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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Instituto Consulplan 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa666883
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
TJ RO
Ano
2025
Cargo
TJ ( )

Com licença poética

 

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

– dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

 

(PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1995, p.11.)

 

A construção “Ora sim, ora não, creio em parto sem dor.” reflete:

  1. AUm erro gramatical, causado pela repetição inadequada do termo “ora”.
  2. BUm uso típico da norma culta, que privilegia estruturas fixas e previsíveis.
  3. CUma variação histórica do português, que preserva marcas do português arcaico.
  4. DO uso de uma linguagem exclusivamente poética, desvinculada da oralidade cotidiana.
  5. EO uso de uma expressão marcada pela variação estilística, alternando afirmação e dúvida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — O uso de uma expressão marcada pela variação estilística, alternando afirmação e dúvida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O efeito de sentido de "Ora sim, ora não"

Gabarito: letra E. A construção "Ora sim, ora não, creio em parto sem dor" reflete o uso de uma expressão marcada pela variação estilística, pois a repetição de "ora" alterna afirmação e dúvida, criando um efeito de hesitação e ambiguidade proposital. No poema, a autora Adélia Prado utiliza essa estrutura para expressar uma crença que oscila, não uma certeza absoluta, o que se alinha ao tom confessional e reflexivo do texto.

O comando pede que se identifique o que a construção "Ora sim, ora não, creio em parto sem dor" reflete — ou seja, qual o efeito de sentido que ela produz no contexto. Não se trata de uma questão de gramática normativa (não há erro), nem de variação histórica ou de linguagem exclusivamente poética. A resposta está na função expressiva da repetição: ela marca uma oscilação entre dois polos, o que é típico da variação estilística, recurso pelo qual o autor escolhe uma forma linguística para criar um efeito particular.

No poema, a voz lírica enumera aceitações e negações: "Não sou feia que não possa casar, / acho o Rio de Janeiro uma beleza e / ora sim, ora não, creio em parto sem dor." A expressão "ora sim, ora não" introduz uma dúvida em meio a afirmações, sugerindo que a crença no parto sem dor não é incondicional — ela depende do momento, do humor, da reflexão. Essa alternância é deliberada e expressiva, não um deslize.

A banca explora a confusão entre variação estilística (escolha consciente do autor para produzir sentido) e erro gramatical (desvio da norma). A repetição de "ora" é uma construção legítima da língua, usada para expressar alternância — como em "ora chove, ora faz sol". No contexto poético, ela ganha ainda mais força, pois reforça a ambiguidade e a hesitação da voz lírica.

1Recurso expressivo legítimo
Alternância entre polos
Afirmação × dúvida
Hesitação proposital
2Variação estilística
Escolha consciente do autor
Cria efeito de sentido
3Não é
Erro gramatical
Arcaísmo
Exclusivo da poesia
"Ora sim, ora não"
LEVELsoulevel.com.br
"Ora sim, ora não": Recurso expressivo legítimo (Alternância entre polos, Afirmação × dúvida, Hesitação proposital); Variação estilística (Escolha consciente do autor, Cria efeito de sentido); Não é (Erro gramatical, Arcaísmo, Exclusivo da poesia)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que há um erro gramatical pela repetição inadequada de "ora". Não há erro: a repetição é um recurso expressivo legítimo, e a construção "ora... ora..." é uma estrutura coordenada alternativa da norma culta. A banca tenta atrair quem vê repetição como vício, mas aqui ela é intencional e significativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que é um uso típico da norma culta que privilegia estruturas fixas e previsíveis. A expressão "ora sim, ora não" é, sim, da norma culta, mas a afirmação de que ela "privilegia estruturas fixas e previsíveis" é extrapolação: o texto não discute norma culta nem previsibilidade. Além disso, a construção é usada justamente para criar um efeito de imprevisibilidade, não de fixidez.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sustenta que é uma variação histórica do português que preserva marcas arcaicas. Não há qualquer indício de arcaísmo no trecho. A expressão "ora sim, ora não" é corrente no português moderno. A alternativa tangencia o tema, pois fala de variação linguística, mas não se aplica ao caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que é uma linguagem exclusivamente poética, desvinculada da oralidade cotidiana. A expressão "ora sim, ora não" é usada também na fala cotidiana (ex.: "ora ele quer, ora não quer"). O texto é poético, mas o recurso não é exclusivo da poesia. A alternativa restringe indevidamente o alcance da expressão.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A construção reflete o uso de uma expressão marcada pela variação estilística, alternando afirmação e dúvida. O "ora sim, ora não" cria uma oscilação entre dois polos, expressando hesitação e ambiguidade — efeito que se confirma no contexto: a voz lírica diz que "creio em parto sem dor", mas a expressão anterior relativiza essa crença, tornando-a condicional. É exatamente isso que a alternativa descreve.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar o efeito de uma expressão, pergunte: que sentido ela produz no contexto? A repetição de "ora" não é erro, é recurso de alternância. Desconfie de alternativas que falam em "erro" ou "arcaísmo" sem base no texto.

Gabarito: letra E — a única que capta o efeito expressivo da construção, sem extrapolar ou restringir o que o texto diz.

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