Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa670158
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF MS
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )
Texto III
Sabiá
(Chico Buarque e Tom Jobim)
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor talvez
Possa espantar as noites
Que eu não queria
E anunciar o dia
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Eu não sou mais triste
E que a nova vida
Já vai chegar
E que a solidão
Vai se acabar
Buarque, C. (s.d.). Sabiá. Disponível em: https://www.letras.mus.br/blog/sabia. Acesso em: 21 mar. 2025.
Leia o Texto III, a seguir, para responder à questão A canção “Sabiá” dialoga com o poema “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias. Esse diálogo intertextual se manifesta como
Aum recurso de valorização do nacionalismo romântico, reforçando a crença na harmonia natural do Brasil do século XIX.
Bum mecanismo de subversão poética, que ironiza o lirismo da literatura tradicional por meio da música popular urbana.
Cuma atualização simbólica da saudade da terra natal, marcada agora por tons melancólicos e políticos em um contexto de exílio contemporâneo.
Duma paródia satírica, que substitui a imagem do sabiá por símbolos urbanos para questionar o idealismo do Romantismo.
Eum exemplo de informatividade textual que contradiz o uso de elementos simbólicos tradicionais, gerando ruptura semântica com o texto-base.
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GabaritoC — uma atualização simbólica da saudade da terra natal, marcada agora por tons melancólicos e políticos em um contexto de exílio contemporâneo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Intertextualidade em "Sabiá": atualização simbólica da saudade
Gabarito: letra C. A canção "Sabiá" dialoga com "Canção do Exílio" como uma atualização simbólica da saudade da terra natal, agora marcada por tons melancólicos e políticos em um contexto de exílio contemporâneo. O texto-base sustenta isso ao retomar o desejo de voltar ao "meu lugar" e ao mesmo tempo subverter a imagem romântica: a palmeira "já não há" e a flor "já não dá" — elementos que, no poema de Gonçalves Dias, eram símbolos de uma natureza exuberante e harmoniosa, aqui aparecem como ausência e perda.
O comando pede que se identifique como o diálogo intertextual se manifesta. Isso é uma questão de interpretação — não basta localizar uma informação explícita; é preciso depreender o efeito de sentido que a retomada do poema romântico produz na canção. A banca quer que o candidato reconheça o tipo de relação estabelecida entre os textos: não é uma citação direta, nem uma paródia satírica, mas uma releitura que preserva o tema da saudade e o ressignifica.
O texto de Chico Buarque e Tom Jobim retoma elementos centrais do poema de Gonçalves Dias — o desejo de voltar à pátria, a palmeira, o sabiá — mas os insere em outro contexto. Veja a passagem decisiva:
"Vou deitar à sombra / De uma palmeira que já não há / Colher a flor que já não dá"
A palmeira e a flor, que no Romantismo simbolizavam a beleza natural do Brasil, aqui já não existem. Essa ausência é a chave da questão: a canção não repete o nacionalismo ufanista do século XIX; ela o atualiza para falar de um exílio em que a terra natal é lembrada com melancolia, e a volta é marcada pela consciência da perda. O tom político está na crítica implícita a um país que já não oferece o que antes simbolizava — leitura coerente com o contexto da ditadura militar, em que a canção foi composta.
A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o texto autoriza a afirmação ou se ela exige acrescentar algo de fora. A correta é a única que se sustenta integralmente nos versos; as demais ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o que está escrito.
Intertextualidade em "Sabiá": Retoma elementos do poema (Desejo de voltar à pátria, Palmeira, Sabiá); Ressignifica (atualização) (Palmeira "já não há", Flor "já não dá", Saudade com melancolia e tom político); Não é (Paródia satírica, Ironia, Contradição dos símbolos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o diálogo é um "recurso de valorização do nacionalismo romântico, reforçando a crença na harmonia natural do Brasil do século XIX". Isso contradiz o texto: a canção não reforça a harmonia natural, mas a nega — a palmeira "já não há" e a flor "já não dá". O erro é de contradição: troca a ausência melancólica por uma presença harmoniosa que o texto não sustenta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "mecanismo de subversão poética, que ironiza o lirismo da literatura tradicional". O texto não apresenta ironia nem subversão do lirismo; ao contrário, mantém um tom lírico e melancólico. A canção dialoga com o Romantismo, não o ridiculariza. O erro é de extrapolação: atribui ao texto uma intenção irônica que não está presente.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o efeito do diálogo: "atualização simbólica da saudade da terra natal, marcada agora por tons melancólicos e políticos em um contexto de exílio contemporâneo". O texto sustenta isso nos versos "Vou voltar / Sei que ainda vou voltar / Para o meu lugar" — a saudade do lugar de origem — e na subversão dos símbolos: "palmeira que já não há" e "flor que já não dá". A melancolia está na consciência da perda; o tom político, na crítica implícita a um país que já não oferece o que antes simbolizava. É a única alternativa que não acrescenta nem contradiz o texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "paródia satírica, que substitui a imagem do sabiá por símbolos urbanos". O texto não substitui o sabiá por símbolos urbanos — o sabiá permanece como elemento central ("Que eu hei de ouvir cantar / Uma sabiá"). Também não há sátira. O erro é de contradição e extrapolação: inventa uma substituição que não ocorre e um tom satírico que não existe.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "informatividade textual que contradiz o uso de elementos simbólicos tradicionais, gerando ruptura semântica". O texto não contradiz os símbolos tradicionais; ele os ressignifica — a palmeira e a flor continuam presentes, mas como ausência. Não há ruptura semântica, mas continuidade temática com nova significação. O erro é de troca de conceito: confunde atualização com contradição.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre atualizar e contradizer. A canção não nega os símbolos românticos; ela os mantém, mas lhes dá novo sentido — a palmeira que "já não há" é a mesma palmeira do poema, só que agora marcada pela perda. Quem lê rápido pode achar que há ironia ou sátira, mas o tom é de melancolia, não de deboche.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de intertextualidade, pergunte: o texto repete, inverte ou ressignifica os elementos do texto original? Se mantém o tema e muda o sentido, é atualização; se inverte para ridicularizar, é paródia; se copia com autoria, é citação.
Gabarito: letra C. A resposta certa é a que reconhece a atualização simbólica — a canção preserva a saudade romântica, mas a insere em um contexto de perda e exílio contemporâneo, sem ironia e sem contradição.