma
ilegalidade, o que absolutamente não ocorreu porque nem mesmo havia mero indício de furto, à exceção da predileção de se
abordar, sem maiores cautelas e critérios, jovem de cor escura e pobre, já que se desconfia que, se fosse o contrário (aparência
de rico, bem-vestido e branco), possivelmente isso jamais teria ocorrido”.
A jurisprudência do TJ/PR estabelece que o dano moral deve ser indenizado quando o exercício de um direito é exacerbado
e afeta a dignidade do ofendido.
Na fundamentação da sentença, o Juiz ressaltou que o dano moral deve cumprir um papel punitivo e desestimulador.
O magistrado também recorreu à lição de José de Aguiar Dias, para quem o dano moral “consiste na penosa sensação da ofensa, na
humilhação perante terceiros, na dor sofrida, enfim, nos efeitos puramente psíquicos e sensoriais experimentados pela vítima do dano”.
Complementando, citou Antônio Jeová Santos, que aponta que o “dano é um mal, um desvalor ou contravalor, algo que
se padece com dor, posto que nos diminui e reduz; tira de nós algo que era nosso”.
A doutrina de Sílvio de Salvo Venosa foi usada para reforçar que o dano moral causa “um distúrbio anormal na vida do
indivíduo; uma inconveniência de comportamento”.
Sérgio Cavalieri também foi mencionado, definindo o dano moral como “a dor, vexame, sofrimento ou humilhação que,
fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo”.
O Juiz concluiu que a decisão se baseia na necessidade de proteger a honra e a dignidade humana, especialmente em
situações de consumo e considerando questões sociais e étnicas.
(Disponível em: https://www.migalhas.com.br/. Acesso em: novembro de 2024.)
Considerando o emprego da vírgula em “O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras no caixa.” pode-se afirmar que:
AApenas a segunda vírgula é obrigatória.
BApenas a primeira vírgula é obrigatória.
CO uso de vírgulas, nesse caso, é facultativo.
DO trecho entre vírgulas trata-se de oração explicativa.
EO deslocamento do trecho entre vírgulas poderia eliminá-las.
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GabaritoE — O deslocamento do trecho entre vírgulas poderia eliminá-las.
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Vírgula em adjunto adverbial deslocado: quando ela é obrigatória e quando pode sumir
Gabarito: letra E. No trecho “O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras no caixa”, o segmento entre vírgulas é um adjunto adverbial deslocado (e não uma oração explicativa). Como ele é longo (mais de três palavras), a vírgula é obrigatória nessa posição; porém, se o trecho for deslocado para o final do período, as vírgulas desaparecem — exatamente o que afirma a alternativa E. A passagem que ancora a análise é o próprio excerto citado no enunciado.
O comando: o que a questão pede
A questão pergunta o que se pode afirmar sobre o emprego das vírgulas no trecho. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o sentido, mas de classificar o termo isolado e avaliar a obrigatoriedade das vírgulas. O verbo “pode-se afirmar” indica que devemos testar cada alternativa contra a regra gramatical e contra o contexto sintático do trecho.
O texto: onde mora a resposta
O trecho em análise é:
“O incidente ocorreu quando o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol, estava pagando suas compras no caixa.”
A estrutura é: sujeito (“o jovem”) + verbo (“estava pagando”) + complemento (“suas compras”) + adjunto adverbial (“no caixa”). Entre o sujeito e o verbo, foi intercalado o trecho “acompanhado de amigos após uma partida de futebol”. Esse trecho é um adjunto adverbial de companhia (indica com quem o jovem estava) e está deslocado de sua posição natural (o final da oração).
A técnica: adjunto adverbial deslocado e a vírgula
A regra que decide a questão é a seguinte:
Adjunto adverbial deslocado e longo (três ou mais palavras): a vírgula é obrigatória.
Adjunto adverbial deslocado e curto (uma ou duas palavras): a vírgula é facultativa.
Adjunto adverbial na ordem direta (no final da oração): a vírgula é dispensável (não se usa).
No trecho, o adjunto “acompanhado de amigos após uma partida de futebol” tem sete palavras — é longo. Por isso, ao ser intercalado entre o sujeito e o verbo, exige as duas vírgulas. Mas se o deslocarmos para o final do período, a vírgula deixa de ser necessária:
“O incidente ocorreu quando o jovem estava pagando suas compras no caixa acompanhado de amigos após uma partida de futebol.”
Perceba: sem o deslocamento, não há vírgula. É exatamente isso que a alternativa E afirma: o deslocamento do trecho entre vírgulas poderia eliminá-las.
Análise das alternativas
1Deslocado e longo (3+ palavras)
2Vírgula obrigatória
3Deslocado e curto (1-2 palavras)
4Vírgula facultativa
5Ordem direta (final da oração)
6Sem vírgula
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que apenas a segunda vírgula é obrigatória. Isso é falso: as duas vírgulas são obrigatórias, pois isolam um adjunto adverbial longo deslocado. Se retirarmos apenas a segunda, o trecho fica mal estruturado: “o jovem, acompanhado de amigos após uma partida de futebol estava pagando…” — a intercalação fica incompleta. A regra exige o par de vírgulas para marcar o deslocamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que apenas a primeira vírgula é obrigatória. Mesmo erro da anterior, mas invertido. As duas vírgulas são obrigatórias; não há como manter só uma. A intercalação exige o fechamento com a segunda vírgula, senão o leitor não percebe onde termina o adjunto deslocado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o uso de vírgulas, nesse caso, é facultativo. Isso é falso porque o adjunto é longo (sete palavras). A vírgula só seria facultativa se o adjunto fosse curto (ex.: “O jovem, ontem, pagou as compras”). Como é longo, a vírgula é obrigatória na posição intercalada. A banca explora exatamente essa confusão entre adjunto curto e longo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o trecho entre vírgulas trata-se de oração explicativa. Isso é falso: o trecho “acompanhado de amigos após uma partida de futebol” não contém verbo — logo, não é oração. É um adjunto adverbial (de companhia). Oração explicativa seria algo como “que estava acompanhado de amigos”, com verbo. A banca tenta confundir quem não percebe a ausência de verbo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o deslocamento do trecho entre vírgulas poderia eliminá-las. É exatamente o que ocorre: se o adjunto for movido para o final do período, as vírgulas somem, pois ele deixa de estar deslocado. Veja a reescritura:
“O incidente ocorreu quando o jovem estava pagando suas compras no caixa acompanhado de amigos após uma partida de futebol.”
A frase continua correta e sem vírgulas. Portanto, a alternativa E está correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre adjunto adverbial curto (vírgula facultativa) e longo (vírgula obrigatória). No trecho, o adjunto é longo, então a vírgula é obrigatória — mas isso não impede que o deslocamento para o final elimine as vírgulas.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de vírgula, identifique primeiro a função sintática do termo isolado. Se for adjunto adverbial, verifique se está deslocado e se é longo (3+ palavras). Se sim, vírgula obrigatória; se curto, facultativa; se na ordem direta, não se usa.
Gabarito: letra E — a única que descreve corretamente o efeito do deslocamento sobre as vírgulas.