Questão de Português — Vocábulo "Que" — Instituto Consulplan 2025
Português›Vocábulo "Que"
Código
qa666882
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
TJ RO
Ano
2025
Cargo
TJ ( )
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
– dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
(PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1995, p.11.)
No verso “Aceito os subterfúgios que me cabem,”, a palavra “que” foi empregada como:
AConjunção subordinativa, fazendo a ligação à oração principal.
BPronome relativo, introduzindo uma oração subordinada adjetiva.
CConjunção aditiva, adicionando uma ideia à anterior; soma de informações.
DPronome demonstrativo, apontando a referência ao que foi dito anteriormente.
EAdvérbio interrogativo, ao introduzir um questionamento, denotando incerteza ou dúvida.
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GabaritoB — Pronome relativo, introduzindo uma oração subordinada adjetiva.
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Funções do "que": pronome relativo e oração subordinada adjetiva
Gabarito: letra B. No verso “Aceito os subterfúgios que me cabem,”, o “que” é pronome relativo, pois retoma o substantivo “subterfúgios” e introduz a oração subordinada adjetiva “que me cabem”. A prova é a substituição por “os quais”: “Aceito os subterfúgios os quais me cabem” — exatamente o critério que distingue o relativo das demais funções do “que”.
O comando da questão
A banca pergunta qual a classificação do “que” no verso. Isso é uma questão de morfossintaxe: interessa tanto a classe da palavra (pronome relativo, conjunção...) quanto a função que ela exerce na oração que introduz. Não é interpretação de texto — é gramática aplicada ao trecho. O caminho é sempre o mesmo: identificar o antecedente (se houver) e testar a substituição.
O texto e o trecho decisivo
O poema de Adélia Prado fala da condição feminina e da aceitação do destino (“vai carregar bandeira”, “cargo muito pesado pra mulher”). No verso em análise, a eu lírica diz que aceita os “subterfúgios” — e especifica quais subterfúgios: “que me cabem”, ou seja, os que lhe são destinados. O “que” não é mero conectivo: ele substitui “subterfúgios” dentro da oração seguinte. Veja:
“Aceito os subterfúgios que me cabem,”
Se reescrevemos com o pronome relativo composto, o sentido permanece idêntico:
“Aceito os subterfúgios os quais me cabem,”
Essa troca é o teste clássico: todo pronome relativo pode ser substituído por o qual/a qual/os quais/as quais. Conjunção integrante, por outro lado, não admite essa substituição — troca-se a oração inteira por “isso” (ex.: “quero que você venha” = “quero isso”).
A técnica que decide
Procure o antecedente: “que” vem logo após “subterfúgios” — um substantivo plural. Pronome relativo sempre retoma um termo anterior (ou às vezes posterior).
Teste a substituição: “os subterfúgios os quais me cabem” — funciona. Logo, é relativo.
Classifique a oração: oração iniciada por pronome relativo é subordinada adjetiva (restringe ou explica o antecedente). Aqui, restringe: não são quaisquer subterfúgios, mas os que cabem à eu lírica.
Confira a função sintática do “que”: dentro da oração adjetiva, “que” exerce função de sujeito (“os subterfúgios me cabem” — quem cabe? os subterfúgios). Isso confirma que não é conjunção, pois conjunção não exerce função sintática.
Análise das alternativas
Funções do "que": Pronome relativo (Retoma antecedente, Substituível por "o qual", Introduz oração adjetiva); Conjunção integrante (Não retoma termo, Substituível por "isso", Introduz oração substantiva); Conjunção aditiva (Liga orações coordenadas, Ideia de soma); Pronome demonstrativo (Substitui termo, Não introduz oração); Advérbio interrogativo (Pergunta direta/indireta, Dúvida)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Conjunção subordinativa, fazendo a ligação à oração principal.
Aqui a banca tenta atrair quem confunde conjunção integrante com pronome relativo. A conjunção integrante também inicia oração subordinada, mas não retoma termo anterior e não exerce função sintática. Teste: “Aceito os subterfúgios isso me cabem” — não faz sentido. Além disso, a oração introduzida por conjunção integrante é substantiva, não adjetiva. O “que” do verso tem antecedente claro (“subterfúgios”), o que o torna relativo. Erro: troca de conceito — confundiu relativo com integrante.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Pronome relativo, introduzindo uma oração subordinada adjetiva.
Exatamente o que o texto mostra. O “que” retoma “subterfúgios” e equivale a “os quais”. A oração “que me cabem” é adjetiva restritiva, pois delimita quais subterfúgios são aceitos. A substituição comprova:
“Aceito os subterfúgios os quais me cabem,”
Nenhuma outra alternativa resiste a esse teste.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Conjunção aditiva, adicionando uma ideia à anterior; soma de informações.
Conjunção aditiva (como “e”) liga orações coordenadas ou termos equivalentes, sem que um dependa do outro. No verso, “que me cabem” depende de “subterfúgios” para ter sentido — não é uma soma independente. Além disso, não há ideia de acréscimo; há especificação. Erro: troca de conceito — confundiu subordinação com coordenação aditiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Pronome demonstrativo, apontando a referência ao que foi dito anteriormente.
Pronome demonstrativo (como “isso”, “aquele”) substitui um termo, mas não introduz oração. No verso, o “que” introduz a oração “me cabem” — função típica de relativo ou conjunção. Além disso, não há valor demonstrativo: não aponta para algo, retoma um substantivo específico. Erro: troca de conceito — confundiu relativo com demonstrativo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Advérbio interrogativo, ao introduzir um questionamento, denotando incerteza ou dúvida.
Advérbio interrogativo (como “onde”, “quando”, “como”) aparece em perguntas diretas ou indiretas. O verso é uma afirmação — a eu lírica aceita os subterfúgios; não há dúvida nem questionamento. O “que” não tem valor interrogativo. Erro: fora do escopo — atribui ao “que” uma função que o contexto não autoriza.
Conclusão
A questão testa o domínio das funções do “que”. O critério decisivo é: há antecedente? substitui por “o qual”? Se sim, é pronome relativo e a oração é adjetiva. A alternativa B é a única que descreve corretamente o fenômeno. As demais ou confundem com conjunção integrante (A), ou inventam funções que o contexto não sustenta (C, D, E).
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre o “que”, sempre faça o teste da substituição: se couber “o qual/a qual”, é pronome relativo; se couber “isso”, é conjunção integrante. Isso resolve 90% dos casos.